SOBRIEDADE JÁ 

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

PERDER SEM SE PERDER

Normalmente a gente chama de ganhar aquilo que nos exalta, engrandece, dá status, palco e aplauso. E chama de perder tudo aquilo que nos faz parecer fracassados diante dos outros. Mas a vida e Deus, principalmente, não usam essa régua. Existem perdas que esvaziam as mãos, mas que, com o tempo, enchem o coração de paz.

Por isso, não veja toda perda como castigo. Perder uma posição, uma certeza confortável, um relacionamento, às vezes é Deus devolvendo o essencial que você perdeu justamente quando ganhou aquilo que agora está indo embora.

O perigo nunca foi perder coisas. O verdadeiro risco é se perder tentando segurar o que já passou. Há pessoas que perdem tudo e continuam inteiras. Outras ganham muito e se perdem por completo no processo.

Perder sem se perder é continuar sendo quem se é. É dormir em paz com a própria consciência e acordar em paz diante de Deus, mesmo quando o cenário da vida muda sem pedir permissão.

Às vezes, aquilo que parecia imprescindível vai embora para revelar que não sustentava tanto quanto prometia. Ficam menos coisas, é verdade. Mas ficam as certas.

No fim das contas, não é o que você ganha que te define, mas quem você se torna quando, aos olhos do mundo, parece que perdeu.

“De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Marcos 8,36) 

CUIDADO: SUA MENTE, ÀS VEZES, MENTE

A gente cresce acumulando convicções que nunca escolheu de verdade. São heranças emocionais: frases da família, marcas da escola, feridas de relacionamentos, discursos repetidos até virarem verdade. Tem gente que acredita que não vale nada porque um dia alguém disse isso. Outros acham que Deus é um carrasco porque conheceram uma religião sem misericórdia.

O problema é que aquilo que a gente junta na mente, muitas vezes nos mente. E quanto mais uma mentira se repete, mais ela soa como convicção. Política, religião, cultura, tudo influência. Muita coisa muda conforme a plateia. A verdade, não. 

Jesus não disse: “Eu tenho uma opinião”. Ele disse: “Eu sou a Verdade”. Isso muda tudo. Porque, se Ele é a Verdade, então tudo o que te afasta d’Ele pode até parecer certo, moderno ou sensato, mas não é. Muitas vezes, sua mente, mente. Te engana com argumentos bem-vestidos. 

Talvez o maior ato de fé hoje não seja aprender algo novo, mas desaprender aquilo que você chamou de verdade por tempo demais. Soltar convicções que nunca passaram pelo crivo do amor, da misericórdia e do Evangelho.

Nem tudo o que você pensa é verdade. Mas a Palavra de Deus permanece quando todo o resto muda. 

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8,32)

O QUE FALTA NO MUNDO TEM EM VOCÊ 

Quando Jesus disse que nenhuma folha cai de uma árvore sem um propósito, Ele não estava falando de botânica. Estava revelando um princípio profundo: nada é por acaso. Nem o pequeno, nem o invisível, nem o que parece descartável.

Se até uma folha caindo tem sentido, imagina uma vida inteira. 

Não existe a menor possibilidade de você ter sido criado sem propósito. Nenhuma. Cada pessoa carrega uma espécie de recado de Deus para o mundo. Algo que só você pode dizer, fazer, entregar. E se você não fizer, não será feito por mais ninguém.

É como um grande quebra-cabeça: cada um traz uma peça. Quando uma falta, o desenho nunca fica completo.

Por isso, cuidado com a omissão. Missão adiada, muitas vezes, vira missão abandonada. E quando você deixa de ser quem nasceu para ser, o mundo sente falta.

Você não veio apenas para sobreviver, pagar contas e passar despercebido. Veio para completar algo que só você pode completar. 

Talvez o mundo esteja carente exatamente daquilo que você acha pequeno demais em você. O que falta lá fora pode estar aí dentro, esperando sua coragem para existir. 

“Antes de formar-te no seio materno, eu te conheci.” (Jeremias 1,5) 

O ARMADO É MENOS AMADO 

Tem gente que anda pela vida como se usasse um colete à prova de bala no coração. Vive armada de desconfiança, ironia e do famoso “eu me viro sozinho”. Muitos foram traídos, enganados, feridos de verdade. Então decidiram: “Nunca mais”. 

O mundo ensina que baixar a guarda é fraqueza. Que precisar de alguém é retrocesso. São discursos que nascem de dores reais, mas empurram para uma solidão disfarçada de força. 

O problema é que quem vive sempre armado até afasta o inimigo, mas afasta também quem vinha em missão de paz. 

A prudência é necessária, mas deve ser no máximo, abrigo temporário, nunca moradia permanente. Relações exigem risco. Confiar exige coragem. Amar exige exposição.
Ninguém é amado de verdade vivendo com o dedo sempre no gatilho. 

Se curar não é se fechar para sempre. É reaprender a confiar com sabedoria, não com medo. 

Guarde isso: quem vive sempre armado perde muitas chances de ser amado. E às vezes, perde o amor tentando se proteger dele. 

“Quem não ama permanece na morte.” (1 João 3,14) 

DÊ AO SEU FILHO O DIREITO DE NÃO TER 

Quando eu tinha seis, sete anos, sonhava em ganhar um relógio. Meu pai podia comprar, mas colocou uma condição: se eu chegasse até a quarta série sem repetir de ano, ganharia o relógio. 

Ele tinha condições. Mas escolheu o “não” por um tempo. E aquele “não” me ensinou algo valioso: conquista tem sabor. 

Hoje muitos pais dizem, com orgulho: “Meu sonho é dar ao meu filho tudo o que eu não tive”. Cuidado. Ao dar tudo, você pode estar tirando algo essencial: o direito de não ter.
O não, na dose certa, ensina espera, frustração, resiliência e valor. Ensina que nem tudo vem fácil, e que isso não é castigo, é preparo. 

Não exclua da vida do seu filho a chance da conquista. Não roube dele o prazer do mérito. Amar não é facilitar tudo; é preparar para o mundo real. Seu filho tem direito a muitas coisas. Inclusive ao direito de não ter tudo agora. 

“Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes.” (Lucas 16,10) 

Por: Carlinhos Marques 

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já” 

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