Covid: Sem vacina, professores entram em greve contra à volta das aulas presenciais no Estado

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Decisão foi tomada durante assembleia realizada na sexta-feira (5), com apoio de 81,8% dos professores consultados. Na área da diretoria regional de Votuporanga, nenhuma das 29 escolas foram afetadas.


Contra a volta das aulas presencias, o sindicato dos professores da rede estadual paulista começou uma greve nesta segunda-feira (8). De acordo com a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), a decisão foi tomada durante a assembleia realizada na sexta-feira (5), quando 81,8% dos professores consultados se manifestaram contra a decisão de reabrir as escolas estaduais. 

Segundo o sindicato, as unidades não têm condições sanitárias de receber os estudantes. Também foram constatados casos de funcionários e professores contaminados pelo novo coronavírus. A Apeoesp fez um levantamento que apontou 147 casos de Covid-19 em escolas que tiveram algum tipo de atividade presencial. 

Ao Diário de Votuporanga, Luzelena Feitosa Vieira, diretora estadual do sindicato, explicou: “Tem escolas que estão voltando, mas em muitas unidades principalmente na capital paulista e grande São Paulo que já aderiram à greve. Não é o momento de voltar ao atendimento massivo, presencial, nós não tomamos vacina. O aluno não tem a exata noção do distanciamento social, inclusive vão estar com muita saudade uns dos outros, o que é compreensível, mas caberá ao professor se envolver para separar e pode haver contágio”. 

Luzelena ainda falou sobre os riscos enfrentado pelos profissionais da educação: “Ontem (domingo), perdemos duas professoras, morrendo uma em Araraquara e outra em Limeira, salvo engano; outro ponto importante de salientar, é que estamos registrando casos de professores contaminados pelo simples fato de reunir para discutir o planejamento, que foi um dia. Tem professores que trabalham em mais de uma escola, já imaginou, supondo que eu dou aula em uma unidade e estou com Covid, ao ir até a outra posso disseminar o vírus. É muito grave, é muito triste essa situação”. 

A representante da categoria aproveitou para apontar que irão procurar os prefeitos dos municípios para pedir um adiamento no retorno das aulas presenciais nas redes municipais de ensino e particulares, e afirmou: “Ninguém é contra dar aulas, trabalhar, nós amamos o que fazemos, mas somos a favor da vida. Tivemos que nos reinventar no início da pandemia, ninguém estava pronto para esse universo tecnológico, mas corremos atrás e aprendemos, nos adequamos, fomos à luta. Agora que já existe vacinas temos esperança, só pedimos segurança para trabalhar sem o risco iminente de perder a própria vida”.  

Por telefone, o Dirigente Regional de Ensino de Votuporanga/SP, José Aparecido Duran Netto, afirmou “que todas as 29 escolas da área de abrangência estão em atendimento e que até o momento não houve registro de adesão ao movimento”. 

Governo defende retorno de aulas presenciais

Em entrevista, o secretário Estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, defendeu o retorno presencial das aulas, mesmo com a pandemia de Covid-19. 

“Não dá para o receio nos impedir. Nesse momento, isso precisa servir para nos deixar alertas e cumprir todos os protocolos. Dessa forma, não vão ter casos de infecção nas escolas”, disse Soares. 

O secretário também ressaltou que será dada falta aos professores que aderirem à greve. Ele afirmou que acredita que boa parte dos educadores esteja pronta para a retomada do ensino presencial. “Tenho certeza de que a maioria deles estará nas escolas, prontos para receberem os nossos estudantes.” 

Na rede estadual, a presença não é obrigatória e se limita a até 35% dos alunos diariamente, independentemente da fase do Plano SP.