
Sebrae-SP e Rotary Club de Votuporanga Novas Gerações lançam projeto com quatro cursos gratuitos e estratégias para transformar formação profissional em autonomia financeira; cerimônia também marcou a entrega de equipamento ao Banco de Leite Humano.
@caroline_leidiane
Em uma noite de encontros, descontração, reconhecimento de demandas e planejamento de novos caminhos, o projeto “Gera Futuro” foi lançado na terça-feira (15), no Escritório Regional do Sebrae-SP, em Votuporanga.
A cerimônia reuniu representantes do poder público, entidades, instituições de ensino, empresários e parceiros da iniciativa.
Desenvolvida pelo Sebrae-SP em parceria com o Rotary Club de Votuporanga Novas Gerações, o projeto objetiva conectar pessoas com mais de 18 anos em situação de vulnerabilidade às oportunidades do mundo do trabalho, tendo a qualificação profissional como caminho para essa aproximação.

Construído a partir das necessidades locais
A aproximação entre o Sebrae-SP e o Rotary Club de Votuporanga Novas Gerações começou a partir de diálogos entre integrantes das duas instituições. Kleber Guerche, consultor de negócios do Sebrae-SP e integrante do Rotary, foi responsável por fazer a ponte entre as entidades e sugerir a proposta à direção do clube.
“Eu apresentei para a Andrea o projeto, que é o ‘Gera Futuro’. Achei que ela ia começar pequenininho, mas ela abraçou a ideia, levou o projeto adiante e, agora, ele está tomando corpo”, contou durante a cerimônia.
A presidente do Rotary Club de Votuporanga Novas Gerações, Andrea Isabel Silva Thomé, explicou que a entidade procurava uma maneira de criar um diferencial diante da oferta de cursos existente no município. Nas conversas com empresários, porém, uma situação aparecia de forma recorrente: “Estamos com dificuldade”. Havia demanda por profissionais, mas faltava mão de obra qualificada para preencher as vagas disponíveis. A partir desse diagnóstico, o projeto passou a incorporar mecanismos de estímulo à permanência dos alunos e condições para que eles possam iniciar uma atividade profissional depois da formação.
“Vamos premiar, vamos estimular, vamos demonstrar para eles que realmente a capacitação é o melhor meio para que, de fato, nós possamos ter uma renda e ter melhores oportunidades”, afirmou ela.
A iniciativa está alinhada ao eixo de inclusão produtiva do Sebrae-SP. Iroá Nogueira Lima Arantes explicou que a instituição atua em diferentes frentes, desde a educação empreendedora até o acompanhamento de empresas estabelecidas, e que o “Gera Futuro” se concentra em pessoas que precisam desenvolver uma habilidade capaz de ser convertida em autonomia financeira.
“É a gente identificar aquela pessoa que pode estar em uma situação de vulnerabilidade econômica ou financeira, que precisa aprender, desenvolver alguma habilidade técnica que ela possa gerar renda”, disse a gerente regional do Sebrae-SP.
A formação técnica será associada a conhecimentos de empreendedorismo, marketing e finanças. Existe, ainda, uma preocupação em medir os efeitos das capacitações depois que os alunos deixam a sala de aula.
Iroá relatou que, no ano passado, uma empresa de pesquisa contratada pelo Sebrae-SP entrou em contato com constituintes dos cursos para verificar se a formação havia contribuído para o aumento da renda. Neste ano, a estratégia passou a incorporar ações práticas de comercialização.
“A gente pega esse pessoal, ‘ah, eu fiz bolo’, então todo mundo vai fazer bolo, nós vamos montar umas barracas aqui, nós vamos vender o bolo. Literalmente pegar na mão e quebrar aquele medo de vender”, explicou.
Segundo a ela, após a adoção da estratégia, 80% das pessoas acompanhadas pela pesquisa estavam obtendo retorno financeiro. Diante desse resultado, a experiência será considerada no acompanhamento dos participantes do “Gera Futuro”.

Quatro cursos
A primeira etapa reúne quatro cursos, cada um com 18 vagas: Instalação de Drywall, Ajuste e Reforma de Roupas, Fabricação de Salgados Assados e Fabricação de Pães e Salgados Fitness. As aulas serão realizadas na Escola Senai, unidade de Votuporanga.
A definição das áreas partiu de consultas a empresários, profissionais de diferentes segmentos e integrantes do próprio Rotary. O propósito foi identificar necessidades concretas do mercado e possibilidades de atuação para os futuros profissionais.
No caso do Drywall, a análise encontrou baixa disponibilidade de mão de obra diante de um setor com espaço para expansão da técnica. Andrea relatou que conversas com gestores da construção civil ajudaram a identificar essa lacuna.
Na alimentação, a possibilidade de trabalhar a partir de casa foi um dos aspectos considerados. Já o curso de Ajuste e Reforma de Roupas surgiu a partir da percepção de um nicho provocado, entre outros fatores, pelo crescimento das compras pela internet e pela necessidade de adequação das peças.
O diagnóstico encontra correspondência em uma realidade apontada pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Chino Bolotário. Segundo ele, Votuporanga ofereceu 118 cursos neste ano, mas parte das vagas não foi preenchida, apesar da existência de estrutura, profissionais capacitados e ampla divulgação.
“Nós abrimos esses cursos, cursos ótimos oferecidos, e a gente fica triste porque a gente abre esse esforço e não aparece ninguém”, declarou.
Conforme o secretário, um dos desafios é garantir que essas oportunidades cheguem justamente a quem precisa delas.
“Nós estamos articulando sobre cursos de beleza e de técnico em enfermagem. Quem passou lá pelos lados da Santa Casa, onde vai ser construído o hospital Materno Infantil, viu um guindaste enorme; já começaram a fazer as instalações pré-moldadas. Então, quem fizer o curso de enfermagem vai ter oportunidade de emprego, porque vamos precisar de mais de 200 profissionais. (…) Temos que capacitar a nossa população”, disse Chino.
A participação do Senai no projeto está relacionada tanto à formação profissional quanto à dinâmica do setor produtivo. Silvio Marchetti, coordenador da unidade de Votuporanga, apontou que a instituição estará junto da iniciativa sempre que a finalidade estiver relacionada ao emprego e à mão de obra qualificada.
Marchetti destacou que o trabalho da instituição não se restringe à formação de profissionais. A qualificação também está ligada à necessidade de tornar o setor produtivo mais eficiente.
“Nossa meta é entrar em uma indústria e deixar ela melhor do que ela está”, pontuou.
O coordenador defendeu, ainda, o acompanhamento dos participantes depois da conclusão das aulas, com levantamento sobre frequência, permanência, engajamento e resultados alcançados.
“Vamos incentivar, vamos formar as turmas. E faltou uma parte, eu acho: vamos monitorar esse pessoal. Então pensem no monitoramento pós-curso, pós-realização. Se engajaram, quantos foram, quantos estão indo, isso vai ser fantástico”, complementou.

