Mudança de horários do transporte público gera protesto na Câmara 

3
Mudança de horários do transporte público gera protesto na Câmara – Foto: Jorge Honorio/Diário de Votuporanga

Um grupo composto por cerca de 10 trabalhadoras esteve na Casa de Leis nesta segunda-feira (27), de forma pacífica e ordeira, para pedir que as alterações em vigor desde 18 de maio sejam revistas. Procurada, a Prefeitura de Votuporanga não respondeu aos questionamentos.


Jorge Honorio
[email protected]

As galerias da Câmara Municipal de Votuporanga/SP voltaram a ser palco de protestos nesta segunda-feira (27.jul). Desta vez, durante a 25ª sessão ordinária, um grupo composto por cerca de 10 trabalhadoras esteve na Casa de Leis, de forma pacífica e ordeira, munidas de cartazes, para pedir que as alterações em vigor desde 18 de maio sejam revistas. 

No local, as manifestantes expressaram o descontentamento com o ajuste operacional realizado pela Prefeitura de Votuporanga e a concessionária responsável pelo transporte coletivo urbano, Expresso Itamarati S/A., medida que, segundo a Administração Pública, possuía objetivo de adequar os tempos de percurso à atual realidade do trânsito urbano, garantindo maior eficiência e pontualidade no atendimento aos usuários.

De acordo com a empresa, o transporte coletivo é uma atividade dinâmica e exige constantes adaptações operacionais para acompanhar o crescimento da cidade, o aumento do fluxo de veículos e as mudanças nos itinerários. Esses fatores impactam diretamente o tempo de deslocamento dos ônibus e a regularidade das viagens. 

Diante deste cenário, foi elaborada uma nova tabela horária com redimensionamento dos tempos de ciclo das linhas, buscando absorver as variáveis do trânsito e assegurar o cumprimento integral das viagens programadas. 

A proposta prevê ajustes operacionais voltados à ampliação da segurança operacional tanto para funcionários quanto para usuários do sistema, além de assegurar maior rigor no cumprimento dos horários, minimizando os impactos causados pelo tráfego atual. As adequações também têm como finalidade otimizar o atendimento prestado à população, alinhando a oferta do serviço à realidade operacional enfrentada diariamente pelo transporte coletivo urbano. 

Os novos ajustes passaram a vigorar no dia 18 de maio, nas linhas: Belo Horizonte, Assary, Eldorado, Santa Amélia, Nova Esplanada, Noroeste, Pozzobon, Estação e Simonsen. 

De acordo com uma das manifestantes ouvidas pelo Diário, Solange explicou que no caso de parte do grupo na qual ela integra, a mudança gerou prejuízos: “Olha, o problema é na linha Eldorado, que passa lá a gente mora. A gente precisa sair de madrugada, tiraram o outro ônibus que a gente vinha para o trabalho. Agora tem que sair mais cedo e chegando aqui na Praça, eu pegava outro para chegar ao trabalho, hoje já não pego mais, tiraram também, aí eu ando quatro quilômetros e meio até o meu serviço. Não é um favor, é pago, é R$ 4 para ir e R$ 4 para voltar.” 

“A gente já chega cansada no trabalho. Conheço umas quatro pessoas que perderam seus empregos porque com a mudança que fizeram aí, passaram a chegar atrasadas e a patroa mandou embora. A gente precisa do serviço, não pode perder o emprego assim. Então, para não perder também eu vou a pé. A mudança não ajudou quem trabalha. Se tem alguém sendo beneficiado nessa mudança não foi a gente”, emendou. 

Outra manifestante explicou que a alteração afetou diretamente trabalhadores na ida e na volta para casa: “Prejudicou muito quem vem para trabalhar no comércio, consultórios, casa de família, bagunçou para ir e para voltar. Na hora de ir embora a gente fica na Praça por horas esperando, e de uns tempos para cá tem ficado perigoso, um pessoal estranho rodeando. A gente não sabe, fica com medo de acontecer alguma coisa. Tenho uma amiga que dorme dentro do ônibus, de cansaço, essa mexida que deram aí na linha Eldorado, para os lados do Monte Verde, prejudicou muito mesmo. Era para gente tá em casa cuidando da família e a gente tá aqui pedindo ajuda, pedindo que alguém mude alguma coisa. Essa mudança só prejudicou as pessoas que mais precisam, os que são obrigados a usar a circular.”

Procurada pelo Diário, a Prefeitura de Votuporanga não respondeu aos questionamentos levantados pela reportagem.