Abre-alas para o samba passar 

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Corte Real do Carnaval 2026 de Votuporanga: Cah Souza (Princesa), Kelvin Arruda (Rei Momo) e Karina Ferreira (Rainha) - Foto: Ascom/Prefeitura de Votuporanga  

Rei Momo Kelvin Arruda, Rainha Karina Ferreira e Princesa Cah Souza relatam bastidores, emoções e expectativas após a eleição da Corte do Carnaval VotuShow 2026, em noite de música, torcida e participação popular.


@caroline_leidiane

A noite da última sexta-feira (6) teve ritmo próprio no Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”. Entre música, torcida organizada e expectativa no ar, o público acompanhou a eleição da Corte Real do Carnaval VotuShow 2026 — momento que inaugura oficialmente o clima da folia em Votuporanga. 

Foram eleitos Rei Momo Kelvin Arruda, a Rainha Karina Ferreira e a Princesa Cah Souza. 

O impulso para entrar na disputa 

Antes da faixa e da coroa, houve decisão. Cada um deles chegou ao concurso por razões pessoais — algumas íntimas, outras enraizadas na tradição familiar. 

Kelvin conta que a vontade vinha do ano anterior, mas esbarrava na timidez: 

“Desde o ano passado tive vontade de participar do concurso (…) porém sempre fui tímido demais, então desistia. Mas, no decorrer do ano, fui trabalhando essa timidez e, neste ano, tive coragem e participei do concurso, lidando com isso como um desafio pessoal mesmo”, relata ele. 

Karina fala de responsabilidade e propósito: 

“A minha motivação sempre foi representar o Carnaval com verdade, respeito e amor pela cultura popular. Decidi disputar o título quando entendi a grandiosidade da responsabilidade de ser Rainha do Carnaval”, afirma ela. 

Cah traz o samba como herança afetiva: 

“Eu sou de família de sambista, cresci dentro de escola de samba (…) Desde pequena, eu ajudava nos barracões (…) e eu amo todas as lembranças que tenho com o Carnaval! (…) Concorri no ano passado e não ganhei, mas viver a experiência me deu ainda mais vontade de participar este ano”, recorda a Princesa da Corte.

Campanha, mobilização e voto popular 

Se a técnica contou pontos, a torcida também teve papel decisivo. A votação popular foi realizada pelo aplicativo Conecta Votuporanga e exigiu mobilização intensa. 

Kelvin admite que precisou aprender no caminho: 

“Olha, não sabia como se dava esse processo (…) me peguei perdido, pois sou péssimo com mídias sociais. Porém, conheci pessoas que entendem do assunto e, com isso, me ajudaram a desenvolver uma campanha mais a minha cara”, conta. 

Karina apostou na proximidade com a comunidade: 

“Utilizei as redes sociais para informar e incentivar a votação pelo app da prefeitura, explicando todo o processo de forma clara. Além disso, contei com o apoio de amigos, familiares e da população, que abraçaram a campanha e ajudaram a ampliar o alcance da mobilização”, explica. 

Já Cah investiu no contato direto: 

“Minha campanha foi realizada pelas redes sociais e também no boca a boca. Criei vídeos estratégicos e saí pedindo votos para todo mundo que encontrava; pessoalmente, ajudava as pessoas a baixar o aplicativo e a votar. Foi bom viver esse momento. No ano passado ganhei no voto popular e acredito que esse contato direto, junto com as redes sociais, fez diferença para eu conquistar novamente o voto popular este ano”, descreve.

À espera do veredito 

A noite da eleição trouxe nervosismo e emoção em doses iguais.  

Kelvin revive o instante com sinceridade: 

“Eu estava internamente agitado demais, com medo de errar os passos, de cair, de a roupa rasgar; várias coisas passaram pela minha cabeça”, expõe. 

Karina descreve bastidores intensos: 

“Vivi o clima da decisão (…) com muita emoção, ansiedade, fé e música nos bastidores. Foi um momento intenso, marcado por união, energia positiva e pela certeza de que, independentemente do resultado, eu já havia conquistado algo muito especial”, detalha, sorridente. 

Cah resume o sentimento com leveza: 

“Eu estava positiva, fiz uma campanha bem legal, recebi o apoio e o carinho das pessoas e fiquei feliz com cada momento que estava vivendo”, pontua.

Preparação, cada qual com seu método 

A disputa envolveu desfile, entrevista e samba no pé. Cada um encontrou seu método de percurso. 

Kelvin optou por organizar pensamentos e trabalhar postura: 

“Sempre que podia, anotava palavras-chave que me conectavam aos aspectos que precisava desenvolver. Associei postura a manter o corpo ereto, ombros para trás, cabeça erguida e fala de fácil compreensão. Quando anotei ‘simpatia’, pensei em agir como faço ao apresentar um trabalho na faculdade ou no curso. Em resumo, usei anotações ligadas aos pontos que precisava melhorar”, contextualiza. 

Karina, por sua vez, buscou equilíbrio entre técnica e naturalidade: 

“A preparação foi completa e dedicada. Trabalhei postura, presença de palco, comunicação e desenvoltura, buscando transmitir naturalidade e segurança. A coreografia valorizou o samba e a identidade do Carnaval, enquanto a simpatia refletiu quem eu sou e o carinho que tenho pelo público”, salienta. 

Cah apostou no treino e nos aprendizados coletivos: 

“Eu já estava treinando para melhorar meu samba no pé e, nos workshops de preparação, aprendemos sobre moda, desfile, maquiagem e samba, o que me ajudou bastante. Mas confesso que, mesmo me preparando e criando sequência de samba, senti que poderia ter entregado algo melhor; na hora, esqueci tudo, só sambei. Estou muito feliz com o resultado, ainda sem maturidade para lidar com minha faixa e minha coroa”, destaca ela com alegria.

Representar o Carnaval 

Agora, a missão ultrapassa o palco da eleição. A Corte Real acompanhará a programação do Carnaval VotuShow 2026, que inclui matinês no Parque da Cultura, o retorno do Oba Festival no Centro de Eventos “Helder Henrique Galera” e festas nos clubes da cidade. 

Kelvin encara o título com responsabilidade leve: 

“Quero viver bem esse processo, mantendo as anotações que fiz para o concurso, mas com menos pressão e com muita responsabilidade”, aponta determinado. 

Karina projeta presença ativa: 

“Quero viver intensamente cada dia de Carnaval, representando a festa com elegância, alegria e responsabilidade. Pretendo ser uma Rainha presente e acessível, valorizando artistas, escolas, blocos e toda a comunidade, levando brilho, respeito e amor”, anuncia confiante. 

Cah fala em pertencimento: 

“Quero representar minha comunidade e essa cultura linda que o Carnaval carrega, por meio da minha simpatia, alegria e amor por essa festa. Quero viver cada momento, me divertir muito e representar com muito samba no pé”, antecipa animada. 

Com a Corte definida, Votuporanga já sente o compasso da bateria se aproximando. Entre responsabilidade, brilho e samba no pé, o Carnaval 2026 começa a tomar forma — coletivo, vibrante e pronto para ocupar as ruas.