‘Queria tentar salvá-la’, diz irmã de mulher com Covid que morreu à espera de leito em Riolândia

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Vítima de 40 anos, chegou a ser internada na Santa Casa, mas não resistiu. A Santa Casa de Riolândia/SP não tem leito de UTI, apenas dois respiradores para estabilização. Os pacientes mais graves são transferidos para Votuporanga/SP ou outras cidades da região por meio de vagas disponibilizadas.


“É angustiante saber que uma pessoa da sua família precisa de uma vaga e não consegue. A gente queria tentar salvá-la, mas não tinha como. É muito triste escutar que o médico fez de tudo para salvar minha irmã, mas não conseguiu”. 

O desabafo é da faxineira Eliane Cristina de Oliveira, que perdeu a irmã de 40 anos, no sábado (6), para o Coronavírus, em Riolândia/SP. Rita de Cássia Ribeiro da Costa, foi levada à Santa Casa, onde recebeu atendimento médico. Contudo, não resistiu às complicações provocadas pela doença antes de ser transferida para uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). 

A Santa Casa de Riolândia não tem leito de UTI, apenas dois respiradores para estabilização. Os pacientes mais graves são transferidos para Votuporanga ou outras cidades da região por meio de vagas disponibilizadas pela Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde. 

Segundo Célia Correia Pugas Paz, diretora municipal de Saúde, Rita deu entrada no hospital na manhã de sexta-feira (5) já debilitada. “Ela tinha diabetes, problemas cardíacos e seu último exame deu tudo alterado. Rita morreu por volta de 9h30 da manhã de sábado (6) na espera de um leito de UTI Covid.” 

A diretora informou que a paciente foi atendida na Santa Casa de Riolândia por quatro médicos e três enfermeiros enquanto aguardava a transferência. 

Internação e Morte

Rita começou a apresentar os sintomas associados à Covid-19 em 28 de fevereiro. Quatro dias depois, ela foi levada para a emergência da Santa Casa de Riolândia, onde recebeu medicação e voltou para casa. 

“Ela foi fazer o exame na sexta-feira e desmaiou no portão. O motorista da ambulância a pegou e a levou para o hospital. Minha irmã deu entrada com falta de ar. Tentaram vaga, mas não conseguiram. Assim foi a luta”, afirma a irmã. 

Segundo a faxineira, Rita recebeu todos os atendimentos possíveis, mas a saturação dela não se estabilizava. 

“Se tivesse uma vaga, às vezes, a gente conseguiria salvar minha irmã. Ela tentou vaga até em cidades mais longe, mas não conseguiu. Ela teve três paradas cardíacas e morreu no sábado”, conta. 

“Peço que todos fiquem em casa. Todo mundo fala que a doença não existe. Mas ela existe e leva quem a gente mais ama. Se cuidem para não acontecer com você ou sua família”, complementa Eliane. 

Em nota, a Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) informou que a paciente estava clinicamente instável, em estado grave, sem condição de transferência segura. 

A Secretaria de Saúde Estadual também ressaltou que Rita tinha histórico de comorbidades como diabetes e hipertensão, o que contribuiu para a rápida evolução à óbito, pouco mais de 24h após o pedido da unidade de Riolândia. 

*Com informações do G1