Professora é afastada após falas políticas e comentários discriminatórios em sala de aula 

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Professora foi afastada da função em Potirenbada/SP — Foto: Reprodução/Câmera de segurança

“Claro que iria [morrer], você está lá com um pezinho na senzala”, afirmou a professora gravada em uma escola municipal de Potirendaba/SP. Servidora profere associações políticas e declarações consideradas racistas e intimidatórias a alunos de 11 anos.


Uma professora da rede municipal de Potirendaba/SP foi afastada das funções após fazer comentários de cunho político e declarações consideradas discriminatórias durante uma aula para alunos de 11 anos. A decisão foi anunciada pela Prefeitura nesta quarta-feira (21.out), após a análise de imagens registradas por uma câmera de segurança da sala de aula.

Segundo a administração municipal, o caso chegou ao conhecimento da prefeita Gislaine Montanari Franzotti após a mãe de uma aluna relatar que a filha voltou para casa emocionalmente abalada e chorando em razão do conteúdo das falas atribuídas à professora.

Nas imagens, a servidora comenta sobre um possível cenário político no Brasil e associa um eventual regime fascista a lideranças da direita brasileira. Durante a conversa, ao explicar o tema aos estudantes, a professora também faz comentários envolvendo características físicas e raciais dos alunos.

Em um dos trechos registrados, ela afirma que, em um suposto regime semelhante ao descrito, apenas pessoas brancas e ricas sobreviveriam. Em seguida, aponta estudantes da sala para exemplificar quem estaria ou não nesse grupo. Quando uma criança pergunta se morreria nessa situação, a professora responde com uma referência à escravidão, declaração que motivou forte repercussão entre pais e responsáveis.

Segundo a professora, se um dos candidatos à presidência vencer, o país poderá sofrer as consequências de um regime ditatorial: “Se o nazismo acontecesse hoje, ou se algum governo com o qual a gente corre esse risco, né. A gente corre muito o risco de o país virar um fascismo”, disse a mulher.

Em seguida, um dos alunos pergunta o que é fascismo, e a professora responde: “É extrema direita, que prega Deus, pátria e família”, diz a mulher.

Na sequência, outro aluno indaga se é a mesma coisa que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) defende.

“Mesma coisa. É o que o Flávio Bolsonaro e o Bolsonaro querem fazer. Então, a gente corre o risco de entrar em uma era dessa, só de brancos e ricos”, comenta a professora.

A servidora aproveita a ocasião e diz aos alunos que, dentro desse contexto, poucos dos que estavam na sala de aula sobreviveriam. Ela aponta alguns que estariam em situação de risco: “Ia sobreviver pouca gente. Oh, você ia morrer, pois você é parda [..] Ela não, ele não, pois é loirinho de olho claro”, comenta.

Ao ouvir o pronunciamento, uma criança ainda questiona: “Professora, então eu ia morrer, né?”

A suspeita responde: “Claro que iria, você está lá com um pezinho na senzala”. A mulher ainda disse que o regime proposto pelo candidato é a mesma coisa que Benito Mussolini fez na Alemanha e Adolf Hitler fez na Itália.

Diante do ocorrido, a Prefeitura determinou o afastamento imediato da servidora e instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta relatada.

Em nota oficial, o município informou que também acionou órgãos competentes, entre eles o Ministério Público do Trabalho e a Justiça da Infância e Juventude, para adoção das providências cabíveis.

A administração municipal afirmou que não compactua com qualquer forma de discriminação, intimidação ou constrangimento no ambiente escolar e destacou que o debate de temas históricos deve ocorrer com responsabilidade pedagógica, respeito e proteção ao desenvolvimento emocional dos estudantes.

A identidade da professora não foi divulgada. Até o momento, não havia manifestação da defesa sobre o caso.

As investigações administrativas seguem em andamento.