Masculinidades em transformação: diálogo para romper ciclos de violência

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Representantes das instituições parceiras que integram o projeto Masculinidades em Transformação – Foto: Assessoria/Senac

Projeto desenvolvido por Senac, Poder Judiciário, Prefeitura de Votuporanga e CAEF chega à terceira edição, reúne dez participantes e aposta na reflexão e na responsabilização como instrumentos de prevenção à violência contra a mulher.


@caroline_leidiane

A prevenção da violência doméstica e familiar passa também pela compreensão dos comportamentos que sustentam relações violentas. É a partir dessa perspectiva que o projeto Masculinidades em Transformação iniciou, em Votuporanga, sua terceira edição.

A abertura da terceira edição ocorreu no dia 22 de setembro, no Senac Votuporanga. Nesta etapa, dez participantes integram o grupo.

Criado em 2025, o projeto é desenvolvido por uma rede formada pelo Senac Votuporanga, Poder Judiciário, Prefeitura de Votuporanga e Central de Atenção ao Egresso e Família (CAEF).

A proposta é trabalhar a prevenção da violência doméstica e familiar por meio da reflexão sobre masculinidades, relações de gênero e formas de convivência, além de estimular a responsabilização de homens autores de violência e a mudança de comportamento entre egressos de estabelecimentos penais.

Ao longo desta edição, serão realizados dez encontros, com atividades previstas até novembro. Os participantes terão contato com temas como comunicação não violenta, resolução de conflitos, relações de gênero, masculinidades e convivência familiar.

Educação e responsabilização

A metodologia parte do diálogo como instrumento para abordar comportamentos, valores e formas de relacionamento que podem contribuir para a reprodução de situações de violência. A intenção é favorecer mudanças que ultrapassem o período dos encontros e alcancem as relações familiares e interpessoais.

Para o técnico responsável pela CAEF de Votuporanga, Fabrício Kaiser, a participação efetiva dos integrantes do grupo é essencial para esse processo.

“O comprometimento dos participantes, aliado à escuta qualificada e ao diálogo, é fundamental para que possamos promover a reflexão sobre comportamentos, fortalecer a responsabilização e contribuir para a ruptura de ciclos de violência, favorecendo a construção de relações mais respeitosas, saudáveis e igualitárias”, destaca.

A iniciativa é acompanhada pela Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania (CRSC) e, de acordo com o órgão, até o momento não foram identificados novos registros envolvendo membros das duas edições anteriores, dado apontado como um indicativo da contribuição do projeto para a prevenção de novas ocorrências.

“O Grupo Reflexivo Masculinidades em Transformação é fundamental para conscientizar os participantes sobre a questão da violência, especialmente contra a mulher, contribuindo para a redução desses casos”, afirma Larissa Turollo, representante do CRSC.

Rede de instituições

A terceira edição mantém a atuação integrada entre diferentes setores, reunindo educação, Poder Judiciário, administração pública e políticas de reintegração social. A gerente do Senac Votuporanga, Eliane Baltazar Godoi, salienta que a atuação da instituição na iniciativa integra uma frente de trabalho voltada à construção de uma sociedade mais segura e acolhedora.

“Para o Senac, participar de um projeto como este reforça nosso compromisso com a educação como ferramenta de transformação social. Acreditamos que promover o diálogo, a reflexão e o desenvolvimento humano é fundamental para a construção de relações mais respeitosas e para a prevenção da violência”, ressalta.

Reconhecimento

Em dois anos de atividade, o Masculinidades em Transformação já realizou duas edições e recebeu reconhecimento estadual. O projeto conquistou o 2º lugar no Prêmio Rompa 2025, promovido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que reconhece iniciativas voltadas ao enfrentamento e à prevenção da violência contra a mulher.

A premiação reverbera uma iniciativa que aposta no trabalho reflexivo e na responsabilização como estratégias de prevenção, buscando estimular mudanças no comportamento masculino e a construção de relações que não compactuem com a violência.