Sobriedade já – Coragem vai, tire a máscara…

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Carlinhos Marques

E de repente o cenário todo se transforma…

Nós nos apresentando por aí de rosto quase todo escondido, seja no mercado, seja no banco, seja na Igreja… é a realidade momentânea.

Usar máscara foi se transformando em uma necessidade, aliás em uma expressão de prudência, ok!

Mas acontece que infelizmente usar máscara não é algo tão novo assim no dia-a-dia das pessoas, infelizmente não é.

Aliás, acho que as pessoas usam máscaras desde bem antes que existisse esse modelo que estamos vendo hoje.

A máscara que eu estou falando, não pode se ver, nem pegar,  mas, com um pouco de sensibilidade percebemos, infelizmente, aos montes por aí.

Eu estou falando das máscaras da nossa personalidade, da nossa indisposição para as verdades nos nossos sentimentos, nas nossas decisões, nas nossas convicções.

E olha que estas máscaras são usadas com uma falsa impressão que também protegem de alguma coisa, quando na verdade, ao contrário da proteção que essa convencional nos dá, do vírus, essa camufla a situação, esconde a aparência real e cria uma aparência artificial.

Quem já não ouviu aquela frase: “Agora a coisa vai apertar para o fulano, a máscara dele caiu.”

E hoje vemos pessoas bravas, inconformadas, agora até um pouco menos, mas no começo o povo estava revoltado porque não podia entrar nos lugares sem máscara.

E eu fico imaginando: já pensou se fosse possível identificar e punir quem ao contrário dessa máscara convencional, estivesse com essa máscara de comportamento?

Mas pensando bem, tem sim o que pune esses “mascarados”:

A vida pune!

E olha que pune de forma severa, quando você coloca sobre seu rosto, ou pior, sobre sua vida uma máscara diferente conforme a circunstância, conforme a conveniência.

Nos bailes de carnaval mais antigos e hoje, nos bailes de fantasia, as pessoas usam máscaras até de forma divertida e se transformam em personagens, ok!

Mas ficar o tempo todo criando personagem para esconder a realidade, além de tudo, deve ser muito cansativo.

Olha, é um ato de coragem andar sem máscara!

Eu estou me lembrando aqui que os ladrões também usam máscaras nos assaltos… tá!

Mas essa máscara que estou falando, rouba você de você mesmo, tira a sua identidade.

Você corre o risco de as pessoas gostarem do seu personagem e não de você.

Cada vez que você coloca uma máscara para esconder uma realidade, para camuflar um fato, reforçar uma mentira, fingir ser o que não é, a intenção é única:  ser aceito pelo outro.

Mas com o tempo você vai descobrir a tristeza do que é ser aceito só quando se está mascarado.

Se você coloca máscaras nos seus limites, você não imagina o tanto que está sendo cruel em não deixar que as pessoas te vejam, te descubram, descubram sua humanidade.

Os outros tem o direito de estarem ou não com você pelo que você é e não pela máscara que você está usando.

E olha a contradição: se você usa máscaras para preservar uma amizade, um namoro, um casamento, todo diplomático ali, para não ofender, você tem que saber que não está defendendo uma amizade, um relacionamento, você nunca vai perder um amigo se você estiver  sem as máscaras, se esse amigo for realmente verdadeiro.

E na mentira, não se ganha ninguém, porque as pessoas não serão seus amigos; serão amigos da sua máscara.

Pare de se desgastar preocupado com que máscara você vai usar amanhã no trabalho, qual vai ficar melhor no final de semana, qual você vai pegar na gaveta agora para ir na igreja, é, ir na igreja.

Todos queremos ser amados. Mas veja que contradição:

Como eu posso me sentir amado por alguém que não me conhece?

E aí os relacionamentos vão ficando cada vez mais líquidos, cada vez mais a gente tem medo de tirar as nossas máscaras porque não temos certeza se o outro tirou a máscara dele!

Lembra daquela brincadeira que diz que o namorado conhece a namorada quando casa, e o marido conhece a esposa quando se separa?

Pois é… foram personagens a vida inteira, conforme a fase.

Gente! Maquiagem sai, mentiras se revelam e máscaras caem!

Ainda bem que caem, e o pior, às vezes, é que você faz um esforço danado quando ela cai, para colocar de novo, mas tem uma hora que nenhuma máscara mais vai encaixar no seu rosto, no rosto de quem foi a vida inteira mascarado, porque acaba sendo máscara em cima de máscara; para validar uma, eu coloco a outra por cima.

Então seja corajoso! Vai… Tire sua máscara!

Pode existir aí alguém por trás dela que nem você mesmo sabe que existe.

Tire esse escudo artificial, superficial; ele te diminui.

Tire, por mais que se sinta vulnerável sem ela.

Se dê a oportunidade de ver o que você escondeu de você mesmo por muito tempo, muitas vezes por medo.

Humanos tem limites, tem defeitos, tem partes boas, e partes estragadas.

E essa busca do “figurino perfeito” vai escondendo gente atrás de gente.

Existem muitos modelos de máscaras. Tem para o rosto, tem para o corpo, mas não tem nenhum modelo de máscaras para o coração.

Não existe máscara para a bondade, máscara para a sinceridade, máscara para fé. E olha, muito menos máscara para a humildade.

Nunca compre uma máscara para humildade, porque jamais ela se encaixara no seu nariz empinado.

Se você não está feliz, lute para mudar a realidade.

Seja corajoso vai, tire a máscara, antes que ela se cole definitivamente em seu rosto e vocês se tornem um só.

Tire a máscara agora!

Porque se demorar muito, e de repente resolver tirá-la na frente de um espelho, você pode ver revelada ali uma verdade, uma história que te assuste, e vai perceber o quanto ficou envelhecido neste tempo todo em que você andou por aí, mascarado!

 

  • Por Carlinhos Marques – Presidente Fundador da Comunidade Terapêutica Novo Sinai, que acolhe dependentes químicos desde 2005 de forma voluntária e gratuita, idealizador do projeto “Sobriedade Já”

 

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