Cores que ensinam

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Equipe responsável pelo desenvolvimento do Projeto Neon, que será apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Psicologia do Desenvolvimento, na UFSCar – Foto: Ascom

Projeto desenvolvido no Cemei ‘José Modesto Sobrinho’ será apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Psicologia do Desenvolvimento, na UFSCar.


@caroline_leidiane

O Projeto Neon, desenvolvido no Cemei “José Modesto Sobrinho”, será apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Psicologia do Desenvolvimento, de 10 a 13 de novembro, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Carlos.

A apresentação será realizada pelo diretor da unidade, Edel Aparecido Barboza, que também é graduando em Psicologia pela Unifev. A ação integra a programação de um dos principais encontros nacionais voltados às abordagens sobre desenvolvimento infantil e levará ao ambiente acadêmico uma prática construída no cotidiano da Educação Infantil.

Arte, percepção e descoberta

O Projeto Neon surgiu com a proposta de ampliar o contato das crianças com as cores, a arte e diferentes estímulos sensoriais. A partir desses elementos, a escola desenvolveu atividades voltadas à criatividade, à construção da identidade, ao sentimento de pertencimento e a diferentes aspectos do desenvolvimento infantil.

As propostas foram adaptadas às faixas etárias das turmas e incluíram pintura com materiais neon, circuitos de movimento, brincadeiras com cores, atividades de expressão corporal e a elaboração de um mural coletivo. As experiências mobilizaram percepção visual, tátil e auditiva, além de aspectos motores e cognitivos, criatividade e socialização.

Um dos resultados da iniciativa foi a criação de uma sala multissensorial, composta por iluminação fluorescente, materiais coloridos, tecidos e diferentes texturas. O espaço passou a oferecer às crianças possibilidades de interação e exploração por meio dos sentidos.

Para Edel, a experiência surgiu a partir da observação da rotina escolar e da busca por novas formas de aprendizagem.

“Levar o Projeto Neon para um congresso nacional é muito significativo porque ele nasceu dentro da nossa escola, a partir da observação das crianças e da vontade de criar novas possibilidades de aprendizagem. Cada proposta foi pensada para que elas pudessem experimentar, criar, interagir e se expressar”, comenta.

Segundo o diretor, a participação no congresso possibilita colocar em circulação conhecimentos produzidos a partir da própria realidade escolar.

“Poder compartilhar essa experiência com profissionais e pesquisadores também nos permite mostrar a força das práticas construídas diariamente na Educação Infantil”, completa.

Crianças exploram cores, luzes, texturas e diferentes estímulos na sala multissensorial criada pelo Projeto Neon no CEMEI ‘José Modesto Sobrinho’ – Foto: Ascom

Uma experiência construída em rede

A execução das atividades contou com a participação de parceiros. O Senac Votuporanga envolveu estudantes do curso Técnico em Enfermagem em ações realizadas com as crianças. Já a Caju Brasil colaborou com a doação de tecidos utilizados na composição da sala multissensorial.

A participação do Projeto Neon no congresso conta com apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Educação. Silvia Letícia de Faria, secretária da pasta, ressalta que a apresentação evidencia a capacidade da rede pública de desenvolver práticas pedagógicas que podem igualmente alimentar discussões no campo acadêmico.

“Quando uma experiência criada dentro de uma escola da nossa rede chega a um congresso nacional, temos a oportunidade de mostrar que a Educação Pública também produz conhecimento, inovação e práticas que podem inspirar novos caminhos”, afirma.

O direito à experiência estética

Além das atividades sensoriais, o Projeto Neon propõe um olhar sobre a presença das cores e das experiências estéticas em espaços periféricos. A iniciativa aborda questões relacionadas à desigualdade no acesso às experiências artísticas e ao racismo ambiental, a partir da realidade da comunidade escolar.

A reflexão parte da compreensão de que territórios periféricos também são lugares de criação, identidade, conhecimento e potencial. Nesse contexto, a arte e as experiências sensoriais aparecem como ferramentas de expressão e de valorização das vivências das crianças.

Ao chegar à UFSCar, o projeto leva consigo uma questão que ultrapassa o uso das cores no ambiente escolar: como os espaços destinados à infância podem ampliar as possibilidades de expressão, pertencimento e desenvolvimento? A experiência do Cemei “José Modesto Sobrinho” transforma essa pergunta em prática pedagógica e, agora, em objeto de discussão em um congresso nacional.