
Com sucessos que atravessam gerações, banda abriu o Fliv 2026 diante de milhares de pessoas durante as comemorações dos 89 anos de Votuporanga.
@caroline_leidiane
O Parque da Cultura foi tomado pelo forró na noite deste sábado, 8 de agosto, quando Votuporanga completou 89 anos de fundação. Milhares de pessoas acompanharam o show da Falamansa, atração responsável por abrir a programação da 16ª edição do Festival Literário de Votuporanga (Fliv).
Em turnê comemorativa pelos 27 anos de carreira, a banda, composta por Tato (voz e violão), Valdir (acordeão), Dezinho (percussão e vocal de apoio) e Alemão (zabumba e vocal de apoio), apresentou sucessos que marcaram sua trajetória e colocou a plateia para dançar.
Diferentes gerações acompanharam o repertório, que teve início com “Xote da Alegria” e transformou o ambiente em uma grande pista de “dois pra lá dois pra cá”.
Formada no fim dos anos 1990, a Falamansa surgiu em um período de expansão do chamado forró universitário e ajudou a aproximar o gênero de um público que até então tinha pouco contato com essa vertente da música brasileira.
Para Tato, a permanência desse movimento está relacionada a um processo cultural que envolveu diferentes artistas, produtores e públicos.
“Eu acredito que um movimento cultural está sempre se renovando. É importante dizer que foi um movimento não só de uma banda, mas sim de produtores, de jovens, entusiastas da cultura brasileira. E isso ajuda muito a propagar. E acredito também que manter isso durante três décadas tem muito a ver com a nossa busca por não sair do nosso propósito”, afirmou.
Segundo ele, a identidade construída pela banda desde os primeiros trabalhos passa tanto pela sonoridade quanto pelas mensagens presentes nas canções.
“Acho que o propósito da Falamansa desde o início sempre foi muito evidente, não só na musicalidade, de manter sempre zabumba, triângulo e sanfona presentes, mas também na mensagem, falando sempre de alegria, de fé, de amor, de consciência coletiva, tudo que faz bem para as pessoas sempre saiu da nossa música”, disse.

Tradição sem deixar de olhar para o presente
Desde o surgimento do gênero, em meados da década de 1930, o forró incorporou novas influências e alcançou diferentes públicos, mudanças acompanhadas pela Falamansa sem abrir mão dos elementos que caracterizam sua sonoridade.
A banda concilia a tradição do estilo com novas referências, buscando manter sua identidade sem deixar de dialogar com o presente.
“Eu acredito que a Falamansa também tem um papel de sempre fazer a leitura das gerações, do presente, quando vai fazer um álbum, até porque o nosso intuito é fazer com que as novas gerações conheçam o nosso trabalho, mas sempre com a fidelidade e o respeito que a gente precisa ter com o que a gente já criou até aqui”, explicou.
Cada álbum, segundo o vocalista, procura traduzir esse equilíbrio entre a identidade construída pelo grupo e as transformações na música.
“Acho que todo disco da Falamansa, se você analisar, ele tem muito do presente. Tem a nossa musicalidade, mas também tem uma leitura do que está se ouvindo no momento”, disse.
A estratégia também influencia a chegada de novos públicos ao gênero, com a Falamansa servindo como primeiro contato para quem ainda não conhece seus principais representantes.
“Nossa banda é uma porta de entrada do forró para as pessoas que não conhecem. E é isso que a gente quer ser mesmo. A gente quer fazer com que as pessoas cheguem até a Falamansa, mas não parem aí e passem para artistas mais antigos, conheçam os grandes mestres”, enfatizou.
Canções que chegam a novas gerações
A presença do repertório da Falamansa entre crianças e adolescentes é, de acordo com Tato, um dos sinais dessa continuidade. Ele cita desde festas juninas e apresentações escolares até o contato de famílias com as músicas da banda.
“Então, hoje, a gente tem a alegria de ver os festejos juninos, festas de escola infantil, por exemplo, tocando Falamansa junto com o Luiz Gonzaga, com o Lamartine Babo, que são já parte do nosso folclore, da nossa tradição nacional”, contou.
O cantor observa que esse contato começa cada vez mais cedo. “Isso tem acontecido com as crianças, os adolescentes, agora mais recentemente com os bebês. Tem gente ninando criança com ‘Xote da Alegria’, falando que a criança dorme”, relatou.
Com quase três décadas de estrada, o repertório deixou de pertencer apenas à trajetória da banda e passou a fazer parte da memória musical do público intergeracional.
“O fato de acreditarmos muito no nosso propósito fez com que a gente se mantivesse tanto tempo assim na estrada e, principalmente, criasse essa identidade tão grande que a Falamansa tem, não só unida ao forró, mas às letras positivas também. Então, é um papel que eu diria que é mais importante até do que o nosso gosto particular”, finalizou.




