Os perigos ocultos da flexibilização do Covid 19

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Por Andrea Anciaes –

As medidas de isolamento social no município, assim como o fechamento do comércio local são importantíssimas principalmente no momento em que o país se tornou o epicentro da Covid 19.

Menos de um mês depois da abertura do comércio para o dia das Mães, em meio a informações desencontradas o aumento do número de casos de pessoas contaminadas é incontestável.

Segundo autoridades sanitárias do país, orientações médicas, orientações da OMS e de pesquisadores de grandes instituições conceituadas no país como por exemplo, a FIOCRUZ o afrouxamento do isolamento é extremamente preocupante é não deveria ocorrer nesse momento.

Como a infecção pelo novo coronavírus pode ser assintomática ou só desencadear sintomas depois de duas semanas, baixos números de casos registrados podem dar a falsa impressão de segurança. Aqui no município houve um aumento de casos grande, na última semana são mais 28 de infectados o que sobrecarregou o sistema de saúde local, hoje 90% dos leitos de UTIs da Santa Casa estão sendo usados. Se houver um aumento no número de casos de pessoas contaminadas será que nosso município teria leitos de UTIs suficiente para atender a população? E se o nosso município não estiver preparando para uma situação emergencial de aumento de casos como ficariam as pessoas contaminadas que sequer possuem um plano de saúde? Quem assumiria o risco de uma situação emergencial?

Dessa forma, localidades que resolvam relaxar suas medidas de isolamento antes de uma queda consistente do número nacional de contaminações podem ser surpreendidas por um súbito aumento posterior dos casos, com pressão sobre os sistemas de saúde. É o que vem acontecendo por exemplo em muitas cidades do país como Campinas, no estado do Rio de Janeiro, Paraíba e a grande maioria do Estado de São Paulo.

Particularmente eu sou contra a flexibilização da abertura do comércio assim como o isolamento porque a maior parcela da população sequer está sendo testada, e os cenários podem mudar rapidamente, dada a alta taxa de transmissibilidade do vírus. Um vírus que além de ser desconhecido e letal sofre mutações ainda desconhecidas, falo isso como Bióloga que sou.

Como munícipe gostaria de saber se algum político da cidade hoje seria capaz de garantir que os leitos do município são suficientes para o tratamento de todos os contaminados que venham a ter complicações?

Governos buscam soluções para garantirem efetividade aos seus decretos de quarentena e isolamento. Entre as estratégias já adotadas sugiro abordagens de convencimento, mas também de coerção, assim como multas e detenções para quem burlar decretos para a segurança da população colocando em risco nosso município.

Diante disso a retomada nesse momento de pico do contágio do vírus é totalmente irresponsável e prematura.

É insuficiente ainda o investimento em campanhas locais que promovam o engajamento da população e conscientização para adesão às medidas preventivas. Infelizmente não existe um alinhamento de opiniões a nível Federal, Estadual e Municipal o que faz com que a população não tenha segurança em relação a nada no atual momento que possa garantir ações efetivas de fato em relação ao vírus.

Lembrem-se que a transmissão da doença é rápida, mas a evolução pode ser muito lenta, é preciso que a população esteja bem adaptada ao novo cenário e às condições necessárias para retomar as atividades em segurança.

 

  • Andrea Anciaes é Bióloga e reside em Votuporanga