
Produtor cultural Tom Shake participa de agenda, na capital paulista, com mais de 50 lideranças, com foco em articulação, segurança e captação de recursos para fortalecer a Parada das Cores.
@caroline_leidiane
No último final de semana, entre os dias 20 e 22, a cidade de São Paulo sediou o 6º Encontro de Organizações de Paradas LGBT+ do Estado de São Paulo, reunindo mais de 50 lideranças, ativistas e organizadores em torno de uma agenda estratégica: fortalecer as Paradas como espaços de mobilização política, articulação de direitos e resistência.
O evento, promovido pela APOLGBT-SP no auditório do Hotel Nacional Inn Jaraguá, teve como foco a troca de experiências, o aprimoramento da organização dos eventos e a construção coletiva de diretrizes voltadas à segurança, captação de recursos e incidência em políticas públicas.
A iniciativa integra o calendário preparatório para a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para 7 de junho.
Entre os participantes, esteve o votuporanguense Tom Shake, contribuinte social, produtor cultural, agente de direitos humanos e um dos organizadores da Parada das Cores, que atuou como anfitrião do encontro.

Segundo ele, a diversidade de realidades representadas no evento foi um dos principais pontos de fortalecimento das discussões.
“Essa diversidade permite uma troca muito qualificada, porque coloca em diálogo experiências em diferentes níveis de organização — desde eventos em construção até paradas já consolidadas”, afirma.
Tom destaca que um dos aprendizados centrais foi a necessidade de estruturar as Paradas de forma mais contínua e estratégica.
“O principal aprendizado foi perceber um movimento de maior estruturação desses eventos, com discussões sobre planejamento, fortalecimento institucional e formas mais sustentáveis de organização. Um ponto urgente é compreender a Parada não apenas como um evento pontual, mas como uma ferramenta contínua de mobilização social”, diz.
Organização, segurança e sustentabilidade
A programação incluiu palestras, oficinas e rodas de conversa que abordaram desde comunicação política até protocolos de segurança e modelos de financiamento. Para Tom, o encontro trouxe avanços práticos que devem impactar diretamente a próxima edição da Parada das Cores em Votuporanga.
“A programação foi bastante ampla, com três dias de atividades intensas. O encontro funciona como um ambiente real de formação e qualificação. Essas trocas mostram que, mesmo respeitando as particularidades do interior, é possível avançar com mais organização e estratégia, qualificando a Parada das Cores como um espaço cada vez mais relevante para a cidade”, pontua.
Ele ressalta que o acesso a informações técnicas foi um ganho expressivo.
“Saímos com práticas muito concretas. Um dos principais avanços está na compreensão mais técnica dos processos burocráticos e institucionais. Muitas vezes, o desafio não é a falta de iniciativa, mas o desconhecimento sobre como acessar os caminhos corretos dentro do poder público”, explica.
Ainda de acordo com ele, houve avanços na discussão sobre viabilidade dos eventos e articulação com diferentes setores.
“Foram discutidos modelos mais organizados de captação de recursos, estratégias para dar mais sustentabilidade ao movimento social e protocolos de segurança que envolvem planejamento preventivo e articulação com setores públicos”, completa.

Impactos para Votuporanga
A participação no encontro também reforça o posicionamento de Votuporanga no cenário regional e estadual, segundo o organizador.
“Votuporanga já ocupa um lugar de referência na região e em diversos contextos também no cenário estadual e nacional, resultado de um trabalho contínuo, construído de forma coletiva”, salienta.
Ele aponta que a Parada das Cores tem expandido sua atuação ao longo dos anos, incorporando novas frentes e aprofundando seu papel no debate público local.
“A Parada se consolidou como uma iniciativa que avançou para além do formato tradicional, incorporando pautas como saúde, educação, segurança pública e acesso a direitos”, observa.
Ao participar de um espaço que reúne lideranças de diferentes regiões do estado, a troca de experiências e metodologias passa a ter efeito direto na qualificação das iniciativas locais.
“Esse intercâmbio impacta diretamente a organização da Parada das Cores, permitindo um aprimoramento técnico desde o planejamento até a execução, além de fortalecer parcerias e potencializar ações já consolidadas”, avalia.
Fórum Brunna Valin marca avanço político
Inserido na programação como um dos eixos centrais do encontro, o lançamento do Fórum São Paulo de Travestis e Transexuais – Brunna Valin evidencia uma inflexão no próprio movimento, ao priorizar a organização política da população trans dentro de uma agenda mais estruturada de incidência pública.
A criação do espaço responde a um contexto de vulnerabilidade histórica e busca consolidar uma articulação ativa permanente entre lideranças, organizações e territórios, com capacidade de influenciar políticas e ampliar a representatividade nos processos decisórios.
“O lançamento do Fórum marca um avanço na organização política da população trans no estado. A iniciativa surge como um espaço estruturado de articulação entre lideranças e organizações, com foco na construção, qualificação e incidência de políticas públicas”, frisa.
A participação de Tom no encontro contribui diretamente para a expansão da Parada das Cores, ao incorporar novas referências de planejamento e ampliar a articulação com outras iniciativas do estado, reforçando seu papel no debate público local e sua sintonia com as demandas contemporâneas da população LGBTQIA+.




