Nos últimos dias, dois casos chamaram atenção na região e não foram coincidência.
Em Votuporanga, um golpista se passou por médico e entrou em contato com os pais de uma criança que havia acabado de receber alta da Santa Casa de Votuporanga. Sabia o nome, sabia a situação e usou o momento de fragilidade da família para pedir dinheiro.
Em São José do Rio Preto, outro criminoso se passou por gerente de banco e conseguiu arrancar R$ 12 mil de um vendedor, usando informações suficientes para soar legítimo e convincente.
Esses golpes têm algo em comum: ninguém sai ligando no escuro.
O criminoso só age com tanta segurança porque alguém deixou dados escaparem.
Nome, telefone, histórico de internação, profissão, banco, rotina.
Nada disso deveria circular livremente. Mas circula.
E aqui está o ponto que muita gente ainda não quer encarar:
golpe hoje é consequência direta de vazamento de dados, não de ingenuidade da vítima.
O discurso de “a pessoa caiu porque foi desatenta” já não se sustenta.
Quando o criminoso sabe quem você é, onde esteve, com quem falou e qual emoção explorar, a fraude deixa de ser genérica e vira engenharia social cirúrgica.
Hospitais, clínicas, bancos, empresas, comércios, prestadores de serviço e até pequenos negócios da região lidam diariamente com dados sensíveis — e muitos ainda tratam isso como detalhe operacional. Não é.
LGPD não foi criada para multar empresa.
Foi criada porque dados vazados viram arma.
Enquanto empresas pequenas e médias acharem que “ninguém vai se interessar pelos meus dados”, golpes como esses vão continuar crescendo. O criminoso não escolhe pelo tamanho da empresa. Escolhe pelo nível de desorganização.
No fim das contas, não é tecnologia de ponta que impede esse tipo de crime.
É o básico bem feito: controle de acesso, orientação de equipes, processos claros e responsabilidade sobre a informação que se coleta.
Quem não cuida dos dados que guarda, acaba ajudando — mesmo sem querer — quem vive de explorar o próximo.
E aí vale a reflexão:
se esses golpes chegaram tão perto, é porque alguém deixou a porta aberta.
Pintar a fachada não resolve quando o cofre está destrancado.
*Christiano Guimarães – Consultor em Segurança da Informação





