Por Gustavo Rapassi
Esta semana estou comemorando meu aniversário e minha quadragésima sétima volta em torno do sol. Estava refletindo e me perguntei o que eu poderia fazer para melhorar o mundo?
E logo vem o pensamento divergente me dizendo: “nada né, obvio”.
Mas recordando sobre esse tempo que já vivi, enorme para mim e minúsculo para a terra que habito, entendi que o meu mundo é o lugar onde eu vivo.
Esta semana também é aniversário de Votuporanga, cidade onde moro e sempre vivi e nela pretendo continuar morando, então por isso desejo que ela fique cada vez melhor. Sendo assim a pergunta que devo fazer é: O que posso fazer para melhorar ainda mais esta cidade? Que é meu mundo?
Pensando em tudo que posso fazer e entre tantas lembranças desde de minha infância, me veio em mente a minha primeira vernissage em Votuporanga. Foi a exposição que me lancei, com apoio da minha família, para fazer profissionalmente o que eu já fazia desde criança.
E neste vernissage estava exposto o resultado dos meus estudos e aprendizados em 70 obras com seis técnicas diferentes, desenhos e pinturas com grafite, giz pastel e aquarela, pinturas com tintas a óleo e acrílicas e trabalhos de modelagens com papel machê.
Cada técnica dessas tem histórias diferentes para contar sobre as minhas descobertas e realizações com elas. Mas isso fica para outro texto.
Percebi então que foi a primeira contribuição que dei para a minha cidade e para o mundo em que vivo. Essa exposição foi um evento importante para mim e acredito que também foi importante para a cidade, porque concentramos ali pessoas apaixonadas por arte e cultura, num encontro que rendeu boas histórias.
E você pode ver cenas desta exposição gravadas há 29 anos que acabei de postar no meu canal do YouTube. É simples e gratuito, basta digitar meu nome no YouTube e você vai ver um vídeo com cenas da época desta exposição.
É muito interessante ver as pessoas naquela época, rever amigos, familiares e até alguns que “já se foram”. Parece que faz pouco tempo, mas há trinta anos nem imaginávamos toda essa mudança social e tecnológica que estamos vivendo hoje.
De lá para cá nessa minha caminha de produção artística, tanto dos produtos que produzo no ateliê, quanto na organização de eventos, como palestras, shows musicais de estilos variados, exposições de arte e a maioria gratuitos ao público, só tenho a agradecer a essa cidade e a convivência com pessoas que gostam de arte e cultura.
Por isso procuro retribuir espalhando cores e arte nesta cidade, onde faço meu trabalho ser um ponto referência e de prosperidade para mim e para quem aprecia arte.
Depois de participar de grupos e associações e até de realizar eventos de arte ao ar livre, junto com alguns amigos queridos que sou grato, tomamos a iniciativa de abrir um ponto de comercialização aberto para todo tipo de artista e artesão.
Um ateliê que procura atender uma demanda de mercado para quem não tinha espaço adequado e permanente para expor. É ali que eu procuro fazer a diferença e mostrar que a união de pessoas bem-intencionadas pode sim melhorar o meio em que vivemos.
E o ateliê é aberto para todo artista sem prevalecer grupinhos ou panelinhas sociais. Sem cobranças de taxas para permitir que mesmo quem não tem renda possa participar. É para todos que gostam e praticam arte.
Também não estou falando que foi simples e fácil essa jornada, nem tudo são flores, tem sempre as pessoas que vivem para atrapalhar e mau dizer o trabalho que prospera e fazer de tudo para que sua ideia não dê certo. Mas aprendi que essas pessoas são atores que estão em nossa vida para que possamos ter argumentos e crescer.
Há quem prefira reclamar, eu prefiro perguntar o que eu posso fazer para melhorar ainda mais o meio em que vivo?
E depois de tudo isso montado, estruturado e funcionando, esse monstro da pandemia ameaçar e aterrorizar a existência de todos nós. Quem vive de um pequeno comércio sabe o quanto a economia é sensível e que não dá para ficar tranquilo, porque as contas para pagar não vão dar trégua.
Mas graças aos apoiadores de nossa causa e a toda equipe estamos caminhando e quem quiser vir junto nessa caminhada é sempre bem-vindo, afinal nesse mundo sempre vai ter muito o que se fazer para melhorar. E sem dúvida é gratificante considerando o desafio e os benefícios.
Essas são minhas contribuições para a cidade onde eu moro, levar a arte e a prosperidade para quem quer trabalhar e estar envolvido com cores e formas. Só tenho a agradecer, obrigado e parabéns Votuporanga essa cidade de nome indígena, que sempre acolheu as nossas manifestações artísticas.
Hoje comemoro tudo o que foi feito, com os erros e acertos e convoco você a fazer também por sua cidade, contribuindo com o que você tem de mais especial e por mais simples que possa parecer, pode ter certeza que você fará diferença na vida de alguém.
Você está transmitindo sua mensagem? Você já faz a diferença em seu meio? Se você já faz, parabéns, continue colocando sua sementinha. Mesmo que você não veja os frutos de imediato, eles estão germinando em algum lugar.
O mundo precisa do seu trabalho e suas ideias.
* Gustavo Rapassi é artista plástico, autor de um método terapêutico utilizado por pessoas comuns para produzir pintura artística, de forma simples e prática, que vai do zero ao acabamento. Acompanhe-o na página do Facebook, no Instagram e no canal no YouTube.