
Sequência do clássico filme fashion chega em pré-estreia ao Novo Cine Votuporanga nesta quarta-feira (29), às 19h, com retorno do elenco original, novos conflitos no universo editorial e figurino repaginado.
@caroline_leidiane
Poucos títulos atravessaram o tempo com demasia no imaginário fashion quanto “O Diabo Veste Prada”. Lançado há duas décadas, o longa apresentou ao grande público um retrato glamuroso e idealizado dos bastidores da moda, por vezes distante das dinâmicas reais do setor.
Apesar disso, agregou, em termos estéticos e simbólicos, ao repertório da cultura pop e do discurso editorial, estabelecendo códigos visuais e narrativos que seguem circulando pelas plataformas digitais.
Agora, esse universo ganha continuidade com “O Diabo Veste Prada 2”, que chega em pré-estreia ao Novo Cine Votuporanga nesta quarta-feira (29), às 19h, com os últimos ingressos disponíveis.
A sequência mantém a base criativa do original, com direção de David Frankel e roteiro de Aline Brosh McKenna, além do retorno de Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci. A produção incorpora ainda novos nomes ao elenco, como Kenneth Branagh, Simone Ashley e Lucy Liu.
Se o primeiro filme capturava o auge das revistas impressas, o novo capítulo desloca o núcleo para um cenário de instabilidade. Miranda Priestly surge lidando com a perda de relevância do império editorial, pressionada por novos modelos de consumo e influências digitais. Emily Charlton ocupa uma posição estratégica em um grupo de luxo, enquanto Andy Sachs retorna sob outra perspectiva — mais experiente, menos ingênua e diretamente envolvida nas disputas de poder que sustentam a Runway.
No campo estético, a franquia mantém o figurino como linguagem narrativa central. Com direção de Molly Rogers — que trabalhou ao lado de Patricia Field no filme de 2006 —, o novo longa aposta em um guarda-roupa alinhado ao presente da moda, menos orientado por tendências imediatas e mais por posicionamento.

Filmado em cidades-chave como Nova York e Milão, o styling acompanha o deslocamento dos personagens: Miranda permanece ancorada no rigor clássico, enquanto novas figuras incorporam códigos híbridos, atravessados por referências digitais e pelo streetwear de luxo.
A trilha sonora se junta a essa atualização de linguagem, com destaque para “Runway”, parceria entre Lady Gaga e a rapper Doechii, composta com colaboração de Bruno Mars. A diva pop também aparece no filme em cenas gravadas em Milão, enquanto o longa inclui ainda aparições especiais, como a da designer e empresária Donatella Versace e da supermodelo Naomi Campbell.
Produzido pela Wendy Finerman Productions e distribuído pela 20th Century Studios, “O Diabo Veste Prada 2” integra o movimento de retomada de franquias consolidadas em Hollywood. O orçamento não foi oficialmente divulgado, mas a estrutura de produção — com locações internacionais, elenco de alto escalão e trilha original — indica investimento robusto, compatível com a dimensão do projeto.
Por fim, a base literária ajuda a compreender como a história atravessa o tempo e se reposiciona. “O Diabo Veste Prada” foi adaptado do romance homônimo de Lauren Weisberger, publicado em 2003, enquanto a nova produção se ancora em “A Vingança Veste Prada”, sequência lançada pela autora em 2013.
Entre essas duas obras, o contexto mudou: o que antes dialogava com uma cultura profissional orientada pela exigência extrema e pela validação estética hoje encontra um público mais atento a temas como limites no trabalho, autonomia e representação feminina.
Da realidade à ficção
A personagem Miranda Priestly, frequentemente descrita como tirânica, foi amplamente associada à figura de Anna Wintour, editora-chefe da Vogue americana de 1988 a 2025 e atualmente ocupa os cargos de diretora global de conteúdo e diretora artística da Condé Nast, grupo responsável pela revista.
A origem dessa construção remonta a 2003, quando Lauren Weisberger — ex-assistente pessoal de Wintour entre 1999 e 2000 — lançou o romance “O Diabo Veste Prada”. Embora classificada como ficção, a obra consolidou a leitura da protagonista como uma caricatura da editora, refletindo sua personalidade exigente e hábitos característicos no ambiente editorial.
Em 2006, com a adaptação cinematográfica de “O Diabo Veste Prada”, essa associação ganhou escala global. À época da estreia, Wintour respondeu com um gesto que se tornaria emblemático: apareceu vestindo Prada, em uma leitura elegante e irônica do universo que ajudou a inspirar.
Em síntese, ela converteu essa associação com a figura da “vilã” em uma demonstração de poder e reconhecimento de sua influência, absorvendo a narrativa como parte do próprio alcance simbólico da moda enquanto força cultural e econômica.
Ficha Técnica
- Título original: The Devil Wears Prada 2
- Duração: 1h59min
- Gênero: Comédia, Drama
- Direção: David Frankel
- Roteiro: Aline Brosh McKenna
- Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt




