Inverno terá temperaturas acima da média e chuvas dentro do esperado, aponta Inmet 

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Inverno terá temperaturas acima da média e chuvas dentro do esperado, aponta Inmet – Foto: Arquivo/Diário de Votuporanga

A estação mais fria do ano começou neste domingo (21). Apesar da previsão indicar temperaturas médias acima do normal, a passagem de frentes frias associadas a massas de ar polar ainda pode provocar quedas acentuadas nos termômetros ao longo do período.


O inverno começou às 05h24 deste domingo (21.jun) e deve ser mais quente que o normal, com chuva dentro da média na maior parte das regiões do interior de São Paulo, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Conforme o Inmet, o período é tradicionalmente o período mais seco na região Sudeste, cenário que favorece a ocorrência e a propagação de queimadas e incêndios florestais, além de contribuir para o agravamento de doenças respiratórias e outros problemas de saúde.

O principal destaque da estação é a influência do El Niño. A meteorologista Ana Avila explicou que o fenômeno ainda está em fase de desenvolvimento e seus efeitos devem ser sentidos com mais intensidade no fim do inverno e no início da primavera: “A gente pode ter, sim, a influência do El Niño, mas principalmente no final do inverno e começo da primavera, período em que já esperamos temperaturas mais elevadas. Esse é um dos principais impactos do fenômeno na nossa região”, aponta.

De acordo com o Inmet, o El Niño ajuda a transportar mais umidade para o Sul e o Sudeste do país, favorecendo a formação de frentes frias que também podem atingir o sul paulista. Apesar da passagem de massas de ar polar, que provocam quedas de temperatura, o El Niño tende a reduzir a duração dos períodos de frio intenso, tornando mais comuns os veranicos, intervalos de alguns dias com temperaturas mais elevadas durante o inverno.

O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta. 

Embora aconteça no Pacífico, os efeitos acabam se espalhando para diferentes continentes. É por isso que uma mudança na temperatura do mar perto do Peru e do Equador consegue influenciar o clima no Brasil, na Ásia, na África e até na América do Norte. 

Névoa e geadas

Durante o inverno, também é comum a formação de nevoeiros e névoa úmida, principalmente nas primeiras horas da manhã. Esses fenômenos acontecem quando o ar frio fica próximo ao solo e podem reduzir a visibilidade, exigindo atenção redobrada dos motoristas, principalmente nas rodovias.

A especialista aponta que as regiões do interior paulista mais suscetíveis a geadas ou temperaturas baixas são as que ficam próximas a áreas de montanhas, de serra, são as que devem ser mais frias.

Ainda de acordo com a meteorologista, a primeira semana da nova estação deve ser marcada por temperaturas mais baixas, cenário que pode se prolongar até o fim de junho: “Vamos começar o inverno com características bem típicas da estação. Aos poucos, principalmente entre o fim de julho e o início de agosto, o risco de temperaturas muito baixas diminui de forma significativa, e a tendência é de que agosto registre temperaturas mais elevadas”, explica.

Em relação às chuvas, a previsão é de volumes dentro da média para a estação na maior parte do interior paulista, devido à localização geográfica da região: “Nós estamos bem numa área de limite. Ao sul do estado, temos uma chance maior de chuvas acima da média, enquanto mais ao norte, chuvas abaixo da média. A nossa região está bem nesse ‘divisor de águas’. Então, muito provavelmente, teremos uma grande variabilidade com relação às chuvas, alguns dias de chuva, intercalando com os períodos de seca. A expectativa é de um inverno típico para o interior paulista”, detalha.

“Para a precipitação, a previsão indica acumulados de chuva ligeiramente acima da média histórica do trimestre no centro-sul do estado, reflexo da atuação de sistemas frontais e instabilidades sobre a Região Sul que podem alcançar a faixa sul do estado e o litoral paulista”, informou o Inmet.