Doria anuncia abertura de mais 338 leitos para Covid até final de março; demanda é acima de 400 novos por dia

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Serão 167 leitos de UTI e 171 de enfermaria em hospitais estaduais, municipais e filantrópicos do estado. Governo admitiu não ter ‘fôlego’ para suprir necessidade atual. Até esta terça-feira (9), ao menos 30 pessoas com coronavírus morreram na fila à espera de vaga em UTI.


O Governador João Doria anunciou nesta quarta-feira (10) a implantação de mais 338 leitos no decorrer de março para atender casos graves de COVID-19 em diferentes regiões do Estado. O número, entretanto, representa um valor abaixo do que o sistema de saúde, nas redes públicas e privadas, recebeu de novas demandas nos últimos dias. Segundo o secretário estadual da Saúde, apenas a criação de novos leitos não é suficiente para conter o avanço da pandemia no estado. 

Desde 27 de fevereiro o total de pacientes internados bateu recordes todos os dias e, nesta terça-feira (9), chegou a 20,3 mil pessoas, entre pacientes internados em enfermaria e em UTIs. Em 27 de fevereiro, eram 15.517 pacientes nesta situação em São Paulo. 

Este aumento significa que, em 11 dias, foram 4.797 leitos ocupados a mais, o que corresponde a uma demanda de 436 leitos extras por dia em todo o estado, considerando hospitais públicos e privados, neste período. 

Situação crítica reflete também Votuporanga, quando em 28 de fevereiro a Santa Casa registrou uma taxa de ocupação de 105%. Apesar dos esforços do centro médico local, que também é referência para outras 16 cidades, continua sem vagas de UTI-COVID. 

Durante a coletiva, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que a criação de leitos exige uma complexa estrutura hospitalar e admitiu que o estado não tem condições de suprir a atual demanda, principalmente para casos mais graves. 

A necessidade de liberação de leitos, principalmente de UTI, passou a ser imediata, uma vez que diversas cidades já registram colapso no sistema de saúde. 

Um levantamento feito por um consórcio de imprensa nesta terça mostrou que ao menos 30 pacientes com Covid-19 morreram na fila de espera por leitos de UTI no estado de São Paulo nestes primeiros nove dias de março. 

As mortes de pacientes que aguardavam liberação de leitos intensivos ocorreram em cidades localizadas na Grande São Paulo e no interior do estado. 

Restrições ainda mais rígidas

Desde o último sábado (6), todo o estado está na fase vermelha, a mais restritiva pelo Plano SP – Votuporanga também possui regramento próprio após um decreto do prefeito Jorge Seba (PSDB). Contudo, a previsão era de que fossem anunciadas medidas restritivas mais rígidas nesta quarta. 

Entretanto, a gestão de João Doria disse que ainda estuda mudanças e avalia tanto a decisão da Justiça de proibir a convocação de professores para trabalhar presencialmente quanto a recomendação para fechar escolas e templos religiosos. 

Ainda na terça-feira, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Luiz Sarrubbo, havia recomendado ao governador João Doria (PSDB) que suspenda a realização de cultos, missas e outras atividades religiosas coletivas, além de todos os eventos esportivos, como jogos de futebol.