Exposição na Unifev resgata memória da Estrada de Ferro Araraquara 

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A professora doutora Janaina Andréa Cucato idealizou a pesquisa que analisou o trecho entre São Carlos e Santa Fé do Sul, investigando a relação entre a ferrovia e a formação dos núcleos urbanos - Foto: assessoria de comunicação Unifev

Mostra reúne pesquisa idealizada pela Profa. Dra. Janaina Andréa Cucato, desenvolvida em duas etapas com a participação de alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo.


@caroline_leidiane

A Unifev recebe, até o dia 24 de abril, a exposição “Espaços Dormentes – um olhar sobre o processo de ressignificação da Estrada de Ferro Araraquara”, instalada no espaço de convivência da Biblioteca do Câmpus Centro.

Aberta ao público, a mostra apresenta o resultado de uma investigação que mobilizou docente e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo em um trabalho de campo que percorreu cerca de 450 quilômetros ao longo do traçado ferroviário.

Aberta ao público, a Exposição ‘Espaços Dormentes – um olhar sobre o processo de ressignificação da Estrada de Ferro Araraquara’ apresenta o resultado de uma investigação que mobilizou docente e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo em um trabalho de campo que percorreu cerca de 450 quilômetros ao longo do traçado ferroviário – Foto: assessoria de comunicação Unifev

Idealizada pela professora doutora Janaina Andréa Cucato, a pesquisa analisou o trecho entre São Carlos e Santa Fé do Sul, com foco na relação entre a ferrovia e o surgimento dos núcleos urbanos. A equipe percorreu estradas de terra e seguiu o percurso original dos trilhos para documentar o estado atual das estações e compreender como o transporte ferroviário influenciou o desenvolvimento de cidades do interior paulista.

A iniciativa contou com apoio da Fundação Pró-Memória de São Carlos (FPMSC), responsável pela organização e financiamento da exposição, e suporte institucional do Núcleo de Cultura e Artes (NCA) da Unifev.

Aberta ao público, a Exposição ‘Espaços Dormentes – um olhar sobre o processo de ressignificação da Estrada de Ferro Araraquara’ apresenta o resultado de uma investigação que mobilizou docente e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo em um trabalho de campo que percorreu cerca de 450 quilômetros ao longo do traçado ferroviário – Foto: assessoria de comunicação Unifev

Segundo a coordenadora do núcleo, professora mestre Silvia Brandão Cuenca Stipp, a proposta amplia o alcance da pesquisa acadêmica ao aproximá-la do público. 

“A mostra traz uma memória que, muitas vezes, passa despercebida no cotidiano, que é o desenvolvimento do interior paulista em torno da ferrovia. Quando a pesquisa sai do ambiente acadêmico e chega ao público, ela se torna mais próxima e mais concreta”, afirmou.

Aberta ao público, a Exposição ‘Espaços Dormentes – um olhar sobre o processo de ressignificação da Estrada de Ferro Araraquara’ apresenta o resultado de uma investigação que mobilizou docente e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo em um trabalho de campo que percorreu cerca de 450 quilômetros ao longo do traçado ferroviário – Foto: assessoria de comunicação Unifev

Pesquisa de campo e memória afetiva

Desenvolvido ao longo de aproximadamente cinco anos, o projeto teve início no final de 2017 e enfrentou desafios logísticos, especialmente durante a pandemia, quando parte do trabalho foi realizada de forma remota, com mapeamento das estações por imagens de satélite.

As expedições presenciais, no entanto, foram fundamentais para localizar estruturas não identificadas digitalmente e registrar áreas isoladas pelo tempo e pela vegetação.

As jornadas começavam ao amanhecer e se estendiam até a noite, estratégia adotada para otimizar custos. Em alguns trechos, o uso de drones foi necessário para captar imagens aéreas de antigas subestações ferroviárias. A pesquisa foi dividida em duas etapas e envolveu diferentes grupos de estudantes ao longo dos anos.

Na primeira fase, o projeto contou com a participação dos então alunos — hoje egressos — Bruna Patrícia Cicareli, Gabriela Innocêncio Martins, Luiz Augusto Miraveti Simões, Pedro Henrique Fioroti de Sá e Wellington Antônio da Silva Fileto. Já na segunda, a pesquisa teve continuidade com Gabriela Teodoro Coelho, Leonardo Henrique Pavão, Raiane Camila da Silva e Samuel Araújo Fanelli.

Aberta ao público, a Exposição ‘Espaços Dormentes – um olhar sobre o processo de ressignificação da Estrada de Ferro Araraquara’ apresenta o resultado de uma investigação que mobilizou docente e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo em um trabalho de campo que percorreu cerca de 450 quilômetros ao longo do traçado ferroviário – Foto: assessoria de comunicação Unifev

Para Janaina, o contato direto com a memória dos habitantes das regiões percorridas revelou uma dimensão que ultrapassa a análise técnica: “Nosso foco era entender quem nasceu primeiro, a linha de ferro ou o núcleo urbano. Ao longo do caminho, percebemos que estávamos lidando com algo sensível; fomos recebidos por moradores que se emocionavam ao recordar histórias de suas famílias ligadas à ferrovia”, destacou.

O levantamento identificou desde estações em ruínas até trechos em que a antiga linha segue paralela a rodovias, evidenciando a permanência desse traçado na configuração da paisagem.

“Ver essa pesquisa sair do ambiente acadêmico e chegar ao público é dar voz a essa memória que estava adormecida”, pontua a idealizadora.

A exposição permanece no Câmpus Centro da Unifev até o dia 17 de abril. De 22 a 24, será transferida para a Biblioteca da Cidade Universitária. A visitação é gratuita e ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 21h50.

Após a temporada em Votuporanga, a mostra seguirá em itinerância para Fernandópolis e São José do Rio Preto, onde será apresentada em formato digital durante uma conferência regional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).

Exposição Espaços Dormentes – um olhar sobre o processo de ressignificação da Estrada de Ferro Araraquara”

  • Data: até 17/04, na Biblioteca do Câmpus Centro (Rua Pernambuco, nº 4196); de 22 a 24/04, na Biblioteca da Cidade Universitária (av. Nasser Marão, nº 3069).
  • Horário: 7h30 às 21h50
  • Entrada gratuita