‘Sonhos da Mata’ leva teatro de sombras e ancestralidade indígena a Monte Aprazível 

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Aline Carvalho e Daniele Viola compõem o elenco do espetáculo ‘Sonhos da Mata’, que utiliza o teatro de sombras para narrar lendas da floresta brasileira - Foto: Raiza Ferreira

Espetáculo gratuito da Cia. Libélulas será apresentado nesta sexta-feira (13), às 14h, no Centro Cultural ‘Ana Maria Ceneviva Berardo’, com narrativa sensorial inspirada em lendas da floresta brasileira.


@caroline_leidiane 

O espetáculo “Sonhos da Mata”, da Cia. Libélulas, chega a Monte Aprazível nesta sexta-feira (13), às 14h, no Centro Cultural “Ana Maria Ceneviva Berardo”. A apresentação propõe ao público uma experiência sensorial que combina teatro de sombras, música e linguagem corporal para refletir sobre a relação entre humanidade e natureza.

Inspirada em lendas da floresta brasileira e na cosmovisão indígena, a montagem constrói uma narrativa poética que valoriza a ancestralidade e provoca reflexões sobre questões contemporâneas, como a crise climática e a preservação ambiental. O espetáculo é não verbal, o que amplia sua acessibilidade e permite que espectadores de diferentes idades e contextos culturais acompanhem a história.

A encenação combina técnicas do teatro de sombras tradicional chinês com abordagens contemporâneas do teatro de animação, criando imagens poéticas que dialogam com a cosmovisão indígena e com a sabedoria ancestral dos povos da floresta. 

Entre as referências que compõem a dramaturgia estão figuras míticas presentes no folclore brasileiro, como Curupira, Boiúna, Anhangá, Mãe do Ouro e Matinta Pereira. Esses personagens aparecem em uma narrativa interligada que resgata o imaginário popular e propõe novas leituras sobre a convivência entre seres humanos e o meio ambiente.

“Quando penso no ‘Sonhos da Mata’, estou olhando para a natureza enquanto um organismo vivo, um parente querido que quer sobreviver. Apesar das lendas serem criadas por um discurso humano, nessa montagem ressignificamos e construímos uma história em redes, em que a estética e o conteúdo tenham também um aporte ecológico”, afirma a idealizadora do projeto, Daniele Viola.

Inspirado em lendas da floresta brasileira e na cosmovisão indígena, o espetáculo não verbal utiliza técnicas do teatro de sombras tradicional chinês combinadas a abordagens contemporâneas do teatro de animação – Foto: Divulgação

Com classificação livre e duração de aproximadamente 80 minutos, a peça também busca promover inclusão ao integrar espectadores surdos e ouvintes em uma experiência artística compartilhada, valorizando recursos visuais e expressivos que ultrapassam a linguagem verbal.

A apresentação em Monte Aprazível integra a circulação do espetáculo por quatro cidades do interior paulista e é realizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc, com fomento do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Governo Federal e Ministério da Cultura.

Cia. Libélulas

Fundada em 2015 durante a graduação em Artes Cênicas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Cia. Libélulas surgiu a partir de um processo de criação coletiva e de pesquisa artística voltada para a poesia das imagens e para o teatro visual. 

Atualmente com núcleos em Ribeirão Preto (SP), representado pela artista Daniele Viola, e em Florianópolis (SC), com Agnaldo Stein e Fabrício Gastaldi, a Cia. Libélulas desenvolve trabalhos que transitam entre diferentes linguagens cênicas, como teatro de sombras, teatro lambe-lambe, máscaras e teatro performativo.  

A companhia busca construir espetáculos que dialoguem com o público de forma sensível, explorando temas sociais, culturais e ambientais. 

Segundo os integrantes, o processo criativo do grupo é guiado pela experimentação e pela colaboração entre artistas, valorizando diferentes perspectivas na construção das obras. Essa dinâmica coletiva, presente desde os primeiros projetos da companhia, permanece como uma das marcas de sua trajetória.