“Contradições” e palavra da vítima: delegado explica por que indiciou Rafael Ramos por injúria racial 

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Edenilson, do Inter, diz ter sofrido injúria racial de Rafael Ramos, do Corinthians — Foto: Silvio Avila/Getty Images

Inquérito policial sobre o caso foi enviado ao Ministério Público gaúcho para análise.


Responsável pelo inquérito policial que investigou a acusação de injúria racial do volante Edenilson contra o lateral Rafael Ramos, o delegado Roberto Sahagoff explicou por que decidiu indiciar o jogador do Corinthians.

Segundo o titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Alegre, há “contradições” nos depoimentos do português e nos laudos periciais apresentados pela defesa dele. A palavra da vítima, no caso Edenilson, também teve peso importante na decisão.

O inquérito foi enviado na segunda-feira (13.jun) ao Ministério Público gaúcho, que vai decidir se ingressa com ação na Justiça, pede mais investigações ou arquiva o caso. Rafael Ramos nega ter cometido injúria racial. 

Chegamos à conclusão de que havia indícios suficientes da prática do crime de injúria racial. Foram juntados quatro laudos periciais, dois pela defesa do jogador. Dois laudos contraditórios esses apresentados por ele. Um deles em total desacordo com o que o próprio jogador Rafael falou no depoimento no dia do jogo. Um do IGP (Instituto-Geral de Perícias), que foi inconclusivo, e um quarto apresentado pelo advogado do jogador Edenilson”, disse o delegado. 

“Tendo em vista as contradições dos depoimentos do Rafael, com o próprio depoimento do Rafael, que, inclusive, fez um outro depoimento no tribunal desportivo diferente. Em vista dessas contradições, e a palavra da vítima, que segundo a própria jurisprudência do nosso tribunal, se reveste de um valor probatório relevante, principalmente nesses casos de injúria, diante de todos esses indicativos entendemos que havia indícios suficientes da autoria de um crime de injúria racial”, concluiu. 

Relembre o caso 

Em 14 de maio, durante o empate do Inter em 2 a 2 com o Corinthians, Edenilson acusou o jogador do Timão de chamá-lo de “macaco” durante uma disputa de bola na linha lateral. O volante do Inter prestou queixa ainda no estádio. Rafael Ramos foi detido em flagrante pela polícia por injúria racial e liberado após pagar fiança de R$ 10 mil. 

No dia 8 de maio, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul concluiu a perícia solicitada pela polícia sobre o caso. O documento diz que não foi possível identificar o que Rafael Ramos disse a Edenilson nas imagens do jogo que foram analisadas. 

O resultado da perícia irritou Edenilson. No mesmo dia da divulgação, o capitão colorado mudou o nome em sua conta do Instagram para “Macaco”, apagou as publicações no perfil e desabafou na rede social: “Não iriam nos calar? Já nos calaram. Se ofendidos aceitem, engulam a seco. Finjam que não escutaram, é uma luta desleal, é uma luta inconclusiva”, escreveu. 

O caso também está sendo investigado na esfera esportiva. Em datas diferentes, Edenilson e Rafael Ramos prestaram depoimentos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e mantiveram as versões apresentadas anteriormente. 

O auditor-relator do caso, Paulo Feuz, disse que o inquérito deve ser concluído em cerca de 30 dias. O STJD também vai solicitar uma perícia do tribunal para a produção de provas e descarta uma acareação (confronto de versões) entre os dois jogadores.

*Com informações do ge