36 anos salvando vidas: Unidade de Diálise da Santa Casa de Votuporanga celebra trajetória de superação

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36 anos salvando vidas: Unidade de Diálise da Santa Casa de Votuporanga celebra trajetória de superação – Foto: Reprodução

Unidade cresceu de 5 para 57 máquinas e hoje atende 304 pacientes. Entre eles, Nilson Alves Mariano, que acaba de completar 29 anos em tratamento.


Cerca de 10% da população mundial convive com doenças renais crônicas. No Brasil, o acesso ao tratamento ainda é um desafio que custa vidas. Na contramão dessa estatística, a Unidade de Diálise da Santa Casa de Votuporanga se ergue como um verdadeiro porto seguro, e neste dia 8 de agosto de 2026, completa 36 anos de história.

Inaugurada em 1990 com apenas cinco máquinas para atender 12 pacientes, a Unidade viveu uma transformação impressionante. Hoje, são 57 equipamentos de ponta operando em três turnos, garantindo sobrevivência e esperança para 304 pacientes que dependem do serviço. Só nos primeiros seis meses de 2026, foram realizadas mais de 22 mil sessões de diálise.

Uma história de crescimento e acolhimento

A nefrologista e responsável técnica pela unidade, Dra. Aparecida Paula Gondim Visona, acompanha essa jornada desde o primeiro ano de funcionamento. Ela lembra que a unidade começou pequena em estrutura, mas com uma vontade gigante de acolher.

Para ela, ver o avanço tecnológico e estrutural ao longo das décadas é gratificante, mas o maior orgulho é o vínculo construído com cada paciente. A médica faz questão de ressaltar que ali não se trata apenas a doença renal, cuida-se de pessoas, de histórias e de famílias inteiras.

Dra. Paula também faz uma reflexão importante sobre o significado da diálise. Ela explica que, diferentemente da insuficiência cardíaca ou hepática, que só têm o transplante como saída, a insuficiência renal conta com a diálise como uma grande vitória da medicina. O tratamento segura o paciente com vida, sem ele, não haveria alternativa. “É um conceito muito ruim que as pessoas têm de encarar a diálise como morte. Não. A diálise é vida. Porque se você não tivesse a diálise, quando você tem insuficiência renal, você tem a morte decretada. Se você faz diálise, você vai viver anos, décadas”, explica.

A médica orienta quem recebe o diagnóstico a buscar informação de qualidade. Ela é direta: a diálise não é cura, mas uma ponte. “Os pacientes que têm condição de transplante vão transplantar. Os que não têm vão dialisar e se manter vivos. Basta querer e entender que a vida começa e talvez não termine aqui”, explica a nefrologista.

29 anos de diálise: a história de Nilson

Entre os pacientes que fazem parte dessa história, um se destaca. Nilson Alves Mariano, 57 anos, acaba de completar 29 anos em hemodiálise. Um marco impressionante que poucos alcançam.

Tudo começou em 9 de julho de 1997. Nilson tinha pressão alta desde a infância e não sabia. A hipertensão foi comprometendo os rins ao longo dos anos, e quando descobriu, não havia mais o que fazer. A única saída era a hemodiálise. Ele tinha 27 anos. “A princípio foi bem difícil. Eu era jovem, estava começando a vida e achava que ali ia ser o fim. Na verdade, foi uma outra maneira de viver, a gente vai se adaptando e se moldando de acordo com as necessidades”, explica ele.

Na época, Nilson já era casado e tinha um filho de 5 anos, o Matheus. Dois anos depois de iniciar o tratamento, nasceu o segundo filho, Eduardo. “Eu queria ver eles crescer, se formar. E acho que deu certo. Vi eles crescerem, se formarem, se casarem. Hoje tenho netos, estou podendo curtir eles também. Foi uma escolha de vida acertada”, conta.

Tecnologia que transforma vidas

Quem viveu essa evolução de perto foi o próprio Nilson. Ele lembra como eram as máquinas de Diálise 30 anos atrás. “No começo, era tudo manual. Hoje são de última geração, tudo computadorizado. Você chega aqui com 1kg, 2kg a mais e a máquina tira exatamente isso. Antigamente, era para tirar 1kg, tirava 2kg; era para tirar 2kg, tirava 1kg. Era muito mais complicado”, explica

Hoje, Nilson incorporou a hemodiálise à rotina: segunda, quarta e sexta ele sabe que precisa estar na Santa Casa. “Eu sei que segunda, quarta e sexta eu tenho que estar aqui. Então a gente vai se adaptando, sem se preocupar com o dia a dia. Um dia de cada vez”.

Um exemplo de superação

Para quem recebe o diagnóstico e acha que a vida acabou, Nilson tem uma mensagem clara. “Eu falo que não. Só vai mudar a maneira de viver. Para as pessoas mais jovens que começam a fazer hemodiálise: se cuidarem, com a tecnologia que tem hoje, vão fazer 50 anos de hemodiálise e vão estar bem. O importante não é só ficar vivo. É ter uma qualidade de vida boa”.

Para ele, o tratamento não se resume a vir fazer hemodiálise. É preciso conhecer o próprio corpo, os próprios limites, se informar. Enquanto possível, fazer exercícios, tudo para manter a qualidade de vida que ele tanto valoriza.

O conselho que ele deixa para quem está passando por problemas de saúde e ainda não chegou na hemodiálise é simples: levantar a cabeça e pensar em viver. Ele lembra que, ao redor, há sempre alguém e que temos que ser exemplo de esforço e vontade de viver para quem está vindo. “A gente tem que ter vontade de viver, acima de tudo. Dificuldades são muitas, mas temos que continuar com a cabeça erguida e vivendo, um dia de cada vez”, conta Nilson, emocionado.

Unidade de Diálise da Santa Casa de Votuporanga faz muito mais do que operar máquinas, ela segura as mãos, acolhe famílias e devolve dignidade. Enquanto a doença renal silenciosamente ameaça tantas vidas pelo país, aqui na Santa Casa de Votuporanga existe um lugar onde a esperança não é palavra vazia, é onde um paciente que chega e, contra todos os prognósticos, continua vivendo. Para cada um dos pacientes que cruzam suas portas, a Unidade é a prova de que a vida não acena de longe, ela está ali, pulsante, teimosa, renovada a cada sessão. Que venham mais 36 anos de histórias, de superação e de vidas que insistem em florescer.