SOBRIEDADE JÁ 

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

O PESO DEPENDE DO TEMPO

Uma folha de papel é pesada? Claro que não. Mas experimente segurar essa mesma folha por horas, talvez por um dia inteiro. O braço começa a reclamar, e aquilo que parecia leve começa a incomodar. O peso não mudou, mas o tempo mudou tudo.

Curiosamente, fazemos algo muito parecido com os sentimentos.

Alguém nos magoa, diz uma palavra atravessada, comete uma injustiça. No primeiro momento, seguramos aquilo como quem segura um objeto pequeno. Achamos que não tem problema guardar aquela lembrança. Às vezes até alimentamos a ideia de que manter a mágoa é uma forma de justiça, uma reserva emocional para um possível acerto de contas no futuro.

Mas, aquilo que parecia leve começa a pesar.

O ressentimento cansa a alma. A falta de perdão se transforma em um peso silencioso. O curioso é que muitas vezes a outra pessoa já seguiu a vida, enquanto nós seguimos segurando a tal “folha de papel emocional”.

E o braço da alma começa a doer.

Existem pesos que não foram feitos para serem carregados por muito tempo. Eles só deixam de pesar quando são soltos. E esse “soltar”, na maioria das vezes, tem um nome simples, difícil, mas libertador: perdão.

Porque perdoar não muda o passado, mas alivia o presente e devolve leveza ao futuro.

“Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente” (Colossenses 3,13)

QUER ARRUMAR UM JEITO, NÃO QUER ARRUMA UMA DESCULPA

Existem dois personagens que caminham pelas mesmas ruas da vida, mas com atitudes diferentes.

O primeiro é o determinado. Ele também sente cansaço, enfrenta dificuldades e tem dias ruins. Mas há algo nele que fala mais alto: a decisão.

Quando surge um obstáculo, ele não pergunta se é possível, pergunta como será possível. Se falta tempo, ele reorganiza o tempo. Se falta recurso, ele improvisa. Se a porta está fechada, ele procura outra entrada.

Para quem está decidido, sempre existe um caminho. Pode não ser o mais fácil, mas quase sempre é o necessário.

O segundo personagem é o especialista em justificativas. Ele também tem sonhos, mas curiosamente seus sonhos vivem sempre em modo de espera. Não faz porque está cansado, porque está ocupado, porque não é o momento certo, porque as condições ainda não estão ideais.

Para ele sempre falta alguma coisa: tempo, apoio, oportunidade. Às vezes falta até segunda-feira para começar.

E assim, enquanto coleciona desculpas bem-organizadas, também coleciona projetos que nunca saíram do papel.

O curioso é que os dois vivem no mesmo mundo, a diferença não está nas circunstâncias. 

A diferença está na postura.

Porque, no fim das contas, a vida costuma revelar uma verdade simples: quem quer arrumar um jeito; quem não quer, arruma uma desculpa.

“Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4,13)

CARA E COROA

Toda moeda tem dois lados: de um lado a cara, do outro a coroa. A cara identifica a moeda. A coroa determina o valor da moeda. Pode ser um centavo, cinquenta centavos ou um real.

Caras diferentes. Valores diferentes.

Sem perceber, muitas vezes fazemos a mesma coisa com as pessoas.

Olhamos para a cara, para a roupa, para a profissão, para o carro, e decidimos qual é a “coroa”, ou seja, qual é o valor daquela pessoa.

“Esse vale muito.” “Esse vale pouco.” “Esse não vale nada.” Seres humanos não são moedas.

Homens e mulheres têm rostos diferentes, histórias diferentes, mas diante de Deus possuem o mesmo valor.

A lógica do céu não funciona como a lógica da bolsa de valores. Ninguém perde valor porque fracassou, nem ganha valor porque acumulou sucesso.

Todos carregam o mesmo selo de dignidade.

O desafio humano é parar de olhar para a cara e achar que isso determina o valor. É entender que existem rostos diferentes, histórias diferentes, mas o valor continua o mesmo.

Porque o preço do ser humano não foi pelo dinheiro, nem pela aparência. 

Foi definido na cruz.

E ali ninguém foi comprado por centavos.

“Pois fostes comprados por um grande preço.” (1 Coríntios 6,20) 

MENTIRA OU VERDADE SOB SUSPEITA?

Nem sempre alguém vai lhe contar uma mentira diretamente.

Basta que a verdade seja escondida, ou coberta por um barulho maior. E assim, silenciosamente, a mentira começa a vencer.

Existe uma maneira extremamente eficiente de mentir sem abrir a boca: distorcer a verdade até que ela pareça duvidosa.

É quando surgem comentários maliciosos, perguntas plantadas com segundas intenções, mas carregam veneno suficiente para criar suspeita.

Não é uma busca sincera pela verdade.

É a tentativa de enfraquecer a verdade.

E quando a verdade começa a perder credibilidade, a mentira ocupa o espaço que ficou vazio.

A verdade é simples, até silenciosa. Nem sempre vem acompanhada de espetáculo, gritos ou efeitos especiais. Mas continua sendo verdade.

E por mais que tentem desacreditá-la, ela persiste e reaparece. 

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8,32)

SEM MEDO DE SENTIR MEDO 

Sentir medo não torna ninguém fraco. Torna humano. 

O medo é uma reação natural diante do desconhecido, do risco. É um alarme emocional que nos lembra que algo importante está em jogo. 

O problema é quando o medo assume o controle e transforma o coração em um estacionamento de sonhos. 

Mas quando enfrentamos o medo, algo interessante acontece: ele revela quem realmente somos. 

Coragem não é ausência de medo. Coragem é decisão. 

Na verdade, a fé quase sempre aparece nesse momento, o medo bate à porta, a fé responde: “Pode entrar, mas não vai mandar aqui.” 

A fé transforma medo em impulso. 

Não ter medo de sentir medo é entender que vulnerabilidade não diminui ninguém. 

Pequeno é quem desiste por causa dele, e 

grande é quem, mesmo com medo, decide caminhar. 

Porque no fim das contas, vence quem não deixou o medo decidir por ele. 

“Não temas, porque eu estou contigo.” (Isaías 41,10) 

Por: Carlinhos Marques 

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já” 

@novosinai 

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www.novosinai.org.br