
O caso reacende uma rixa antiga entre os dois políticos; em 2020, durante a campanha eleitoral, Abdala foi condenado na Justiça após acusar o então candidato a prefeito de ser ‘sócio oculto’ de um suposto empreendimento imobiliário de mais de R$ 15 milhões.
Jorge Honorio
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O prefeito de Votuporanga/SP, Jorge Seba (PSD), acompanhado de sua esposa, Rose Seba, convocou uma coletiva de imprensa, na tarde desta segunda-feira (2.fev), no auditório do Hotel Ibis, onde anunciou medidas legais contra o vereador Cabo Renato Abdala (PRD).
Na oportunidade, o chefe do Executivo local, que está afastado do cargo por recomendação médica, afirmou estar agindo em defesa da honra.
O processo, a cargo do escritório paulistano Vilardi & Advogados Associados, surge como resposta ao discurso proferido por Cabo Renato Abdala na 1ª sessão da Câmara, na última segunda-feira (26.jan), onde cita documentos que, supostamente, provam o envolvimento de Jorge Seba com João Carlos Fabo Mansur – um dos investigados na Operação Compliance Zero da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Na tribuna da Casa de Leis, o vereador leu “documentos da Jucespe que indicam a Via House empreendimentos Ltda, CNPJ 20.050958/0001-2, constituída em 09/04/14, pelo prefeito Jorge Seba e seu filho falecido. Ela foi transformada na Nire 35300495713, Via House Empreendimento Sociedade Anônima em 26/09/2016. Ata da sessão, 19/09/17. O capital da sede foi alterado para R$ 15,350 milhões. Os trabalhos foram presididos pelo Sr. João Carlos Falbo Mansur, o investigado, representante da Reag Investimentos, investigado na Operação Carbono Oculto, na Operação Compliance, relacionado ao Banco Master. Investigado por possível lavagem de dinheiro do PCC. Na sequência, aparece aqui na ata, número do documento 424.982/17-1, destituição/renúncia de Jorge Seba, com término do mandato para 31/8/18, ou seja, posterior. Aqui, quem quiser acessar, digita no Google Jucesp, a senha da Nota Fiscal Paulista ou GOV, você pesquisa lá os nomes aqui e ta lá pra todo mundo ver. Não acuso o prefeito de fazer parte do esquema do Banco Master, mas eu afirmo que tem documentos da Jucesp que mostram que o prefeito fez transação comercial com um investigado por lavagem de dinheiro para o PCC, envolvido com esse monte de figurão aí, que vocês estão vendo. E a Justiça cabe a Deus, porque a do homem a gente não acredita mais, porque não sabe quem tá envolvido.”
O discurso, em meio à sessão conturbada por manifestações contra o aumento no valor da conta de água, não gerou resposta dos vereadores da base.
Já nesta segunda-feira, horas antes da 2ª sessão ordinária da Câmara, o prefeito afirmou que estava descumprindo recomendação médica, uma vez que deve passar por um procedimento para colocação de stent, porque se sentiu na obrigação de defender a sua honra, que, segundo ele, está sendo tentada, mais uma vez, por Cabo Renato Abdala. “Em primeiro lugar eu quero dizer que é uma grande inverdade. Estou muito tranquilo quanto a isso, a população pode ficar tranquila, o prefeito que aqui está tem ficha limpa e vai continuar assim. Então, todas essas suposições ou ilações que podem estar sendo veiculadas por esse vereador, elas vão merecer o tratamento de explicações judiciais. Não devo nada…”, afirmou o prefeito.
Em seguida, Jorge Seba relembra um caso envolvendo dois, que resultou em condenação na Justiça, por difamação, em meados de 2020, do hoje vereador Cabo Renato Abdala: “Estamos tratando de alguém que já teve uma condenação na Justiça por ter feito difamações contra minha pessoa. São situações que eu não desejo para ninguém, mas esse vereador insiste em atacar no pessoal. Não encontrou nada, como não vai encontrar, e agora vai ter que provar novamente e não vai conseguir.”
“Em nome da minha honra, do meu passado, venho à público dizer que não tenho nada com isso. Nem sei o que é essa questão do Banco Master. É uma atribuição que agora ele vai ter que provar”, emendou Jorge Seba.
O prefeito lamentou o episódio: “Infelizmente, a gente deveria estar discutindo uma coisa boa para a administração pública. Mas infelizmente ele insiste em levar o caso para o lado pessoal. Na passagem ele lembra o nome do meu filho [José Arthur Seba, o “Thui”], então acho que não precisava. Uma tragédia familiar que a gente viveu, não precisava lembrar isso. Se ele quer me ofender pessoalmente, até me ofenda, se é da índole dele. Se ele quiser levantar falsas testemunhas ou falsas situações, até suporto, mas não da minha família. Todos me conhecem, todos conhecem o meu passado e vão saber que vou entregar essa cidade muito melhor do que nós recebemos”, afirmou Jorge Seba.
O caso envolvendo o filho do chefe do Executivo, trata-se do assassinato a tiros do advogado José Arthur Vanzella Seba, o “Thui”, aos 32 anos, ocorrido na zona norte de São José do Rio Preto/SP, em julho de 2017.
A Justiça condenou o sócio de “Thui”, Cláudio Yuri Baptista, apontado pelo Ministério Público como o mandante do crime, a 21 anos de prisão em regime fechado. Já o peão de rodeio Keyssel Eduardo de Oliveira, contratado para o crime, foi condenado a 27 anos de prisão em regime fechado.
Condenação por difamação
Em 2020, durante o pleito eleitoral, Cabo Renato Abdala foi condenado a cinco meses de detenção por difamação. Na época, ainda sem mandato na Câmara, Abdala publicou um vídeo nas redes sociais onde acusava o então candidato a prefeito, Jorge Seba, de “ser sócio oculto” de um suposto empreendimento imobiliário de mais de R$ 15 milhões.
O caso foi parar na Justiça, que decidiu que a informação era falsa, caracterizando fake news, e Cabo Renato Abdala foi obrigado a excluir a postagem, assim como se retratar publicamente.




