Pleno do STJD aumenta pena de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, para três jogos de suspensão 

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Abel Ferreira em Palmeiras x LDU — Foto: Marcos Ribolli

Técnico foi julgado depois de pedido de efeito suspensivo. Decisão não cabe recurso e gera incômodo no clube, que a considera desproporcional.


O Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aumentou para três jogos a suspensão de Abel Ferreira. A decisão ocorreu após julgamento do efeito suspensivo do técnico do Palmeiras, na manhã desta sexta-feira, e gerou incômodo no clube.

Abel recebera duas partidas de gancho na 3ª Comissão Disciplinar do STJD, por chutar um microfone na beira do campo durante o empate com o Mirassol. O clube entrou com efeito suspensivo e aguardou a análise do pleno sobre o caso. Agora não há mais possibilidade de recurso.

Com isso, o treinador não poderá comandar o Palmeiras nas próximas três partidas no Campeonato Brasileiro, contra São Paulo (neste sábado, às 18h30), Grêmio e Bahia, esta em outubro, depois da Data Fifa.

O ato do treinador foi interpretado pela Procuradoria como conduta antidesportiva presente no artigo 258 do Código Brasileira de Justiça Desportiva, com pena de um a seis jogos de suspensão. Por maioria dos votos, a 3ª Comissão do STJD havia aplicado dois jogos de gancho a Abel.

O técnico inicialmente cumpriria o gancho nos jogos contra Botafogo e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro. O Palmeiras entrou com o pedido de efeito suspensivo e conseguiu que seu treinador ficasse à beira do campo na partida contra a equipe carioca.

No julgamento do pleno nesta sexta, Marcelo Mendes, procurador-geral do STJD, iniciou refutando a decisão da 3ª Comissão quanto a retirar a denúncia para João Vitor Gobi, árbitro do jogo, Roger Goulart, quarto árbitro, e Ilbert Estevam da Silva, VAR da partida. 

Na sequência, reforçou a necessidade de punição a Abel Ferreira pelo ato. Para ele, uma infração clara à ética desportiva e com necessidade de pena maior do que dois jogos, levando a seis partidas de suspensão, o máximo do artigo em que foi a denúncia foi feita.

André Sica, chefe jurídico do Palmeiras no caso, sustentou que o caso não deveria ser enquadrado no artigo 258. O advogado argumentou que a equipe de arbitragem analisou o caso em campo e não viu gravidade no fato. Por isso, não era necessário punição: “Estamos querendo mudar o Abel Ferreira (no julgamento). Estamos julgando a pessoa, não o fato”, declarou Sica.

“Não precisamos tratá-lo como monstro, temos que tratá-lo como um ser humano extremamente capaz, genial na condução de equipe, em montagem de equipe, multicampeão, maior técnico da história do Palmeiras, mas que tem o coração quente. Isto faz com que ele chute um copinho de água, um microfone, esbraveje. Dar um chute em um objeto, sem atrapalhar o espetáculo, sem insultar ninguém, não há necessidade de punição”,  reforçou.

Sica terminou sua argumentação pedindo que Abel fosse absolvido ou no mínimo recebesse a pena mínima de um jogo, convertida em advertência.

Antonieta da Silva, relatora do processo, iniciou sua explanação na sequência. Ela defendeu a punição de 30 dias de punição para João Vitor Gobi convertida para advertência, além de aumentar a pena de Abel para três jogos.

Após votação, definiu-se pela advertência ao árbitro do jogo e o aumento para três jogos de suspensão ao comandante do Palmeiras. 

Clube vê decisão desproporcional 

Palmeiras não se manifestou após o resultado do STJD, mas pessoas ligadas ao clube relataram incômodo com a decisão. Entende-se que a punição foi desproporcional e feriu a isonomia, já que outros treinadores foram julgados por infrações disciplinares e não levaram gancho.

Cita-se ainda dentro da Academia de Futebol que o relator do processo em primeira instância havia considerado a denúncia improcedente, pois a equipe de arbitragem analisou o caso e optou por não dar cartão a Abel Ferreira.

O treinador já recebeu neste ano seis jogos de suspensão também do Pleno do STJD, uma sanção que o Palmeiras considera sem precedentes em casos parecidos.

Apesar da discordância quanto à pena, o clube mantém conversas com Abel quanto ao seu temperamento e não está de acordo com todas as suas ações. O próprio treinador já admitiu a necessidade de mudar a postura na beira do campo.

*Com informações do ge