Haddad afirma que SP é estado ‘mais afetado pelo tarifaço do Trump’ e diz esperar que Tarcísio reavalie apoio aos EUA 

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Pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), durante agenda em Jales/SP — Foto: Reprodução

Durante agenda no noroeste paulista, pré-candidato disse que o governador foi “ingênuo” ao apoiar o governo norte-americano e defendeu o sistema PIX após críticas dos EUA.


O pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (16.jul), em Jales/SP, que o estado é o mais prejudicado pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse esperar que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reavalie o apoio ao governo norte-americano.

Nesta quarta-feira (15), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor em 22 de julho. No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.

Etanol, máquinas agrícolas e papel são itens que aparecem na lista dos sobretaxados. Haddad afirmou que São Paulo concentra parte significativa da produção nacional afetada pelas medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.

“Eu espero que o Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Ele tem que reavaliar e fazer um uma autocrítica de ter sido ingênuo de imaginar que um outro país fosse defender os interesses do nosso país”, afirmou Haddad.

O petista defendeu que os paulistas devem responder de forma unificada às medidas adotadas pelo governo norte-americano: “O estado mais afetado pelo tarifaço do Trump é o estado de São Paulo. Mais uma razão para os paulistas estarem unidos em torno dos interesses nacionais contra essa postura agressiva e indesculpável de um governo que está transformando dois países amigos em países hostis um ao outro, sem cabimento”, enfatiza Haddad.

Durante a entrevista, Haddad também criticou as investigações abertas pelos Estados Unidos envolvendo o sistema de pagamentos PIX e que embasam a ameaça de novas tarifas sobre os produtos.

No caso do PIX, os Estados Unidos afirmam que o Banco Central (BC) favorece o sistema de pagamentos instantâneos em detrimento de empresas privadas do setor financeiro.

Contudo, Haddad sustenta que a tecnologia brasileira atende ao interesse público, é uma infraestrutura aberta à participação de empresas nacionais e estrangeiras que atendam aos requisitos regulatórios, e não deve ser privatizada.

“O que o PIX fere a soberania dos Estados Unidos? Nada. PIX não faz mal nenhum para o governo americano. Por que atacar uma tecnologia gratuita? O PIX é uma ameaça aos interesses privados, mas ele é público. Ele está barateando os custos de transação no Brasil. Não vamos privatizar”, pontua Haddad.

Sequência da agenda no noroeste paulista

Fernando Haddad cumpre agenda no noroeste paulista ao lado de Marina Silva e Simone Tebet nesta quinta (16) e sexta-feira (17), com compromissos em Jales, Fernandópolis, Votuporanga, Catanduva e São José do Rio Preto.

Nesta quinta-feira (16), Haddad participa de um encontro com apoiadores em Jales, visita a Santa Casa de Fernandópolis e participa de um ato político no Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Em Votuporanga, conforme noticiado pelo Diário, se reúne com empresários para discutir a reforma tributária na Associação Comercial de Votuporanga (ACV), visita a Santa Casa e encerra o dia em um encontro com a militância no Sindicato dos Moveleiros, na Rua Aristides Gallo, 5370 – ao lado do Clube dos 40. 

Nesta sexta-feira (17), o petista visita uma fábrica de jamón em Catanduva, participa de um ato político na cidade e se reúne com representantes do setor de suco energético. À tarde, visita o Hospital de Base de São José do Rio Preto e encerra a agenda em um encontro com a militância.