Votuporanguense que mora nos Estados Unidos conta que a quarentena lá é mais severa

1147

“MORAR EM LOCAL ISOLADO É VANTAJOSO”, diz Carol.

Por JANETE RIBEIRO (fatos e Destaques)

Caroline Parra. Para os amigos, Carol, uma jornalista formada em Votuporanga, que foi para os Estados Unidos há 4 anos e lá constituiu família. Ela mora em Santa Clarita, que fica dentro do condado de Los Angeles, no estado da California. Lá as restrições da quarentena são mais rígidas e há fiscalização por parte da polícia. Sair de casa, só para o que é realmente essencial.

Segundo conta Caroline, os números de Covid-19 no local são os seguintes: Hoje (03/04), a Califórnia, estado onde ela mora, está em terceiro em casos. São 11.339 confirmados e 253 mortes. No total, os últimos números dos Estados Unidos contabilizam 261.438 casos e 6.699 mortes por coronavírus. Do início do dia até às 16h30 no horário de Brasília, foram relatados 15.865 novos casos e 641 mortes entre norte-americanos. Veja a história narrada pela jornalista votuporanguense:

“Hoje, sexta-feira, completo 22 dias em casa, apenas saindo para ir ao mercado quando realmente preciso e dar uma caminhada com a minha cachorrinha próximo de onde moro. Nós mudamos há 6 meses para um lugar mais perto da natureza, isso está nos ajudando muito nesse período de isolamento. São dias estranhos, de muita ansiedade e apreensão do que está por vir.

Estávamos muito tranquilos, parecia tão longe de nós. Assistíamos aos noticiários sobre o vírus na China e até o surgimento dos primeiros casos no EUA, mas a sensação era que estava tudo sob controle e que logo acabaria. Mas no início de março as notícias se intensificaram e os números começaram a aparecer, e consequentemente a subir com muita velocidade. Eu e meu marido continuávamos nossas atividades normalmente, mas logo as coisas mudaram por aqui!

Os pronunciamentos do governador do estado da Califórnia passaram a ser diários e os pedidos de isolamento eram reforçados a todo momento. Mas Los Angeles é um condado muito movimentado, lotado de turistas e imigrantes de todos os lugares do Mundo. Dificilmente se conseguiria parar as atividades apenas por atitudes voluntárias. E foi então que se iniciou o fechamento de lugares com grandes aglomerações, cancelamento de eventos, ficando aberto apenas o que era essencial.

Mas mesmo com tudo praticamente fechado, algumas pessoas ainda se aglomeravam em parques, praias e trilhas, foi quando o prefeito resolveu interditar todos esses lugares também. Os exercícios físicos e passeios ao ar livre não estão proibidos, mas é preciso ter cuidado com aglomerações no mesmo local. Aqui por enquanto não está sendo aplicada multa para quem desobedecer as regras, mas há muita fiscalização, principalmente nos lugares turísticos. Nossa quarentena inicialmente duraria em torno de um mês, se encerrando no dia 12 de abril. Mas com o crescimento dos casos no País, o prazo foi adiado para o dia 30 de abril, e ainda pode ser prorrogado por mais tempo caso precise.

Hoje, o estado onde vivo é o terceiro mais infectado dentro do EUA. São dias difíceis, de incertezas, não sabemos como será quando essa pandemia terminar. Estávamos com viagem marcada para o Brasil em alguns dias, mas por motivos óbvios resolvemos cancelar. Nosso maior medo era pegar esse vírus no trajeto e transmitir para nossos pais que são do grupo de risco, e vivem em Votuporanga.

Não é fácil estar longe da família nesse momento tão complicado. Além dos meus pais e da minha sogra que são do grupo de risco e estão no Brasil, tenho minha irmã que mora sozinha em Manhattan, New York, e que hoje é o Estado mais afetado pelo vírus. Estamos tentando manter o contato todos os dias, passar força uns aos outros e fazer com que ninguém de nós se sinta sozinho nesse momento de angústia.

O que eu tenho pedido todos os dias para os meus pais, familiares e amigos que estão no Brasil é que tenham calma, que fiquem em casa o máximo que puderem e tomem todas as devidas precauções. Não sabemos o que nos espera, então o melhor que temos é fazer nossa parte e cuidar de quem amamos.”