TODO BICHO MENTE, OU SÓ O BICHO HOMEM?
Será que todo animal mente, ou só o animal racional. Alguns bichos camuflam o corpo para sobreviver, é instinto, é defesa. Mas o bicho homem… ah, esse camufla palavras, intenções tudo isso com uma habilidade que daria inveja a qualquer camaleão.
O curioso é que a mentira humana não nasce por necessidade, mas por conveniência. Não é para sobreviver, é para se dar bem. E assim surgem arquitetos de castelos de areia: gente que levanta uma pequena mentira e passa o resto da vida tentando sustentá-la, equilibrando versões como quem faz malabarismo com pratos, e sempre com aquele risco iminente de tudo cair.
E, numa tentativa quase cômica de aliviar a consciência, inventamos a tal da “mentirinha”. Diminutivo curioso, como se reduzir a palavra diminuísse o peso. Mas não diminui. Só torna a mentira mais íntima, mais confortável… e mais perigosa.
A verdade é que existe um peso eterno nessa escolha. Jesus foi direto, sem rodeios: apontou o mal como pai da mentira. Ou seja, quem adota a falsidade como idioma, começa a falar uma língua que não nasceu na luz.
Talvez por isso, às vezes, o silêncio seja mais honesto. O mundo já está cheio de ficção. Não precisa de você com mais um roteiro improvisado.
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8,32)
O PODER QUE LAVA OS PÉS
Empoderamento é uma palavra moderna, dessas que ganharam palco, hashtag. Mas, no fundo, o desejo é antigo: ter poder. E não há nada de errado nisso, até o momento em que o poder sobe à cabeça antes de fortalecer o coração.
Convenhamos, o mundo ensina: suba, destaque-se, imponha-se. Mas curiosamente, quanto mais alto o pedestal, mais difícil fica enxergar o outro lá embaixo.
Então surge Jesus indo na contramão, quebrando expectativas e, em vez de subir, se ajoelha. Em vez de exigir reconhecimento, pega uma toalha, e lava pés.
Confesso: isso não parece muito estratégico para conquistar seguidores. E realmente não é, se a lógica for humana. Mas é profundamente transformador na lógica divina.
Jesus não liderou com imposição, mas com entrega. Não construiu autoridade com gritos, mas com gestos. E mostrou que existe um tipo de poder que não oprime, mas serve.
No fim, a ironia divina é quase poética: quem quer ser grande, desce. Quem insiste em mandar, se perde. E quem aprende a amar, encontra um poder que não precisa de nome bonito, nem de aplauso.
“Se eu, pois, vos lavei os pés, sendo Senhor e Mestre.” (João 13,14 – Ave Maria)
PASSADO, PRESENTE, FUTURO E ETERNIDADE
A gente tenta organizar a vida em três caixinhas: passado, presente e futuro. Parece suficiente. Mas a vida, ela não cabe nesses em compartimentos.
O tempo segue em linha reta, empurrando o futuro para o passado. E nós, tentando acompanhar, às vezes tropeçamos no ontem ou nos perdemos no amanhã.
Mas para quem crê, existe uma quarta dimensão: a eternidade. E quando essa perspectiva entra em cena, tudo muda de lugar.
O passado deixa de ser uma prisão de culpas e passa a ser uma escola. O presente deixa de ser ansiedade acumulada e vira oportunidade viva. E o futuro… deixa de ser um terreno de medo para se tornar promessa.
A eternidade não é apenas um “depois”. É um jeito diferente de enxergar o agora. É entender que nem toda demora é abandono, e que nem todo silêncio é ausência de Deus.
Enquanto o mundo corre contra o tempo, o cristão aprende a caminhar com propósito. Porque, no fim das contas, não é sobre quanto tempo temos, mas sobre para onde esse tempo está nos levando.
“Tudo tem seu tempo, e cada coisa seu momento debaixo do céu.” (Eclesiastes 3,1)
AINDA HOJE, QUEREM UMA RELIGIÃO SEM CRUZ
Existe uma frase famosa: “a dor é passageira, mas desistir é para sempre”. Bonita, mas difícil de viver quando a dor bate à porta.
Na cruz, Jesus ouviu gritos que ecoam até hoje: “Se és o Filho de Deus, desce!”. Era uma provocação, mas também uma tentação disfarçada de solução rápida. Afinal, descer da cruz resolveria o sofrimento imediato.
Mas resolveria mesmo?
Se Jesus tivesse descido, talvez o cristianismo até existisse, mas seria vazio. Um cristianismo sem cruz, sem redenção. Uma fé confortável, mas sem transformação.
O problema é que ainda hoje muita gente busca isso: uma religião sem cruz. Uma fé que não exige, não confronta, não incomoda. Algo leve, e raso.
Só que as cruzes continuam existindo. E não são enfeite, são caminho. O perigo está em ouvir as vozes que dizem: “desiste, desce, abandona”. Porque, às vezes, o maior fracasso não é cair, é sair do processo antes da hora.
A cruz não é o fim. É o meio.
“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me.” (Lucas 9,23)
O DIA QUE VOCÊ TERÁ QUE OLHAR PARA TRÁS
Tem uma coisa que será inevitável. Você pode adiar, fingir que não existe, mas um dia vai acontecer: você vai ter que olhar para trás.
E não será por escolha. Será porque o tempo acabou com as alternativas.
A vida ensina que devemos olhar para frente, e faz sentido. Mas talvez o erro esteja em nunca olhar para trás enquanto ainda há tempo de ajustar o caminho.
Porque a pergunta não será quantos anos você viveu, mas como você viveu. Sua presença somou ou subtraiu? Curou ou feriu? Ou apenas ocupou espaço?
É desconfortável pensar nisso, mas mais desconfortável ainda seria descobrir isso tarde demais, quando já não há mais oportunidade de mudança.
Imagine perceber, no fim, que em algumas histórias sua ausência teria sido menos dolorosa que sua presença.
Pesado, né? Mas necessário.
Por isso, antecipe esse olhar. Revise rotas. Ajuste atitudes. Ainda há tempo de ser lembrado como alguém que fez diferença.
Porque no final, todos nós seremos memória. A questão é: qual?
📖“Cada um colherá o que tiver semeado.” (Gálatas 6,7)
Por: Carlinhos Marques
Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”
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