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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), diz que o Estado pode pagar uma indenização às vítimas; casos foram em Taquaritinga.
Um mutirão de cirurgias de catarata em Taquaritinga/SP, deixou 12 pacientes cegos. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou neste domingo (9.fev), que abriu investigação para apurar rigorosamente os procedimentos, realizados em 21 de outubro no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) do município.
De acordo com a secretaria, todos os profissionais que atuaram nos atendimentos foram afastados e os pacientes estão recebendo suporte de equipes especializadas em unidades de referência, incluindo tratamento e medicamentos necessários.
Uma comissão especializada do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) irá acompanhar os pacientes.
Segundo a Prefeitura de Taquaritinga, o AME é gerido por uma OS contratada pelo governo estadual. Em outubro de 2024, o serviço identificou que dez pacientes que haviam realizado cirurgias oftalmológicas tiveram complicações e encaminhou o grupo para outra unidade, também estadual.
Diante do caso, equipes de Vigilância Sanitária realizaram uma visita técnica no AME. “Nessa visita, foram identificadas algumas inadequações na Sala de Materiais e Esterilização do local e, naquele momento, optou-se pela interdição dessa sala”, informou a administração municipal.
Ainda de acordo que a gestão municipal, os pacientes estão em acompanhamento no serviço de oftalmologia da Santa Casa de Araraquara.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse no sábado (8) que analisa pagar uma indenização aos pacientes que ficaram cegos. O governo estadual só soube do caso em janeiro, depois que a organização social Santa Casa de Franca, responsável pela administração do Ambulatório Médico de Especialidades de Taquaritinga, comunicou o ocorrido.
“Como as cirurgias foram realizadas no mesmo dia, há indicativo que possa ter havido algum problema, alguma contaminação. O importante agora é apurar o que aconteceu e dar assistência total a essas pessoas. A ideia do Estado é entrar com uma indenização administrativa para essas pessoas e, obviamente, cobrar a responsabilidade da Organização Social”, disse Tarcísio.
“Precisamos compreender todo o contexto para tomar as medidas necessárias e evitar que situações como essa se repitam. Neste momento, nosso foco é prestar todo o auxílio e assistência às pessoas que estão sofrendo com esse problema. Ainda não sabemos ao certo se o problema foi causado por material inadequado ou contaminação, mas vamos investigar a fundo para tomar as medidas corretivas e garantir que isso não aconteça novamente”, completou o governador.
Polícia apura o caso
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que, até o momento, foi registrado um boletim de ocorrência, de natureza não criminal, sobre o caso.
O documento foi registrado na Delegacia de Santa Ernestina na última segunda-feira, 3, por um homem de 66 anos. “A autoridade policial apura os fatos e está à disposição das demais vítimas visando ao devido esclarecimento do ocorrido”, disse a SSP.
Casos semelhantes
Em outubro do ano passado, após infecções oculares no Rio Grande do Norte, entidades médicas divulgaram orientações para mutirões de cirurgias. Na ocasião, 15 pacientes contraíram infecção bacteriana e nove deles tiveram de remover o globo ocular devido à gravidade das complicações.
Na época, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) emitiu um alerta sobre a urgência de reforçar o controle das normas éticas, técnicas e sanitárias em mutirões de cirurgias oftalmológicas.
Para orientar a realização segura dos mutirões, a entidade lançou o Guia de Mutirões de Cirurgia Oftalmológica, elaborado com o apoio técnico do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O documento oferece informações para gestores, contratantes, organizadores, médicos e pacientes.