Justiça condena oito investigados na Operação Eclesiastes em Votuporanga 

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Justiça condena oito investigados na Operação Eclesiastes em Votuporanga – Foto: Reprodução

Ex-tabelião interino recebeu pena de 11 anos de prisão; decisão é de primeira instância e todos os condenados poderão recorrer em liberdade.


A Justiça condenou oito pessoas investigadas na Operação Eclesiastes, que apurou um esquema de cobrança irregular e apropriação de valores no 1º Cartório de Notas de Votuporanga/SP. Entre os condenados estão um ex-tabelião interino, escreventes e auxiliares da unidade.

A sentença foi proferida nesta quarta-feira (19.ago) pela 2ª Vara Criminal de Votuporanga. 

A maior pena foi aplicada ao ex-tabelião interino: 11 anos e 23 dias de reclusão, além do pagamento de 94 dias-multa. Outros três réus também tiveram fixado o regime inicial fechado. Um escrevente foi condenado a 10 anos, 8 meses e 24 dias de prisão; outro recebeu pena de 9 anos e 7 meses; e um auxiliar, 8 anos e 6 meses. 

Quatro condenados deverão iniciar o cumprimento das penas no regime semiaberto. As condenações foram de 7 anos e 6 meses; 7 anos e 3 meses; 6 anos e 7 meses; e 5 anos e 10 meses. 

Todos poderão recorrer em liberdade. Dessa forma, as condenações não resultam em prisão imediata. A sentença ainda poderá ser analisada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo caso as defesas apresentem recursos. 

Investigação começou em 2024 

A Operação Eclesiastes foi deflagrada pelo Ministério Público em junho de 2024, com apoio da Polícia Civil. 

Segundo as investigações, as irregularidades teriam ocorrido entre 2020 e 2024. De acordo com o Ministério Público, clientes do cartório teriam sido cobrados em valores superiores aos efetivamente devidos a título de emolumentos e custas, sendo a diferença apropriada indevidamente. 

Os acusados responderam no processo por crimes como organização criminosa, excesso de exação e peculato, embora as condenações não tenham abrangido todas as acusações formuladas inicialmente. 

O promotor de Justiça Fábio Sakamoto afirmou que a decisão atende parcialmente às expectativas do Ministério Público. 

Perícia apontou prejuízo milionário 

Uma perícia realizada durante a investigação apontou prejuízo de aproximadamente R$ 5,5 milhões ao Estado. Conforme o Ministério Público, também teria sido identificado prejuízo superior a R$ 1 milhão aos consumidores e clientes do cartório. 

A sentença, entretanto, não determinou o ressarcimento dos valores indicados pela perícia. O Ministério Público informou que pretende recorrer especificamente desse ponto. 

Segundo a Promotoria, embora a Justiça tenha entendido que não ficou suficientemente demonstrado o valor exato do prejuízo, seria possível estabelecer na sentença criminal um valor mínimo para reparação. 

Os envolvidos não trabalham mais no cartório e, conforme informado pelo Ministério Público, foram desligados antes ou na época da operação. 

A decisão desta semana representa a conclusão do processo apenas em primeira instância. Eventuais recursos das defesas serão analisados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), podendo a sentença ser mantida ou modificada.