
Banda mineira passou por Votuporanga nesta quinta-feira (21), apresentou versões acústicas de sucessos da carreira, falou sobre o lançamento exclusivo de ‘Seu e Só’ nas rádios e refletiu acerca da relação entre música e público.
@caroline_leidiane
O estúdio da Clube 92 FM ganhou atmosfera de pocket show na manhã desta quinta-feira, 21 de maio, com a passagem da Lagum por Votuporanga. Em clima descontraído, a banda mineira cedeu entrevista ao vivo para o deleite dos ouvintes.
Durante a ocasião, os integrantes relembraram momentos marcantes da trajetória do grupo, construído desde 2014, apresentaram músicas em formato acústico e detalharam a nova etapa artística inaugurada pelo single “Seu e Só”, lançado primeiro nas rádios antes de chegar às plataformas digitais no próximo dia 25.
Formada atualmente por Pedro Calais (vocal), Jorge Borges (guitarra), Chicão Jardim (contrabaixo) e Zani Cardoso (guitarra), a Lagum percorre o país em uma ação promocional que aposta na experiência presencial e no vínculo histórico entre rádio e público.
A proposta inclui visitas a emissoras de diferentes regiões brasileiras em uma espécie de turnê radiofônica, resgatando a escuta compartilhada em meio à velocidade dos lançamentos digitais.
Logo no início da entrevista, os músicos falaram sobre a identidade sonora construída pela banda ao longo dos anos, marcada por mistura de estilos e recusa em permanecer presa a fórmulas fixas.
“Acho que a gente faz parte de uma geração que consegue consumir muitos tipos de música ao mesmo tempo e acaba sendo bastante eclética por causa das playlists”, afirmou Pedro Calais. “Hoje as pessoas escutam música pelas plataformas digitais e transitam naturalmente entre estilos muito diferentes. Vai do pop ao reggae, do hip-hop ao sertanejo, do pagode ao rock. A gente é brasileiro, consome tudo isso e acaba trazendo essas referências de forma muito natural pra dentro da banda.”
Segundo o vocalista, essa pluralidade musical também aparece no processo de composição da Lagum, que costuma nascer primeiro da harmonia construída no violão, no piano ou em bases produzidas no computador, antes da chegada das melodias e letras.
Já Zani Cardoso destacou que as referências individuais de cada integrante ajudam a moldar a personalidade artística do grupo.
“Eu sou do rock and roll mesmo, foi a escola que eu tive”, comentou. “Mas eu acho difícil falar exatamente de onde vêm as referências, porque a gente traz muita coisa diferente. Vai de Clube da Esquina até coisas mais atuais. O Jorge, por exemplo, é um cara muito do Red Hot Chili Peppers, o Chicão muito dos Beatles. Acho que é essa misturinha que faz a magia.”
Ao longo da transmissão, a banda apresentou versões acústicas de músicas como “A Cidade”, “Deixa” e “Ninguém Me Ensinou”, transformando o estúdio em um ambiente de proximidade rara entre artistas e ouvintes.
Em meio as palinhas de uma música e outra, os integrantes recordaram momentos decisivos da trajetória do grupo. Um deles foi a repercussão nacional de “Deixa”, impulsionada após uma publicação do jogador Neymar durante a Copa do Mundo de 2018.
“O Neymar postou ‘Deixa’ e isso deu uma repercussão muito grande pra música”, relembrou Pedro. “Ela já vinha crescendo, mas ele fez um post no Instagram ouvindo e aquilo jogou a gente muito pra frente. A música começou a tocar em tudo quanto é canto e foi uma época muito boa. Hoje em dia a galera usa muito o TikTok também, então nossas músicas acabam indo pra lá em vídeos, trends e conteúdos que ajudam a crescer ainda mais.”
A entrevista também abriu espaço para uma fã que prestigiava a entrevista dentro do estúdio de gravação. Amanda, é de Votuporanga e contou que acompanha a Lagum há oito anos e mobilizou uma verdadeira operação para encontrar a banda na cidade.
“Quem é fã raiz mesmo acompanhou a lista que eles mandaram no canal de transmissão e já foi atrás dos lugares onde eles iam estar”, contou ela. “Quando vi que eles vinham pra cá, nem acreditei. Já procurei a rádio, a data da entrevista e ainda consegui encontrar eles no hotel. Quem é fã de verdade acaba fazendo essas loucuras de amor.”
Em outro trecho da conversa, Pedro Calais refletiu sobre o impacto da música na vida dos integrantes e na relação construída com o público ao longo dos anos.
“Viver de música e arte no Brasil é um privilégio”, disse Jorge Borges. “Acho que as pessoas imaginam que é só chegar no fim de semana e subir no palco, mas isso é só a pontinha do iceberg. Ao mesmo tempo que é uma honra, também é muito trabalho. A música leva a gente pra lugares que nem imaginávamos, faz conhecer esse Brasilzão, outros países, pessoas diferentes e ouvir relatos de fãs sobre como as canções ajudam em momentos que a gente nem imagina. É um poder que a gente não consegue materializar.”
A banda também comentou a recente quinta turnê europeia da carreira, que passou por países como Portugal, Inglaterra, Alemanha, Holanda e Irlanda. Segundo os músicos, a experiência internacional ampliou ainda mais a percepção sobre o alcance das músicas da Lagum fora do Brasil.
Além da passagem por Votuporanga, o grupo confirmou apresentações da turnê “Isso ainda não é uma turnê” em diferentes cidades do interior paulista nos próximos meses, incluindo Votorantim, Indaiatuba, Campinas, Piracicaba, Bauru, São José do Rio Preto e São Carlos.
Sobre a temperatura dos shows, o vocalista resumiu o que o público pode esperar da experiência ao vivo da banda.
“No show, a banda fica mais rock and roll. Tem o momento romântico, claro, mas a maior parte é a galera pulando”, concluiu.
Encerrando a participação na rádio, os integrantes reforçaram o convite para que os ouvintes acompanhem “Seu e Só” nas emissoras antes do lançamento oficial nas plataformas digitais, em uma estratégia que resgata o encontro direto com o público e valoriza a experiência coletiva proporcionada pelo rádio.




