Lula diz que facções não foi tema em conversa com Trump e que o combate ao crime organizado não deve envolver ‘base militar’ 

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Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026 — Foto: Presidência da República

Presidente defendeu enfrentar temas considerados tabu, criticou soluções militares e propôs grupo de trabalho com países da América Latina e do mundo.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o enfrentamento ao crime organizado e ao tráfico de drogas exige a superação de temas considerados tabus e a adoção de uma estratégia internacional baseada em alternativas econômicas, e não apenas em ações militares.

“Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece alternativa de outro produto para que alguém possa plantar a ganhar dinheiro? E nós temos que incentivar o plantio de outra coisa e sermos os compradores para que as pessoas possam sobreviver. Enquanto houver gente necessitada de recursos e consumidores, não vamos parar de ter o mundo cheio de droga por tudo quanto é lado”, disse o presidente.

Segundo Lula, ele e Trump não discutiram a situação das facções criminosas brasileiras serem declaradas como grupos terroristas, possibilidade levantada nos Estados Unidos: “Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump, partindo dele falar de alguma facção no Brasil”, afirmou Lula.

A declaração de Lula foi feita ao comentar conversa com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7.mai), na Casa Branca, em Washington.

Segundo Lula, ele destacou a Trump que historicamente os Estados Unidos falam em combater o crime organizado e o tráfico de drogas por meio da instalação de bases militares em outros países, mas sem atacar a raiz do problema.

Para o presidente, não é possível exigir que países deixem de plantar ou fabricar drogas sem oferecer opções econômicas viáveis à população local. Na avaliação de Lula, enquanto houver pessoas em situação de necessidade e mercado consumidor, o tráfico de drogas continuará existindo.

Durante a conversa, Lula disse a Trump que o Brasil está disposto a ajudar a construir um grupo de trabalho internacional para o combate ao crime organizado, reunindo países da América do Sul, da América Latina e, eventualmente, do mundo inteiro.

Para ele, o enfrentamento do problema não pode ser pautado pela hegemonia de um país sobre os outros, mas por uma responsabilidade compartilhada.

Lula também ressaltou a experiência brasileira no tema. Citou a atuação da Polícia Federal e o histórico do país no combate ao tráfico de drogas e de armas. Segundo o presidente, parte das armas que circulam no Brasil tem origem nos Estados Unidos, assim como esquemas de lavagem de dinheiro que envolvem estados americanos.

“Se a gente souber disso e colocar a verdade em torno da mesa, pode resolver em décadas o que não se resolveu em séculos”, afirmou.

Na avaliação do presidente, um esforço coordenado, transparente e multinacional pode produzir resultados concretos em menos tempo do que as estratégias adotadas até agora. 

*Com informações do g1