Evento ‘Um Momento de Pausa’, promovido pela Apae de Votuporanga, no último sábado, integrou as ações do mês de conscientização sobre o autismo e ofereceu às mães de pessoas atípicas uma manhã dedicada ao cuidado de si, com atividades simultâneas para os atendidos.
@caroline_leidiane
Em um gesto de escuta sensível e reconhecimento à rotina intensa de mulheres que exercem o cuidado em tempo integral, a Apae de Votuporanga promoveu, no último dia 11, o evento “Um Momento de Pausa”, dedicado às mães de alunos com transtorno do espectro autista (TEA) atendidos pela instituição.

A iniciativa integrou a programação do mês de conscientização sobre o autismo e propôs um deslocamento simbólico e concreto: sair, ainda que por algumas horas, do lugar de quem cuida para experimentar o cuidado voltado a si.

Realizado na sede da entidade, o encontro foi estruturado como uma manhã de acolhimento, em que cada detalhe buscou produzir uma experiência de desaceleração e reconexão.

Logo na recepção, as participantes foram recebidas com um café da manhã preparado com delicadeza e afeto — gesto inaugural de uma proposta que atravessou todo o evento: oferecer tempo, escuta e presença.

A condução das atividades ficou a cargo de Tatiane Amaral, especialista em aromaterapia e responsável por guiar uma sessão na sala multissensorial de Snoezelen.

O ambiente, conhecido por estimular os sentidos de forma controlada e terapêutica, foi cenário para práticas voltadas à autorregulação emocional, promovendo relaxamento e um estado de atenção ao próprio corpo — frequentemente relegado a segundo plano na rotina dessas mulheres.

Enquanto as mães participavam da experiência sensorial, os filhos foram integrados em uma oficina de jogos e atividades lúdicas, conduzida pela equipe da instituição. A proposta garantiu a tranquilidade necessária para que as participantes pudessem se dedicar integralmente ao momento, sem as responsabilidades constantes que marcam o cotidiano.

A ação evidencia uma compreensão ampliada do cuidado, que não se limita ao atendimento direto às pessoas atípicas, mas se estende às redes afetivas que as sustentam.

Ao reconhecer o desgaste físico e emocional que perpassa a experiência dessas mães, a Apae de Votuporanga investe em práticas que fortalecem não apenas o indivíduo, mas o coletivo — produzindo espaços onde o acolhimento se materializa em experiência concreta.

Concebido como um ambiente de cuidado pessoal, o encontro se configurou como um gesto de valorização dessas mulheres, cuja dedicação sustenta trajetórias inteiras.

Ao final da manhã, o que se percebia não era apenas relaxamento, mas uma atmosfera de pertencimento — como se, por algumas horas, fosse possível redistribuir a demanda do cuidado e permitir que ele também retornasse a quem, diariamente, o oferece.









