
Plataforma gratuita do Ministério da Cultura está em fase final de testes e tem lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2026, com foco em acesso, diversidade e formação de público

@caroline_leidiane
A consolidação de uma política pública voltada à circulação do audiovisual brasileiro ganha respaldo com a Tela Brasil, plataforma pública de streaming concebida para ampliar o acesso da população à produção cinematográfica e audiovisual do país.
Vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), a iniciativa integra estratégias de difusão cultural e fortalecimento do cinema nacional, reunindo obras realizadas com apoio de políticas públicas e conteúdos representativos da diversidade estética, regional e temática que atravessa o Brasil.
Apesar da expectativa em torno do projeto, o serviço ainda não foi disponibilizado ao público. Em nota divulgada no domingo (18), o MinC informou que a Tela Brasil se encontra em fase final de testes técnicos. A pasta esclareceu que não procede a informação de que a plataforma já estaria no ar e reiterou que o lançamento está previsto para o primeiro trimestre de 2026.
O cronograma inclui a liberação de aplicativos para dispositivos móveis, com versões para os sistemas Android e iOS.
Concebida pela Secretaria do Audiovisual (SAv) em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Plataforma Tela Brasil nasce como um serviço público e gratuito de Vídeo por Demanda (streaming público). O acesso não terá custo para o usuário e o cadastro será realizado por meio do gov.br, assegurando a integração com outras políticas digitais do Governo Federal e ampliando o alcance dos serviços públicos.
A iniciativa aposta na democratização do acesso ao audiovisual nacional como eixo estruturante. A curadoria reunirá curtas, médias e longas-metragens, além de obras seriadas, criando um espaço de encontro entre o público e a produção brasileira recente e histórica.
Ao abrir novas janelas de exibição para títulos que enfrentam limitações no circuito comercial, a plataforma dialoga diretamente com políticas de fomento, preservação da memória audiovisual e formação de espectadores.
Embora destinada ao público em geral, a Tela Brasil estabelece como prioridade as escolas de educação básica, configurando-se como uma ferramenta estratégica para o cumprimento da Lei 13.006/2014, que determina a exibição de filmes nacionais no ambiente escolar. O projeto também contempla espaços não comerciais de exibição, como cineclubes, Pontos e Pontões de Cultura, bibliotecas públicas, centros de difusão cultural, de leitura e de memória, bem como os Centros Educacionais Unificados (CEUs).
Entre os compromissos assumidos pela plataforma estão a representação da pluralidade das identidades de gênero, culturais e étnico-raciais, a promoção da diversidade regional brasileira, a preservação da memória audiovisual e a oferta de obras com relevância educacional, caráter formativo e impacto social.
O streaming público busca, assim, reafirmar a cidadania cultural e estimular a circulação simbólica da produção nacional.
A construção do catálogo segue em andamento, com o levantamento e a preparação de acervos próprios do MinC e de instituições parceiras, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Fundação Nacional de Arte (Funarte) e a Fundação Cultural Palmares.
O conjunto também reúne filmes brasileiros indicados ao Oscar e obras selecionadas por meio de edital de licenciamento. A previsão é que o acervo inicial chegue a cerca de 555 títulos, com investimento estimado em R$ 4,4 milhões, consolidando a Tela Brasil como uma das principais apostas públicas para a difusão do audiovisual no país.




