
‘Devoradores de Estrelas’, superprodução protagonizada por Ryan Gosling, mistura ficção científica, suspense e humanidade ao narrar a missão de um homem solitário para salvar o Sol e a própria espécie.
@caroline_leidiane
Em cartaz no Novo Cine Votuporanga, “Devoradores de Estrelas” se impõe como uma das grandes apostas da ficção científica recente ao articular espetáculo visual, rigor científico e uma narrativa profundamente humanista.
Dirigido pela dupla Phil Lord e Christopher Miller, o longa adapta o best-seller homônimo de Andy Weir — autor de “Perdido em Marte” — e projeta no espaço uma história que, no fundo, trata da fragilidade e da engenhosidade humanas.
A trama acompanha Ryland Grace, interpretado por Ryan Goslin, um professor de ciências que desperta sozinho em uma espaçonave, a anos-luz da Terra, sem qualquer memória de sua identidade ou de como chegou até ali. À medida que recupera lembranças fragmentadas, ele descobre ser peça-chave de uma missão desesperada: investigar uma ameaça cósmica responsável pelo enfraquecimento do Sol, fenômeno capaz de extinguir a vida no planeta.

O roteiro de Drew Goddard constrói a narrativa em camadas, alternando o isolamento claustrofóbico do protagonista com revelações progressivas sobre o chamado “Projeto Fim do Mundo”. A ciência, longe de ser apenas pano de fundo, opera como motor dramático — cada equação, hipótese ou experimento conduz não apenas à sobrevivência da espécie, mas à reconstrução da própria memória e identidade do personagem.
Visualmente ambicioso, o filme se ancora em uma escala cósmica que contrasta com a solidão extrema de seu protagonista. Essa tensão entre o infinito e o íntimo é um dos eixos mais potentes da obra: o espaço surge como metáfora da condição humana, enquanto o conhecimento científico aparece como ferramenta de resistência diante do colapso iminente.
Outro elemento que surpreende é a inserção de Rocky, um ser extraterrestre cuja natureza desafia expectativas e amplia o horizonte narrativo do filme. Longe de qualquer construção caricatural, ele surge como uma inteligência radicalmente diferente — tanto em forma quanto em linguagem — e, ainda assim, capaz de estabelecer uma conexão genuína com o protagonista. Esse vínculo desloca a narrativa do eixo puramente técnico para um território emocional, sugerindo que, mesmo no vazio do universo, a cooperação entre espécies distintas pode ser a chave para a sobrevivência.
Com mais de duas horas e meia de duração e estrutura que combina suspense, humor e reflexão existencial, “Devoradores de Estrelas” confirma a tendência contemporânea de uma ficção científica que busca densidade sem abrir mão do entretenimento.
O resultado é um filme que não apenas projeta o espectador para fora da Terra, mas o obriga a encarar, em perspectiva, o próprio lugar da humanidade no cosmos.
Ficha Técnica
Título original: Project Hail Mary
Duração: 2h37min
Gênero: Aventura, Ação, Ficção Científica
Direção: Phil Lord, Christopher Miller
Roteiro: Drew Goddard
Elenco: Ryan Gosling, Sandra Hüller, Milana Vayntrub
Disponível no Novo Cine Votuporanga a partir desta sexta-feira (10) até 15 de abril, em sessão única, às 20h30.





