‘Chororô grande’: ministro se coloca contra a compensação a empresas por fim da escala 6×1 

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho - Foto/Lucyenne Landim/O Tempo Brasília

Segundo Luiz Marinho, o governo pode até discutir algum benefício às empresas, mas só após a implementação da nova jornada.


O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, criticou nesta segunda-feira (27.abr) a possibilidade de compensação a empresas pela implementação do fim da escala 6×1.

“A posição do governo é muito clara em relação a isso. Não cabe compensação nesse tipo de benefício para o conjunto da economia, sociedade, empresas e trabalhadores. Historicamente, as empresas vêm com um chororô muito grande, que é além da realidade”, afirmou o ministro.

A jornalistas, Marinho admitiu que a mudança de jornada trará impactos financeiros, mas frisou que as empresas serão beneficiadas em outras frentes, como na diminuição de faltas de trabalhadores e na facilidade de contratação.

“Tem impacto financeiro, sim. Mas ele é compensado por outro impacto à empresa. Um exemplo é uma empresa que tinha 24 faltas diárias na escala 6 por 1. Aderiu à escala 5 por 2, mas sem reduzir para 40 horas semanais, com 44 horas semanais, zerou as faltas de áreas e preencheu as vagas que não conseguia preencher com a escala 6 por 1. E estão felizes da vida”, declarou.

Em outra frente, Marinho admitiu a possibilidade de discutir algum tipo de benefício às empresas, mas considerou que o debate deve ser futuro, após a implementação da jornada.

“O nosso governo é de muita escuta. Se algum nicho de empresas perceber que tem esse tipo de problema, nós vamos escutar. Mas não é agora, no bojo da redução da jornada, sem redução de salário, que se discute compensação. Você precisa pegar as especificidades de cada microsetor para observar. Se tiver impacto, seguramente nós vamos olhar, mas não seria agora”, concluiu.

Desoneração da folha

As ponderações ligadas à redução de jornada têm sido levantadas por oposicionistas, que apontam impacto financeiro às empresas e defendem uma compensação fiscal para garantir duas folgas semanais aos colaboradores.

Uma possibilidade indicada por parlamentares que discutem o fim da escala 6×1 é a retomada da desoneração da folha de pagamento a setores ou a redução de impostos que incidem sobre o setor produtivo.

*Com informações do R7