Capital Semente
O “Gera Futuro” foi estruturado com mecanismos destinados a estimular a permanência nas turmas e facilitar os primeiros passos profissionais. Um deles é o Capital Semente, que prevê a destinação de ferramentas, equipamentos, insumos ou maquinários aos participantes.
A ideia surgiu da necessidade de evitar que a falta de recursos materiais se transforme em uma barreira depois da capacitação. Kleber explicou que os organizadores debateram inicialmente se o benefício seria destinado a apenas um participante ou a todos os concluintes. A solução encontrada foi buscar empresas parceiras e estabelecer uma modalidade de recompensa que contemple os alunos.
O programa prevê critérios de participação. Entre eles está a frequência mínima de 75% para que o aluno possa concorrer à premiação do Capital Semente. O desempenho será considerado a partir do envolvimento durante o curso e de uma análise técnica dos professores.
Os recursos já reunidos incluem máquinas, ferramentas e equipamentos específicos. No curso de Costura, a organização trabalha para adquirir uma máquina compatível com o padrão utilizado durante a formação. No Drywall, empresas parceiras disponibilizaram materiais e ferramentas.
A ação beneficente realizada pelo Rotary durante o Agosto Dourado resultou em R$ 4 mil destinados ao “Gera Futuro”. Segundo Andrea, a previsão é utilizar R$ 1 mil em cada um dos quatro cursos, embora o formato da premiação ainda esteja em definição.
Após a formação, os participantes poderão integrar o cadastro permanente de expositores do Rotary e participar de festas, feiras e eventos beneficentes, criando oportunidades de apresentação e comercialização de produtos e serviços. A organização pretende utilizar essa rede para aproximar os novos profissionais do mercado na prática.
O “Gera Futuro” começa com quatro turmas e 72 vagas. O planejamento prevê supervisão dos resultados, identificação de novas demandas e avaliação da possibilidade de levar a experiência a outros municípios da região.
Laser Duo chega ao Banco de Leite Humano
Durante a cerimônia, o Rotary Club de Votuporanga Novas Gerações realizou a entrega de um aparelho Laser Duo ao Banco de Leite Humano do município. A demanda foi identificada pela Secretaria Municipal da Saúde e apresentada à entidade, que mobilizou recursos para viabilizar a aquisição.
Andrea explicou que a escolha ocorreu após o diagnóstico da necessidade e o acompanhamento do trabalho desenvolvido pelo Banco de Leite. A iniciativa foi articulada no contexto do Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno.
Gerente do Banco de Leite Humano de Votuporanga, Karen Fernanda Silva Bortoleto Garcia frisou a abrangência do serviço prestado pelo município. Segundo ela, a estrutura atende Votuporanga e Jales e fornece leite humano para unidades de outras cidades.
Karen relatou que o banco consegue suprir quatro UTIs neonatais e mencionou a atuação durante um surto de bronquiolite no ano passado, quando 153 bebês foram atendidos com leite humano distribuído pela unidade.
“O leite humano não é só um alimento; ele é um medicamento também e é o único que a ciência não conseguiu copiar”, realçou.
O Laser Duo será utilizado como recurso complementar na assistência às mulheres que apresentam traumas e fissuras mamilares durante a amamentação. A fotobiomodulação de baixa intensidade pode auxiliar no processo de reparação dos tecidos e no alívio da dor, conforme indicação e protocolo dos profissionais habilitados.
De acordo com Karen, a chegada do equipamento representa uma alternativa acessível às mães atendidas pelo serviço.
“Uma sessão de laser hoje, por uma consultora particular, pode custar oitenta, cem reais. E muita mãe não tem esse dinheiro para fazer”, apontou.
Andrea reiterou que o equipamento poderá contribuir para tornar o período de amamentação menos doloroso.
“Nós que já fomos mães sabemos que nem sempre amamentar é um ato tão prazeroso. Com esse aparelho, eu tenho certeza de que muitas mães terão esse momento muito mais prazeroso do que muitas não puderam ter”, disse.
A entrega do equipamento e o lançamento do “Gera Futuro” traduzem duas frentes de atuação desenvolvidas a partir de demandas identificadas no município: o acesso à qualificação profissional e a estruturação de serviços voltados à saúde materno-infantil. Em ambas, a articulação entre instituições, empresas e comunidade aparece como elemento central para transformar necessidades locais em ações concretas.
As inscrições para os quatro cursos do projeto “Gera Futuro” estão disponíveis. Interessados podem fazer a inscrição por meio do link linktr.ee/gerafuturos.




