
Montagem da companhia rio-pretense Cênica, em parceria com o dramaturgo e diretor Pedro Kosovski, marca o início da programação gratuita nesta quinta-feira (23), com oficina no IFSP, às 14h, e apresentação às 19h30 no Centro de Convenções, com acessibilidade em Libra.
@caroline_leidiane
Começa nesta quinta-feira (23), em Votuporanga, a 4ª Mostra de Cenas Curtas – No Foco, com programação gratuita voltada às artes cênicas. A abertura é conduzida pela montagem “Boi Material”, da companhia rio-pretense Cênica em parceria dramaturgo e diretor Pedro Kosovski.
Às 14h, no anfiteatro do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – Câmpus Votuporanga, a atriz Beta Cunha conduz a oficina “Boi Material – reflexões e práticas sobre a potência da coletividade”.
A atividade é direcionada a artistas, grupos, estudantes de teatro e interessados a partir de 16 anos, com compartilhamento de procedimentos desenvolvidos no processo criativo do espetáculo. As inscrições devem ser feitas pelo formulário: https://forms.gle/ZMPCKPyXbRRtd5CC7.

À noite, às 19h30, “Boi Material” será apresentado no Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”, com duração de 90 minutos e acessibilidade em Libras.
Após a sessão, o público participa do bate-papo “Sobre mundos possíveis”, com a equipe artística, em um diálogo sobre o espetáculo, a temática e o processo de criação.
Sinopse
Ambientado em uma feira de exposição, “Boi Material” acompanha um grupo de artistas contratado para entreter o público que, ao longo da ação, passa a reconhecer-se como parte de um sistema de poder que atravessa as relações sociais e impacta diretamente as existências do planeta.
A cena se desenvolve em meio a um leilão de gado, elemento que dialoga com a iconografia do boi na história da pintura brasileira. A partir desse contexto, os performers alternam funções e posições, ora assumindo o papel de agentes desse sistema, ora tensionando suas estruturas.
A dramaturgia, não linear, é construída a partir de imagens, ações físicas e camadas simbólicas que articulam o boi como figura dual: ao mesmo tempo associado a uma lógica patriarcal, exploratória e autoritária, e a uma potência coletiva presente na cultura popular e nas formas de resistência.
“A figura do boi também cria um horizonte de visibilidade e debate sobre o lugar dos artistas no interior, também inscrito nessas ambivalências. A distância dos grandes centros de cultura os aparta sob alguns aspectos, especialmente pela manutenção de estereótipos que fazem subestimar suas potencialidades. Contudo, ajuntamentos artísticos interioranos seguem resistindo e desorganizando tais estereótipos por meio da sua arte, de seus modos de produção e da criação e fortalecimento de redes de articulação e afeto”, considera a equipe artística de forma conjunta.
O elenco reúne Andrea Capelli, Beta Cunha, Christina Martins, Deivison Miranda, Fabiano Amigucci, Geovanna Leite, Glauco Garcia, Mayk Ricardo, Simone Moerdaui e Vanessa Palmieri. A direção musical é de Felipe Storino, com direção vocal de Everton Gennari e direção de movimento de Mayk Ricardo.
Parceria artística e trajetória
“Boi Material” marca a segunda colaboração entre a Cênica e Pedro Kosovski. O primeiro encontro ocorreu em 2019, durante o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, quando o diretor conduziu a leitura dramática de “J’ai bien fait? (Fiz bem?)”, da dramaturga francesa Pauline Sales, traduzida por ele.
A partir dessa experiência, surgiu o interesse em aprofundar a parceria. De um lado, a Cênica seguia suas investigações sobre o “sertão” como campo simbólico; de outro, Kosovski direcionava sua pesquisa ao “interior” como espaço de criação. Foi dessa convergência que nasceu “Boi Material”.
Kosovski é dramaturgo, diretor e professor de artes cênicas da PUC-Rio e do Teatro O Tablado, além de fundador da Aquela Cia. de Teatro. Sua produção transita entre memória coletiva e fabulação, com obras apresentadas em festivais no Brasil e no exterior e reconhecidas por premiações como Shell, Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Cesgranrio.
Fundada em 2007 por Fagner Rodrigues, a Cênica é um coletivo teatral de repertório com cerca de 25 integrantes e 11 espetáculos em circulação, com criações concebidas para palco, rua, espaços alternativos e ambiente virtual.
A companhia desenvolve pesquisas em teatro popular, dramaturgia autoral, música ao vivo e ocupação de espaços não convencionais.
Circulação cultural e ações formativas no Estado
O conjunto de ações integra o projeto “Boi Material – Interior capital”, contemplado pelo Edital Fomento CultSP – PNAB nº 27/2024, voltado à difusão e circulação de projetos artístico-culturais.
A iniciativa prevê a realização de 12 apresentações em cidades paulistas, acompanhadas de atividades formativas, além do encontro on-line “Território de confluência”, com artistas convidadas.
Em Votuporanga, a programação conta com a parceria do Coletivo Terceiro Ato e o apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, e do IFSP – Câmpus Votuporanga.
Programação da 4ª Mostra
Realizada pela Prefeitura de Votuporanga, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, a Mostra de Cenas Curtas segue até o dia 26 com programação gratuita em diferentes espaços da cidade.
Na sexta-feira (24), a partir das 19h30, no Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”, o público confere as cenas “Quem tem medo de bruxa?”, da Abayomi Cia de Teatro; “O Visitante” e “Pense que você é Deus”, do Coletivo Terceiro Ato; e o monólogo “Eu só queria um tempo”, com Osmar Nunes.
No sábado (25), no mesmo horário e local, serão apresentadas as cenas “Trashman”, da Cia. Atenas; “Algumas Mulheres”, da Cia. de Tudo Um Muito; “Quando o amor fala em provérbios!”, com Adriano Ferreira e Carina Souza; e a cena convidada “O Velho Agora”, da Cia de Tudo Um Muito em parceria com o Kasa Cultura.
Encerrando a programação, no domingo (26), das 16h às 17h30, o Kasa Cultura conduz a “Oficina de Iniciação Teatral” na Sala de Oficias do Centro de Informações Culturais e Turísticas “Marão Abdo Alfagali”, no Parque da Cultura.
A atividade será conduzida pelo oficineiro Lucas Pereira e é aberta ao público a partir de 10 anos, sem necessidade de inscrição prévia.




