Falta de medicamentos na UTI – Covid da Santa Casa compromete tratamento em Votuporanga

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O neurocirurgião e incentivista Humberto Lucio Barbosa, que já trabalhou na Santa Casa de Votuporanga e atualmente se encontra a serviço da saúde de Uberlândia (MG)

Causou estranheza entre alguns leitores do Diário de Votuporanga que a falta de medicamentos como sedativos e relaxantes muscular tenham feito a Santa Casa de Votuporanga transferir 5 pacientes para o HB de Rio Preto na semana passada; eles questionaram se esses medicamentos não poderiam ser comprados em qualquer farmácia; O Diário foi buscar respostas.

Danilo L. de Camargo –

Na última sexta-feira (5) a Santa Casa de Votuporanga transferiu 5 pacientes portadores de Coronavírus (COVID-19) para o Hospital de Base de São José do Rio Preto, o Hospital local justificou que eles foram direcionados para o HB por falta de sedativos e relaxantes musculares utilizados na intubação dos pacientes, e afirmou em Nota, que a falta deles afetam o Brasil e o mundo.

Diante deste novo fato (falta de medicamentos) o Diário de Votuporanga foi buscar informações sobre o problema com o neurocirurgião e incentivista Humberto Lucio Barbosa, que já trabalhou na Santa Casa de Votuporanga e atualmente se encontra exercendo sua profissão em Uberlândia (MG).

Questionado sobre o problema Humberto afirmou: “Sim! É totalmente verdadeira a afirmação de que estão faltando no mercado mundial relaxantes musculares e anestésicos injetáveis tipo propofol e fentanila e midazolam, porém anestésicos inalatórios não faltam (geralmente usados nas anestesias em cirurgias). Ocorre que nunca antes na história da humanidade tantos pacientes tenham ficado mais tempo entubados, 30/40 dias! Os equipamentos de respiradores de UTI não têm os módulos reservatórios de anestésicos inalatórios, exatamente porque não são para essa finalidade. A falta não é em Votuporanga ou no Brasil, é mundial. E os maiores laboratórios fabricantes ficam onde?! Na China!”, ironizou e concluiu, “Faltam medicamentos até para cirurgias eletivas e também para urgências! Caos total”, denunciou.

 

BRASIL

Faltam medicamentos no país inteiro

Período de internação e demanda de pacientes tem impactado oferta de remédios (Imagem: iStock)

 

Além da dificuldade de ampliar o número de leitos de UTI e respiradores, estados brasileiros enfrentam agora a falta de sedativos e relaxantes musculares usados na intubação de pacientes graves com covid-19, destacou o jornal Estadão na ultima semana. Sem esses remédios, a ventilação mecânica não pode ser feita de forma adequada e o paciente corre maior risco de morrer. Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), todas as secretarias estaduais relataram à entidade ter um ou mais medicamentos dessa classe em falta ou com estoque crítico. Já há investigações abertas em ao menos dois estados (Rio e Amapá) para apurar óbitos de pacientes que não tiveram acesso a essas medicações.

Segundo o Estadão, médicos e gestores dizem que a situação deve-se principalmente à crescente procura por esses medicamentos por causa do alto número de doentes que precisam ser intubados e do período prolongado de internação desses pacientes em UTIs. “É um uso prolongado e geralmente é usada uma combinação de drogas de acordo com a gravidade e o objetivo. Todos ficaram falando do risco de colapso por falta de leito, mas agora temos o risco da falta desses medicamentos essenciais para a sobrevivência do paciente”, destaca Ederlon Rezende, membro do conselho consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Com a alta inesperada na demanda, dificuldade de importação de matérias primas e alta do dólar, o mercado nacional não estaria conseguindo suprir a procura, dizem gestores. Secretarias da Saúde consultadas pelo Estadão informaram alta de mais de 700% na utilização desses medicamentos desde o início da pandemia. Em Alagoas, o número de doses utilizadas do relaxante muscular rocurônio subiu 787%. No Rio Grande do Norte, o aumento na utilização de anestésicos e betabloqueadores foi de 200%. No Pará, a alta foi de 100%.

MUNDO

Falta de remédios obriga França a autorizar uso de anestésico de cavalos

Medicamento com base em propofol será utilizado em pacientes humanos com doenças graves

Anestesia: medicamento à base de propofol utilizado em cavalos será usado em pacientes humanos (ChaNaWiT/Getty Images)

 

A falta de medicamentos na França fez o governo autorizar o uso de um anestésico utilizado em cavalos para tratar pacientes de doenças graves e que estão internados em UTIs dos hospitais do país.

Com base em propofol, a medicação pode substituir os anestésicos comuns que estão em falta por conta da crise do novo coronavírus. Segundo a Agência Nacional de Segurança de Medicamentos (ANSM), os estoques franceses estão muito baixos e o consumo de medicamentos como c

A decisão de utilizar um medicamento veterinário não foi por acaso e já estava prevista pelo Estado de Emergência Sanitária imposto pela França para combater a pandemia da covid-19. “Esta é apenas uma peça suplementar que irá contribuir para atender o número importante de pacientes em reanimação”, explicou a ANSM.

Nota Oficial Santa Casa de Votuporanga

Em nota, a Santa Casa de Misericórdia de Votuporanga informou na tarde de ontem que o estoque dos medicamentos relaxante muscular e sedativos está crítico e que, 6 das 10 UTIs Covid, estão  vazias, leia a Nota:

“A Santa Casa de Votuporanga informa que o estoque de sedativos e principalmente de relaxantes musculares ainda está crítico. A Instituição continua em contato com os fornecedores para negociação, entretanto não há previsão de entrega, pois os medicamentos estão em falta em todo o Brasil. Atualmente, o Hospital está com 6 leitos disponíveis na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) específica para atendimentos da COVID-19.”