Levantamento aponta avanços e desafios nas redes públicas no noroeste de SP. Floreal/SP lidera o ranking regional com nota 8,8. Especialista alerta que índice não deve ser analisado isoladamente.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no dia 5 de agosto, mostra um cenário de avanços e desafios para a rede pública de ensino no noroeste paulista.
Entre os maiores municípios da região, Araçatuba, Fernandópolis e São José do Rio Preto apresentaram evolução nas notas do ensino fundamental em comparação com o ciclo de 2023, enquanto Catanduva e Votuporanga registraram queda no desempenho.
Criado em 2007, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) avalia a qualidade do ensino público no país com notas de 0 a 10. O indicador é calculado e divulgado a cada dois anos, por isso os resultados de 2025 são comparados com os da edição anterior, realizada em 2023.
O índice considera dados de aprovação escolar e o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais, aplicadas nesse intervalo. Assim, a comparação entre 2025 e 2023 permite identificar se houve avanço ou queda no desempenho da rede de ensino no período.
O indicador cruza a taxa de aprovação dos alunos (Censo Escolar) com o desempenho em Língua Portuguesa e Matemática nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O índice combina duas informações e apresenta resultados em uma escala que vai de 1 a 10:
- Taxa de aprovação/fluxo escolar (a porcentagem de alunos que não repetiram de ano);
- Notas do Saeb, uma prova de português e de matemática feita por alunos do 2º, 5º e 9º ano do ensino fundamental e por estudantes do 3º ano do ensino médio.
Avaliação nas regiões de Rio Preto e Araçatuba
Dados do Ideb 2023 e 2025 na região de São José do Rio Preto e Araçatuba:
- Floreal – recuou do índice 9,3 em 2023 para 8,8 em 2025;
- Araçatuba – avançou do índice 6,9 em 2023 para 7,2 em 2025;
- Fernandópolis – avançou do índice 6,3 em 2023 para 7,0 em 2025;
- Votuporanga – recuou do índice 6,8 em 2023 para 6,7 em 2025;
- São José do Rio Preto – avançou do índice 6,4 em 2023 para 6,6 em 2025;
- Catanduva – recuou do índice 6,8 em 2023 para 6,3 em 2025;
- Guapiaçu – recuou do índice 6,0 em 2023 para 5,7 em 2025;
- Gabriel Monteiro – recuou do índice 7,4 em 2023 para 5,6 em 2025
*Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
Entre os municípios da região, Floreal teve a nota mais alta do Ideb, alcançando 8,8, uma queda de 0,5 ponto em relação aos 9,3 registrados na avaliação anterior. Em todo o estado, a melhor nota foi 9,1 em Santa Maria da Serra/SP, na região de Bauru/SP.
Por outro lado, Gabriel Monteiro registrou a menor nota da região, com 5,6, seguido por Guapiaçu, que alcançou 5,7 pontos.
Isabella de Cássia Netto Moutinho, pós-doutora em Educação e professora do Departamento de Educação do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) do campus da Unesp de São José do Rio Preto ressaltou que, apesar da importância dos dados, é preciso ter cautela com a interpretação dos resultados.
A especialista aponta que professores e gestores escolares costumam ser responsabilizados pelos índices, como se a avaliação das notas estivesse diretamente ligada ao esforço, às metodologias, à dedicação ou ao controle dos profissionais em sala de aula. Para ela, essa leitura desconsidera fatores mais amplos que influenciam o desempenho dos estudantes e refletem o contexto da educação pública no país.
“A análise frequentemente ignora fatores estruturais básicos, como salários, condições das escolas – muitas vezes com salas superlotadas, sem ventiladores, com merenda inadequada, bibliotecas precárias e sem internet, apesar da exigência de plataformas digitais -, além da vulnerabilidade social dos alunos e da falta de tempo dos docentes para planejamento e formação”, explica a pós-doutora.
Além disso, a docente avalia que o recorte utilizado pelo Ideb é limitado, já que considera apenas duas disciplinas avaliadas pelo Saeb e a taxa de aprovação dos estudantes. Segundo ela, esse critério pode abrir margem para distorções, como a aprovação em massa de alunos que ainda não dominam os conteúdos necessários para avançar de série.
Isabella também destaca que existem outros indicadores importantes para avaliar a qualidade da educação, como a estrutura das escolas, a organização da gestão, as condições de infraestrutura e a formação dos professores. Esses aspectos, segundo ela, ajudam a compreender a realidade do ensino para além da nota final do Ideb.
“Tendo em vista as contradições, precisamos de outras maneiras de avaliar a qualidade da educação, com instrumentos mais honesto, cuja preparação conte com a participação dos professores e que não seja, apenas, quantitativo. Uma avaliação descritiva, qualitativa, pode chamar a atenção para aspectos que nem sempre ficam evidentes em uma avaliação numérica”, ressalta a professora.
Menor índice
Com o menor índice da região, a Secretaria Municipal de Educação de Gabriel Monteiro publicou uma nota para contestar o resultado do Ideb 2025 da EMEIF Maria Gazot Talarico.
Segundo a pasta, a nota 5,6 obtida pela escola não reflete a realidade pedagógica da unidade nem o desempenho dos alunos. A secretaria afirma que houve falhas durante a aplicação da prova do 5º ano B, em 20 de outubro de 2025, e que o problema foi comunicado à Unidade Regional de Ensino (URE) de Birigui e ao Inep.
Conforme a secretaria, os cadernos de prova foram distribuídos sem a conferência adequada dos nomes dos estudantes. Com isso, alguns alunos receberam avaliações destinadas a outros colegas.
O erro foi percebido pelos próprios estudantes e comunicado à aplicadora, profissional externa indicada pela URE de Birigui. Ainda de acordo com a pasta, em vez de realizar a troca dos cadernos, a aplicadora teria substituído apenas os cartões de resposta, mantendo os alunos com as provas trocadas.
A secretaria afirma que a situação comprometeu o resultado da avaliação e, por isso, considera que a nota atribuída à escola não representa o desempenho real dos estudantes. A nota também informa que o Inep informou que não seria possível aplicar uma nova prova e que o recurso apresentado pela escola foi indeferido.
O Ministério da Educação informou que irá realizar um acompanhamento apenas com os municípios que estão com Ideb abaixo de 4,9.
*Com informações do g1





