SOBRIEDADE JÁ

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

PAIS NÃO PRATICANTES

Existe uma expressão curiosa: “católico não praticante”. Agora também temos “evangélico não praticante”. Seguindo essa lógica, poderíamos criar outras categorias: corintiano, palmeirense não praticante… aquele torcedor que aparece quando o time ganha e desaparece misteriosamente quando perde. Conveniente, não?

Mas talvez exista uma categoria muito mais preocupante: os pais não praticantes.

São aqueles que tiveram filhos, mas não praticam a paternidade na sua essência. Terceirizam a educação para a escola, os valores para as redes sociais.

Até sabem onde o filho está, mas nem sempre sabem como ele está.

Paternidade não C apenas colocar comida na mesa, pagar contas ou perguntar: “Já fez a lição?”. É presença, é conversa, é limite, é exemplo, é saber ouvir quando o filho ainda não consegue explicar o que está sentindo.

Veja, diferentemente do futebol, na paternidade não existe o “não praticante”.

Ou você participa do jogo, ou alguém ocupará o seu lugar, e aí quem perde é seu filho.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar Provérbios 22,6

TOMATE: VAI COM SAL OU AÇÚCAR?

Saber que tomate é uma fruta é conhecimento. Saber que não devemos colocá-lo numa salada de frutas é sabedoria.

Parece apenas uma brincadeira, mas existe verdade nessa frase.

Conhecimento é informação, é aquilo que aprendemos, acumulamos e conseguimos repetir. Sabedoria é saber o que fazer com tudo isso.

Podemos conhecer muitas coisas e, ainda assim, tomar decisões completamente equivocadas. É como o médico que sabe perfeitamente os malefícios do cigarro, mas continua fumando.

Conhecer o caminho não significa necessariamente escolher caminhar por ele.

Sabemos, por exemplo, que guardar mágoa faz mal. Sabemos que alimentar ressentimentos não resolve conflitos. Sabemos que determinadas atitudes prejudicam nossos relacionamentos, o conhecimento aponta o problema. A sabedoria pergunta: “E o que você vai fazer a respeito?”

Talvez seja essa a grande diferença entre saber e compreender.

No final das contas, saber que tomate é fruta é informação. Decidir se ele vai para a salada, para o molho ou para a salada de frutas… bem, aí é você quem decide.

“Adquire a sabedoria, adquire a inteligência; Provérbios 4,5

VOCÊ FOI SORTEADO

Esses dias vi uma estatística mais ou menos assim: a chance de se ganhar na loteria é de uma em 50 milhões, sofrer um acidente aéreo um em onze milhões.

Agora, segundo a ciência, as chances de uma pessoa específica nascer são extraordinariamente menores que os exemplos acima quando consideramos toda a complexidade envolvida na reprodução humana, alguns cálculos chegam a números impressionantes. E apesar de todas essas possibilidades, você está aqui, eu também.

E curiosamente, passamos boa parte da vida sonhando em ganhar na loteria enquanto esquecemos de perceber que já recebemos um prêmio que dinheiro nenhum consegue comprar, fomos escolhidos para nascer.

Isso não significa abandonar sonhos, planos ou ambições. Claro que devemos buscar uma vida melhor, mas o problema começa quando ficamos tão preocupados com aquilo que ainda não temos que deixamos de enxergar o privilégio daquilo que já temos.

Às vezes a pessoa está esperando ganhar milhões para começar a agradecer, quando deveria agradecer por estar viva.

A vida não é perfeita. Tem perdas, dificuldades, frustrações e dias que parecem ter vindo com defeito de fábrica.

Mas ainda assim, estamos aqui.

Você não precisa necessariamente ganhar na loteria.

Talvez precise apenas perceber que já recebeu o bilhete premiado, e que cada novo dia é uma nova oportunidade de desfrutar desse prêmio.

“Eu te louvo porque me fizeste de modo tão maravilhoso.” — Salmo 139,14

PARE DE TOMAR O REMÉDIO ERRADO

Existe uma coisa curiosa na vida: às vezes procuramos remédios sofisticados para problemas muito simples.

Pesquisas sobre os efeitos da leitura frequente da Bíblia têm apontado associações interessantes entre essa prática e diferentes áreas da vida, como relacionamentos, autocontrole e enfrentamento de comportamentos destrutivos.

Quando li alguns desses resultados, tive a impressão de estar diante de uma propaganda daquelas que prometem resolver praticamente tudo.

A diferença é que esse “remédio” talvez já esteja dentro da sua casa.

O problema é que muita gente possui uma Bíblia, mas a utiliza quase como objeto de decoração. Fica ali, bonita, geralmente fechada, esperando uma oportunidade que nunca chega.

Não estou dizendo que basta abrir a Bíblia e todos os problemas desaparecerão, a fé não é fórmula mágica.

Mas a Palavra de Deus pode transformar pensamentos, escolhas, comportamentos e principalmente a maneira como enxergamos a vida.

Talvez esteja na hora de trocar alguns medicamentos que alimentam ilusões por uma “medicação” que alimenta a alma.

Experimente.

E nesse caso a bula é simples: abrir, ler e viver.

“Vossa palavra é uma lâmpada para os meus pés. Salmo 119,105

REZE A VIDA E VIVA A ORAÇÃO

Existe uma passagem em que Jesus nos convida a orar sem cessar.

Mas se entendermos oração apenas como uma ação, ajoelhar, fechar os olhos e pronunciar palavras parece impossível cumprir esse convite. Afinal, temos trabalho, estudo, família, compromissos e até aquela louça que insiste em lembrar que somos seres humanos.

Então, como orar sem cessar?

Talvez a resposta esteja justamente em compreender que oração não é apenas um ato, é uma atitude.

Orar é estabelecer uma conexão com Deus que ultrapassa momentos, lugares e palavras. É permitir que a presença de Deus influencie nossas escolhas, nossos comportamentos, nossas intenções e principalmente a maneira como tratamos as pessoas.

A oração deixa, então, de ser um compromisso ocasional e passa a ser uma maneira de viver.

Você pode estar trabalhando e continuar conectado a Deus. Pode estar dirigindo, conversando, tomando decisões ou enfrentando uma dificuldade e ainda assim, permanecer em oração.

Porque oração não é fugir da vida, é viver a vida na presença de Deus.

Talvez seja isso que significa rezar a vida e viver a oração.

Quando a oração muda apenas nossos momentos, ela é um ato, quando começa a mudar nossa vida, ela se torna uma atitude.

“Orai sem cessar.” — 1 Tessalonicenses 5,17

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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