Mirassol entra na Libertadores como caçula e se despede com grandeza 

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Victor Luís em ação durante LDU x Mirassol, pelas oitavas de final da Libertadores — Foto: Pedro Zacchi/Agência Mirassol

Clube do interior paulista controla a LDU e faz por merecer vitória no tempo normal mesmo na altitude e com time reserva.


O capítulo final da primeira jornada do Mirassol pela América foi de encher o torcedor mirassolense de orgulho. Mesmo com time repleto de reservas e com a altitude de 2,8 mil metros, o Leão Caipira mandou na partida contra a LDU por quase todos os 90 minutos.

Com os pés no chão, a equipe do interior paulista tomou a difícil decisão de não ir com força máxima em um confronto de oitavas de final que pode, talvez, nunca mais ser vivido.

Ainda assim, o Mirassol teve um jogo praticamente de manual e neutralizou a Liga em boa parte da partida. Além disso, foi mais agudo, finalizou mais e mereceu vencer no tempo normal.

Esbarrou na falta de pontaria e teve que encarar os pênaltis. Com apenas uma cobrança desperdiçada, na finalização de Victor Luís, o Leão escreve seu último capítulo na Libertadores 2026 com letras douradas, apesar da eliminação.

O time da cidade de 65 mil habitantes avançou em um grupo com campeões continentais, como LDU e Lanús, e empatou duas vezes com a LDU nas oitavas. Fecha a fase de mata-mata sem ter ficado atrás do placar.

Consegue não ser derrotado pela Liga Deportiva Universitaria, que havia ganho 22 dos 33 jogos que fez em seu estádio contra brasileiros. É certo dizer que o caçula sai respeitado pelo continente com uma jornada que será lembrada daqui a 100 anos.

Com a bola rolando… 

Com o time repleto de reservas, poderia se esperar que o Mirassol fosse amassado pela LDU desde os primeiros minutos. Porém, apesar da iniciativa dos donos da casa, o Leão conseguiu levantar um bom muro. Rafael Guanaes mudou a formação e escalou três zagueiros, fechando bem os espaços da Liga.

Surpreendentemente, a primeira grande chance da partida foi do time amarelo e verde, em uma boa finalização de Shaylon, que raspou a trave.

Em todo o primeiro tempo, os equatorianos só criaram uma oportunidade de impacto. Foi aos 29 minutos, na finalização de Cuero, que quase terminou no gol de Corozo.

Os brasileiros tiveram êxito nas segundas bolas e não permitiram que a LDU tivesse longas posses em seu campo de ataque. Nos acréscimos da etapa inicial, ainda deu tempo de Fernandinho finalizar da entrada da área e quase marcar para os visitantes.

Foram 49 minutos quase perfeitos de um time muito aplicado defensivamente. A Liga não soube o que fazer e pareceu surpresa com o esquema de três zagueiros de Guanaes. 

No segundo tempo, o Mirassol não deixou a peteca cair. Manteve a mesma intensidade e conseguiu neutralizar ainda mais os ataques adversários.

A torcida da LDU foi perdendo a paciência com cada erro da equipe, enquanto o Leão reinava na segurança. Além da consolidação defensiva, o time amarelo e verde atacava com perigo e ficou perto de abrir o placar em chances com Fernandinho e André Luis, que furou após receber ótimo passe de Denilson.

Após a pausa para a hidratação, o Mirassol manteve as garras afiadas e produziu mais três chances claríssimas. A principal delas foi com Daniel Borges, que parou em uma defesaça de Valle.

O goleiro da LDU, aliás, fez cera para segurar o ímpeto mirassolense nos minutos finais. Os donos da casa pareciam entender que o único caminho para a classificação estava nos pênaltis. E assim foi, em uma disputa que terminou em 5 a 4. 

Nada que apagasse o brilho de um clube que foi valente novamente e não temeu a altitude, muito menos um gigante do continente.