Pesquisadores alertam para a segunda onda da Covid no Brasil

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Embora alguns pesquisadores prefiram não usar o termo “segunda onda”, é unanimidade que a epidemia tem piorado no estado mais populoso do País

Hospitais de elite na cidade de São Paulo vêm registrando forte aumento nas hospitalizações por covid-19 ao longo do último mês.

O país é o terceiro do mundo em número de doentes, atrás de Estados Unidos e Índia

 

Pesquisador da USP diz que Brasil já vive a segunda onda da Covid-19

 

Andrea Anciaes

Desde o início da pandemia, os virologistas já alertavam esse possível acontecimento e deixaram como recomendação manter os cuidados sugeridos pelos órgãos de saúde pública, mesmo que haja um achatamento na curva de infectados.

De acordo com o pesquisador Domingos Alves; responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. O Brasil já está vivendo a segunda onda de covid-19.

De acordo com Alves, o Brasil está vivendo, assim como a Europa e os Estados Unidos, uma nova onda de contágios, segundo as taxas de reprodução (Rt) do coronavírus no país, que indica que a pandemia voltou a crescer.

Segundo dados do Ministério da Saúde; o país registra 5.947.403 casos confirmados de covid-19; além disso 167.497 pessoas tiveram óbito confirmado pela doença. Ainda assim, 5.389.863 pessoas já estão recuperadas. Nas ultimas 24 horas, foram confirmados 34.091 casos de covid; com 756 mortes.

De acordo com dados do MS, a média móvel da Rt do Brasil está acima de 1 desde o dia 11 de novembro. Ou seja, há quase uma semana. O índice não ultrapassava esse patamar desde o dia 10 de agosto.

Entretanto depois de três meses de contração, a pandemia lamentavelmente voltou a crescer no país, caracterizando a segunda onda identificada. Um aumento nos últimos 10 dias de 208% totalizando uma média móvel de 28.425 novos casos disse Alves.

Por enquanto, os aumentos na capital paulista só foram percebidos em alguns hospitais privados como o Hospital Sírio Libanês e o Albert Einstein.

Se a rede pública ainda não está lotada, isso pode vir a acontecer em breve. Márcio Bittencourt, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, nota que nos hospitais públicos as taxas não subiram, mas deixaram de cair: vinham recuando mês a mês e estagnaram em novembro. E, quando se olha apenas para os leitos de UTI, houve aumento. O mesmo vale para o número de pessoas em ventilação mecânica na rede pública municipal.

Na semana passada, conforme ‘ o último boletim do InfoGripe, que monitora as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave e covid-19: havia sinais de crescimento em nove capitais.

Alguns cálculos indicam que a situação da pandemia em certos lugares do Brasil já está se agravando agora, quase como se estivéssemos emendando a primeira e a segunda onda.

Confira abaixo sete ações que podem fazer a diferença na força que uma segunda onda terá no Brasil:

  1. Melhorar o acesso e a qualidade dos dados.
  2. Considerar as realidades locais.
  3. Ampliar as testagens.
  4. Isolar e rastrear contatos.
  5. Coordenar as ações.
  6. Divulgar orientações claras sobre as medidas básicas de proteção.
  7. Se antecipar à dinâmica da doença (e ao comportamento das pessoas).

 

Conforme avalia o pesquisador da USP, nem os EUA e nem o Brasil alcançaram um real controle da pandemia. Como resultado, é possível observar uma sobreposição entre as duas ondas. “Nunca conseguimos controlar a transmissão comunitária”, explica Alves. Para o controle da COVID-19, as autoridades de saúde precisão contornar a questão da subnotificação, ele alerta.