RATOS NÃO FAZEM RATOEIRAS
Um rato, quando olha para o queijo numa ratoeira, faz as contas, pensa, mede a fome, avalia o risco e decide se vale a pena tentar. Às vezes erra, claro.
Mas o erro do rato nasce da necessidade de sobrevivência, nunca da crueldade.
O rato não deseja poder. Deseja sobreviver mais um dia. Ele vive no limite da urgência, não da ambição.
Nenhum rato acorda com sede de domínio, nem com plano de extermínio coletivo. Ele não sonha em controlar o mundo, só em continuar existindo dentro do mundo.
Nenhum rato pensa: “E se eu construísse uma ratoeira para pegar todos os ratos do mundo?”
Ele não investe bilhões em destruição. Não cria armas cada vez mais eficientes. Não transforma desejo de poder, em projeto estratégico.
Já o ser humano, o ser humano parece não querer morrer sozinho. Cria bombas capazes de “desligar” o mundo ligando um botão.
O rato calcula o perigo. O homem estuda como aprimorar o perigo. O rato pensa: “Ali pode dar morte.” O homem pensa: “Ali pode dar lucro.”
O rato não quer ser deus. O homem quer controlar tudo: o tempo, o outro, o futuro e até o que não entende. Tem inteligência suficiente para inventar coisas extraordinárias, mas falta sabedoria para perceber os limites da própria criação.
Se ratoeira trouxesse vida, talvez o rato já tivesse criado uma. Não criou. Não porque seja moralmente superior, talvez apenas porque seja menos idiota.
📖“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.” (Provérbios 9,10)
ALMA MOLE EM VIDA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE CURA
Ninguém é forte dentro de uma vida confortável demais. Conforto prolongado não fortalece, mas anestesia. Ele poupa a dor, mas também rouba o crescimento, a criatividade e a fé.
Existe um ditado antigo que diz: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.”
Mas ouvi uma versão ainda mais verdadeira: alma mole em vida dura, tanto bate até que cura. No começo, a alma reclama. Questiona Deus e o mundo, o destino e as próprias escolhas. Dói? Claro que dói. Mas vida dura não vem para destruir. Ela vem para fortalecer por dentro. Não é castigo, é treinamento. É musculação emocional. É academia da alma.
A vida aperta, insiste, empurra para além do limite. E você não quebra. Descobre forças que estavam adormecidas. Descobre que aguenta mais do que imaginava.
Se está pesado, é porque está criando resistência. Se dói, é porque algo está sendo curado.
Vida dura não deve te endurecer por fora, mas te tornar mais firme por dentro. No fim, não foi o sofrimento que venceu você. Foi você que saiu maior do que ele. Porque alma mole em vida dura, tanto bate, até que cura.
“Quando sou fraco, então é que sou forte.” (2Coríntios 12,10)
NÃO FOI TRAIÇÃO, VOCÊ QUE LEU ERRADO
“Como essa pessoa teve coragem de fazer isso comigo?”
Pode parecer duro, mas na maioria das vezes ninguém nos trai. O que acontece é um erro de leitura. Um erro de expectativa, de projeção e de idealização.
Criamos versões das pessoas dentro da nossa cabeça e depois cobramos que elas representem esse personagem. Quando não representam, chamamos de traição aquilo que é apenas frustração.
Quando você diz “estou apaixonado”, muita na verdade você está apaixonado pela ideia que criou, não pela pessoa real. A pessoa real pode corresponder, ou não.
Confiar em alguém é sempre confiar também na leitura que você fez dessa pessoa. No fundo, você confiou mais em si mesmo do que no outro. E quando a leitura falha, a dor aparece.
Quer nunca se decepcionar? Ame. O amor verdadeiro não exige garantias. Não cobra retorno. Não funciona como contrato emocional. Quem ama oferece.
E quem oferece não se frustra, porque nunca confundiu amor com investimento.
“O amor tudo suporta.” (1Coríntios 13,7)
ALGUÉM PRECISA FAZER ALGUMA COISA
Diante de situações difíceis, sempre surge aquele que diz: “É um absurdo, alguém precisa fazer alguma coisa.”
Essa frase é confortável. Ela reclama sem se comprometer. Critica sem se envolver. É uma forma elegante de parecer consciente, mas sem agir. Quando alguém diz “alguém”, automaticamente se exclui. Entrega a missão para um sujeito invisível que pode não aparecer.
O pessimismo vira desculpa para a inércia. É mais fácil dizer que nada pode ser feito do que correr o risco de tentar e falhar, porque falhar expõe, e expor revela limites.
O verdadeiro vagabundo existencial não é quem não trabalha. É quem se recusa a agir e se especializa em justificar por que não agiu.
O mundo não muda quando “alguém” faz alguma coisa. Muda quando alguém, e esse alguém pode ser você, decide parar de falar e começar a fazer.
“Sede praticantes da Palavra.” (Tiago 1,22)
DE JOELHOS DIANTE DE DEUS E DE PÉ DIANTE DOS PROBLEMAS
Na matemática, a ordem dos fatores não altera o produto. Na vida, altera tudo, inclusive o rumo da alma.
Muita gente inverte posições: fica de joelhos diante dos problemas e de pé diante de Deus. Discute com Deus, exige respostas, dúvida. E diante dos problemas, desmorona, paralisa, se entrega, fica de joelhos.
Ajoelhar-se diante de Deus não faz o problema desaparecer, mas realinha a alma, nos dá um eixo. E quem tem eixo, não cai, mesmo quando o chão treme.
Orar não é fuga. É fortalecimento interior. Ficar de pé diante dos problemas não é negar a dor, é enfrentá-la com dignidade, fé e coragem.
Aqui, sim, a ordem muda tudo, então: de joelhos diante de Deus e de pé diante dos problemas.
“Entrega o teu caminho ao Senhor.” (Salmo 36,5)
Por: Carlinhos Marques
Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”
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