O que 2026 nos reserva?  

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Christiano Guimarães - Consultor em Segurança da Informação - Foto: Reprodução

Já reparou que até as promoções de pastel agora pedem CPF, celular, nome da avó e, se deixar, senha do Wi-Fi? Pois é. O mundo digital está de olho em você — e não é novidade. A diferença é que em 2026, a coisa ficou mais sofisticada. E perigosa também.

Se no passado a gente caía em golpe por abrir e-mail de príncipe da Nigéria, hoje o perigo vem mais bem vestido: mensagem que parece do banco, da loja onde você comprou ontem, até do chefe. E não é mágica, é tecnologia. Mas vamos por partes. 

Todo mundo está mais esperto. Inclusive os golpistas.

Você já ouviu falar de inteligência artificial? Aquele negócio que cria imagem, responde mensagem, faz vídeo… Pois agora essa “inteligência” está sendo usada pra aplicar golpe também.

Tem bandido que usa IA pra copiar a voz do seu chefe, do seu filho, da empresa. Te manda áudio pedindo um Pix “urgente” — e parece real. É golpe com trilha sonora personalizada. 

Em 2026, os golpes vão continuar, mas com cara de gente conhecida. Não vai ter mais e-mail cheio de erro de português — vai ter mensagem “profissional”, com logotipo e tudo. E se você não prestar atenção, cai do mesmo jeito.

“Mas minha empresa é pequena, ninguém vai querer me hackear”

Essa frase é o equivalente digital de deixar a porta da casa aberta porque “só tem coisa velha lá dentro”. Golpista não quer saber se você é MEI ou multinacional — ele quer CPF, cartão salvo, conta bancária, e se bobear até a agenda de cliente. 

E o pior: a maioria dos ataques acontece porque alguém clicou onde não devia. Um link no WhatsApp, um site desconhecido, um Wi-Fi gratuito em evento. Pronto. Tá feita a lambança. 

E a tal da LGPD? Vai apertar, sim senhor. 

A Lei Geral de Proteção de Dados vai ganhar ainda mais força este ano. O que antes era só conversa de advogado agora vira exigência real. 

Empresas grandes e pequenas vão precisar mostrar que protegem os dados dos clientes. Não basta mais colocar uma plaquinha de “Seus dados estão seguros com a gente” no balcão. Tem que provar, tem que organizar, tem que saber o que está coletando e por quê. 

E se você não tiver ideia do que faz com os dados que coleta no cadastro da loja, talvez seja hora de parar de anotar CPF em caderno de capa dura. 

Segurança digital virou parte da rotina, tipo passar desodorante 

Quer uma dica simples e que vale pra todo mundo? 

  • Desconfie de links bonitos demais pra serem verdade. 
  • Use senhas decentes, nada de “123456” ou “deuséfiel”. 
  • Não clique no link do WhatsApp que diz que “você ganhou um carro”, ou algo do gênero. 
  • Cuidado com Wi-Fi aberto: é bom pra economizar internet, mas ótimo pra vazar seus dados também. 
  • E, se você é empresário, pare de anotar senha num post-it colado no monitor. 

E o que mais vem por aí em 2026? 

  • Mais golpe com cara de gente séria. 
  • Mais empresas sendo cobradas por proteger dados de verdade. 
  • Mais clientes exigindo clareza sobre o que você faz com o nome e o CPF deles. 
  • E mais dor de cabeça pra quem ainda acha que segurança digital é coisa de “empresa grande”.

Resumo da ópera? 

2026 é o ano de parar de dar desculpa e começar a cuidar melhor da vida digital. Seja você um lojista do centro, um motoboy que recebe Pix ou um aposentado que adora promoção. 

Porque o mundo pode mudar, as tecnologias podem evoluir, mas uma coisa é certa: golpista adora quem não presta atenção.

Christiano Guimarães

Consultor em Segurança da Informação

Autor do Livro: Como Adequar Minha Empresa à Lei Geral de Proteção de Dados – Um Guia Prático