
Município alcança cobertura de aproximadamente 86% entre crianças menores de 2 anos, acompanhando a recuperação observada no país, enquanto a adesão dos grupos prioritários à vacinação contra a Influenza permanece abaixo da meta do Ministério da Saúde.
@caroline_leidiane
Celebrado nesta semana, em 9 de junho, o Dia da Imunização chama atenção para uma das principais estratégias de saúde pública do mundo: a vacinação. Responsável por controlar, reduzir e até erradicar doenças que já provocaram milhares de mortes, a imunização é uma das estratégias mais eficazes de prevenção já desenvolvidas pela medicina. No entanto, o Brasil ainda trabalha para recuperar os índices de cobertura vacinal registrados antes da queda observada na última década.
Dados preliminares do Ministério da Saúde referentes a 2025 mostram que apenas duas vacinas do calendário infantil atingiram a meta de 95% de cobertura estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). São elas a BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, e a vacina contra a hepatite B aplicada ao nascer. Outros imunizantes importantes permanecem abaixo do índice considerado ideal para garantir a proteção coletiva da população.
Apesar disso, especialistas apontam sinais de recuperação. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a média nacional de cobertura vacinal, que chegou a ficar em torno de 70% entre 2021 e 2022, avançou para uma faixa entre 80% e 85% nos últimos anos.
O Ministério da Saúde também registra aumento na cobertura de 15 das 16 vacinas do calendário infantil, resultado atribuído à retomada de campanhas de vacinação, ações nas escolas e ampliação do acesso aos imunizantes.
Cenário votuporanguense
Em Votuporanga, a cobertura vacinal entre crianças menores de 2 anos está em aproximadamente 86%, índice que acompanha a tendência nacional de recuperação.
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, os melhores resultados são observados na vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, com cobertura de 92%. Em seguida aparecem a vacina contra a Febre Amarela, com 88,8%, e a vacina inativada contra a poliomielite (VIP), com 86%. Também apresentam boa adesão os imunizantes Meningocócico e Pneumocócico.

Atualmente, a mobilização do município está voltada para a campanha de vacinação contra a Influenza. A cobertura entre os grupos prioritários alcança 37,3%, percentual considerado abaixo da meta definida pelo Ministério da Saúde.
Outra vacina disponível na rede pública é a destinada à prevenção da Covid-19. Segundo a Secretaria da Saúde, a procura pelo imunizante tem sido menor em comparação a outros períodos da campanha.
A pasta alerta que a manutenção da carteira de vacinação atualizada continua sendo fundamental para proteger crianças, adolescentes, adultos e idosos contra doenças imunopreveníveis.
O objetivo é garantir não apenas a proteção individual, mas também a chamada imunidade coletiva, que reduz a circulação de vírus e bactérias e protege as pessoas mais vulneráveis da população.
Os fatores por trás da queda na vacinação
Segundo a Fiocruz, a redução da cobertura vacinal observada no Brasil ao longo da última década está associada a diferentes fatores. Entre as razões apontadas para esse quadro estão a circulação de desinformação sobre vacinas, sobretudo nas redes sociais, a redução da percepção de risco em relação a determinadas doenças e o atraso ou abandono da vacinação por parte de algumas famílias.
A pandemia de Covid-19 também teve impacto direto nesse panorama. Durante o período, muitas pessoas deixaram de procurar as unidades de saúde por receio da contaminação, enquanto os serviços de saúde precisaram direcionar parte de suas equipes e estruturas para o enfrentamento da emergência sanitária. Como consequência, milhares de crianças ficaram sem receber vacinas de rotina dentro dos prazos recomendados.
Outro fator apontado pela instituição envolve desafios relacionados ao registro e ao monitoramento das doses aplicadas nos sistemas de informação do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente durante processos de atualização e adaptação das plataformas digitais utilizadas pelos municípios.
Embora tenha avançado na recuperação da cobertura vacinal, o Brasil ainda convive com um contingente expressivo de crianças sem proteção. Levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em julho de 2025 aponta que 229 mil crianças brasileiras não receberam nenhuma vacina, colocando o país na 17ª posição do ranking mundial.
A queda da cobertura vacinal não representa apenas um indicador estatístico. Ela compromete uma das mais importantes conquistas da saúde pública: a capacidade de prevenir doenças, reduzir internações e evitar mortes.
Quando menos pessoas se vacinam, diminui também a proteção coletiva, ampliando o risco de circulação de agentes infecciosos e expondo principalmente crianças, idosos e grupos mais suscetíveis às doenças.




