Mês da consciência negra

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Por Andrea Anciaes

 

O que é ter consciência? E ter consciência sobre si? E ter consciência da sua origem? E ter consciência de pertencimento e de luta?

Parece tão fácil responder essas perguntas: quem eu sou, de onde eu vim e o que faço nesse lugar.

Nesse lugar.

O tal do lugar da fala. Eu falo do lugar de uma mulher branca (será que aqui no Brasil somos brancos?), classe média, formação superior, trabalhadora assalariada.

Ninguém me barra nos lugares. A polícia nunca me parou. Passo pela porta giratória do Banco – deixando chave e celular no compartimento. Não sou rica e faço cálculos todos os meses para que meu salário cumpra suas funções. Minha vida é programada no excel, mas sou branca. Minhas origens são de imigrantes italianos e portugueses. Sou branca.

Uma pessoa branca consegue ter uma consciência negra?

Com ciência, sim. Posso saber o que acontece com os negros, porque vejo, porque conheço história, porque tenho amigos, porque tenho empatia e porque considero uma luta que participo.

Consciência negra passa por três processos de definição: o primeiro  a consciência de ser negro – sua ancestralidade e raíz cultural e histórica dos antepassados africanos que desembarcaram no Brasil e trouxeram consigo toda a cultura, costumes e tradições do seu povo.

Segundo, a consciência negra também representa a identificação da causa e luta. É ter em mente que a escravidão foi abolida, mas que ainda há muita coisa a ser mudada no que diz respeito aos direitos da pessoa negra.

Terceiro, consciência negra como sentimento de pertencimento do negro nessa sociedade, dominada por brancos, porém que tem suas digitais porque é um construtor ativo e aqui vive. Então saber da luta, combater o racismo, a discriminação e o ódio de alguns/muitos brancos é saber-se protagonista da luta identitária, na formação da sociedade brasileira.

O preconceito ainda existe, e uma das formas de combatê-lo é discutindo e expondo as mazelas enraizadas no dia a dia da sociedade brasileira.

(Esse papo de consciência humana é uma forma de tentar negar o racismo no Brasil, como foi feito durante séculos).