O decano usou a experiência de quase cinco décadas para alertar os colegas de Casa de Leis: “A Câmara é feita para fazer lei, para correr atrás de benefícios para a cidade.”
Jorge Honorio
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Em um discurso curto e cirúrgico, o vereador Mehde Meidão (PSD), decano da Câmara Municipal de Votuporanga/SP, durante a 8ª sessão ordinária, realizada nesta segunda-feira (16.mar), comparou a Casa de Leis à guerra em curso entre Estados Unidos, Israel e Irã, fazendo alusão aos protestos contra o aumento nas faturas de água e vazamentos de esgoto no município.
Em tom moderador, Meidão usou a experiência de quase cinco décadas para conclamar os colegas de Câmara a ouvirem a população, tentar resolver a demanda e pacificar o clima de guerra que se instalou no Poder Legislativo local: “Eu estou percebendo, eu estou nessa Casa de Lei por 48 anos. Eu estou percebendo que isso aqui virou uma praça de guerra. Nessa Casa de Lei, parece que nós estamos na guerra do Irã.”
“Eu acho que nós temos que dar atenção a esse povo, ouvir esse povo, e muitas coisas que é discutida aqui não é de vereador. Seria pegar, fazer uma comissão, ir até a Saev, ir até o prefeito e tentar resolver. Porque vereador não tem caneta para baixar imposto para fazer isso, fazer aquilo”, emendou Mehde Meidão.
Em seguida, o vereador se dirige ao presidente da Câmara, Daniel David (MDB), que atualmente ocupa a função já exercida por ele em um passado recente, e passa a ponderar sobre o fim das hostilidades entre a população e os vereadores: “Eu acho que vossa excelência deveria usar à Câmara, da mesma maneira que a gente fazia na nossa época. Para a sessão, para a sessão, para a sessão, suspenda a sessão que vossa excelência tem o poder de polícia dentro dessa Casa. E esse poder não está sendo respeitado. Numa sessão passada, com o próprio vereador Emerson [Emerson Pereira (PSD)] falando e o povo gritando lá de trás, chamando de ladrão.”
“A Câmara é feita para fazer lei, para correr atrás de benefícios para a cidade. Eu, por exemplo, voto hoje a favor de vossa excelência, mas eu gostaria que se evitasse esse tipo de agressão do próprio povo com vereador e de vereador, que muitas vezes não dá atenção, para o povo”, concluiu Meidão.
Nas galerias a reação ao discurso foi de descontentamento, inclusive com manifestação pública, onde integrantes afirmaram em voz alta não terem ofendido os vereadores.
O discurso de Mehde Meidão retrata a relação conflituosa que tem permeado todas as sessões ordinárias da Câmara Municipal de Votuporanga e segue sem prazo para terminar. Manifestantes ouvidos pelo Diário afirmaram que seguirão, de maneira ordeira, na Casa de Leis, até que o prefeito Jorge Seba (PSD) ouça as demandas e tome providências.
Ainda segundo o apurado, por outro lado, em outra esfera de Poder, os manifestantes esperam decisões de demandas junto ao Ministério Público e à Justiça, no tocante ao aumento da tarifa de esgoto e a esperada queda ou profunda revisão, já dada como certa nos bastidores, da polêmica Taxa do Lixo.





