Meta fiscal deste ano é de superávit R$ 34 bilhões, mas com intervalo de tolerância.
As contas do governo central, que englobam Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, fecharam o primeiro semestre do ano com um déficit primário de R$ 92,2 bilhões, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (30.jul) pelo Ministério da Fazenda. Este foi o segundo pior resultado registrado na série histórica do Tesouro, iniciada em 1997, atrás apenas de 2020, durante a pandemia, quando o déficit chegou a R$ 417,3 bilhões.
De acordo com o governo, o número foi puxado pelo pagamento de precatórios (dívidas decorrentes de decisões judiciais), que foram desembolsados no primeiro semestre.
O resultado dos primeiros seis meses deste ano é mais de oito vezes o déficit registrado no primeiro semestre de 2025, de R$ 11,2 bilhões.
O déficit acontece quando as despesas do governo são maiores que suas receitas com tributos e impostos. O mesmo acontece nos casos das empresas estatais, mas com suas receitas de serviços e produto.
Em junho o déficit foi de R$ 48,1 bilhões. Houve uma piora em relação a junho do ano passado, quando foi registrado um déficit de R$ 44,2 bilhões, valor corrigido pela inflação.
Os resultados das contas do governo são importantes para o cumprimento da meta fiscal, que neste ano é de um superávit fiscal de 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34 bilhões, com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o superávit pode variar entre zero e R$ 68 bilhões.
Porém, o governo pode retirar da conta algumas despesas, como parte dos precatórios, o que ajuda no cumprimento da meta.
Na última sexta-feira o governo revisou a projeção para o resultado primário do governo, de um superávit de R$ 4,1 bilhões para um resultado positivo de R$ 10,8 bilhões, já abatendo as exceções da meta. Ao se considerar as despesas deduzidas da meta, o resultado fica em déficit de R$ 52 bilhões.
No primeiro semestre deste ano, a despesa total do governo teve uma alta de R$ 149,2 bilhões (12,3%) na comparação com o mesmo período de 2025. Os aumentos foram registrados principalmente em:
- Benefícios Previdenciários: aumento de R$ 44,8 bilhões
- Pessoal e Encargos Sociais: aumento de R$ 20,5 bilhões
- Créditos Extraordinários: aumento de R$ 5,1 bilhões
- Sentenças Judiciais e Precatórios: aumento de R$ 35,6 bilhões
- Despesas discricionárias: aumento de R$ 41,9 bilhões
*Com informações do O Globo





