Usina de Meridiano é multada em R$ 5,4 milhões por desastre ambiental 

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Usina de Meridiano é multada em R$ 5,4 milhões por desastre ambiental — Foto: David Santos/TV TEM

A penalidade foi formalizada no último dia 16 de janeiro, e é resultado da investigação do desastre ambiental que atingiu o Rio São José dos Dourados em outubro do ano passado. Empresa analisa tecnicamente o conteúdo da decisão para adotar medidas.


A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), por meio da Agência Ambiental de Votuporanga/SP, oficializou a aplicação de uma multa de R$ 5,4 milhões contra a empresa COFCO International Brasil S.A. – Unidade de Meridiano/SP. A penalidade foi formalizada em documento expedido no dia 16 de janeiro de 2026, e é resultado da investigação do desastre ambiental que atingiu o Rio São José dos Dourados em outubro do ano passado.

A decisão consta em relatório técnico assinado pela gerente da agência ambiental, engenheira Carolina Oliveira Rizzato, e tem como base o Decreto Federal nº 6.514/2008, que trata de infrações e sanções administrativas ao meio ambiente.

Vazamento de vinhaça e mortandade de peixes

De acordo com o relatório da CETESB, o dano ambiental foi provocado por um vazamento na adutora de vinhaça da usina, ocorrido em 24 de outubro de 2025. O resíduo, que possui elevada carga orgânica, atingiu o corpo hídrico e causou depleção severa do oxigênio dissolvido na água, condição incompatível com a sobrevivência da fauna aquática.

Nos dias 25 e 26 de outubro, foram registradas toneladas de peixes mortos, especialmente nas proximidades do Condomínio do Golfo, no município de Meridiano, cenário que evidenciou a gravidade do impacto ambiental.

Exigências técnicas e medidas corretivas

Além da multa milionária, a CETESB impôs uma série de obrigações técnicas e operacionais à empresa, com o objetivo de prevenir novos acidentes ambientais. Entre as exigências estão:

  • Diagnóstico completo de integridade de todas as instalações e sistemas de transporte de vinhaça;
  • Implantação de redundância e contenção, com dispositivos adicionais em bombas e conexões, além de barreiras físicas para retenção de vazamentos;
  • Revisão e aprimoramento dos protocolos operacionais, com atenção especial aos trechos próximos a Áreas de Preservação Permanente (APPs). 

As medidas deverão ser comprovadas junto ao órgão ambiental dentro dos prazos estabelecidos. 

Denúncias em outros municípios foram descartadas 

O documento também esclarece denúncias de suposta mortandade de peixes em Magda, Sebastianópolis do Sul e Nhandeara. Segundo a CETESB, vistorias realizadas nos dias 6, 8 e 15 de outubro de 2025 não identificaram poluição ou irregularidades nesses locais, motivo pelo qual as queixas foram consideradas improcedentes em relação ao episódio envolvendo a COFCO. 

Posicionamento da empresa 

Procurada, a COFCO International Brasil S.A. informou que teve ciência do auto de infração ambiental e que irá analisar tecnicamente o conteúdo da decisão, adotando as medidas administrativas cabíveis dentro dos prazos legais. A empresa também destacou que mantém programas de monitoramento ambiental e que atua em conformidade com a legislação vigente, além de reafirmar compromisso com a proteção dos recursos naturais e com a segurança de suas operações. 

O caso segue sob acompanhamento dos órgãos ambientais competentes.