Festival Terceiro Ato transforma Votuporanga em cenário da produção teatral paulista

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A programação da 5ª edição do evento reúne sete espetáculos, três cenas curtas e uma oficina de teatro musical. As apresentações acontecem gratuitamente de 30 de junho a 5 de julho no Centro de Convenções e em espaços descentralizados da cidade.


@caroline_leidiane

O teatro ocupa lugar central na cena cultural votuporanguense a partir desta semana. De 30 de junho a 5 de julho, a cidade recebe a 5ª edição do Festival Terceiro Ato de Teatro, iniciativa que consolida seu papel como espaço de circulação artística, formação de público e intercâmbio entre grupos do interior paulista.

Em apresentações gratuitas, distribuídas entre o Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo” e espaços descentralizados, a programação reúne sete espetáculos, três cenas curtas e uma oficina de teatro musical, aproximando diferentes públicos da experiência cênica.

Promovido pelo Coletivo Terceiro Ato, o festival nasceu com o propósito de ampliar o acesso ao teatro e incentivar o contato da comunidade com diferentes linguagens e propostas dramatúrgicas.

Nesta edição, companhias de Votuporanga, São José do Rio Preto, Dracena, Palestina e Tupã apresentam montagens que transitam entre o drama, a comédia, a releitura de clássicos, o teatro moderno e temas sociais.

Abertura

A programação tem início nesta terça-feira (30), às 19h30, no Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”, com o espetáculo inédito “A Peste”, apresentado pela Cia. Apocalíptica, de São José do Rio Preto.

Inspirada na obra homônima de Albert Camus, a montagem transporta a narrativa para um universo distópico marcado por estética cyberpunk e elementos do teatro do absurdo.

A história acompanha uma cidade interiorana que passa a enfrentar um vírus misterioso após a passagem de um cometa. À medida que a contaminação avança, o medo transforma relações de amizade, vizinhança e convivência, provocando uma reflexão sobre intolerância, isolamento, desinformação e comportamento coletivo diante das crises.

“‘A Peste’ fala sobre uma sociedade que começa a se desintegrar aos poucos. É um espetáculo sobre medo, mas também sobre como o coletivo pode ser a única saída diante do caos. Mesmo sendo uma obra distópica, ela conversa diretamente com o nosso presente”, afirma Lawrence Garcia, diretor da companhia.

A apresentação contará com recursos de acessibilidade, incluindo Libras e audiodescrição.

Antes de subir ao palco, a companhia promove, às 14h, a oficina “O Tom da Cena – A dramaturgia musical da Apocalíptica”, conduzida por Xico Mendes, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – Câmpus Votuporanga.

A atividade integra as ações de contrapartida do projeto “A Peste” e propõe uma imersão no processo criativo do grupo, abordando a construção da dramaturgia musical e a forma como a música se articula à dramaturgia textual.

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas previamente por meio do link disponível no perfil de Instagram do Coletivo Terceiro Ato.

Programação no Centro de Convenções

Ao longo da semana, o festival apresenta um panorama da produção teatral desenvolvida no interior do Estado, evidenciando a diversidade de formatos e narrativas presentes nas artes cênicas atuais.

Na quarta-feira, 1º de julho, às 19h30, a Cia Teatro de Maria, de Votuporanga, leva ao palco “O Testamento”. A peça acompanha o multibilionário Elton Bilhões, que decide testar seus herdeiros antes de definir a divisão de sua fortuna, dando início a um jogo de revelações que expõe conflitos familiares e verdades até então ocultas.

Na quinta-feira, 2 de julho, a partir das 19h30, as cortinas se abrem para a tradicional Noite das Cenas Curtas. Neste dia, se apresentam três montagens de 15 a 18 minutos.

A programação reúne “Cordel do Pequeno Príncipe”, releitura da obra de Antoine de Saint-Exupéry ambientada no sertão nordestino, apresentada pela Cia Entre Palcos e Cia Palcos para Sempre, de Palestina; “O Visitante Sinistro”, inspirado na tragédia grega “Alceste”, de Eurípides, encenado pela Cia Praticamente Inofensiva, de Votuporanga; e “Pense que Você é Deus”, criação do Coletivo Terceiro Ato que aborda temas como radicalização ideológica, violência e imigração.

Na sexta-feira, 3 de julho, às 19h30, a Cia Luju de Teatro, de Dracena, apresenta “Nem Bruxas Nem Santas”. Construída a partir de extensa pesquisa sobre o papel da mulher na história e na sociedade, a peça utiliza humor e sensibilidade para provocar reflexões sobre desigualdade, estereótipos e identidade feminina.

Já no sábado, 4 de julho, o Grupo Fênix de Teatro, de Tupã, encena “Entre Iguais”, às 20h. O espetáculo entrelaça memórias, relatos e acontecimentos reais para discutir preconceito, discriminação e a busca por dignidade.

O encerramento da agenda acontece no domingo (5), com a montagem “Nelson Rodrigues: Amor e Delírio”, da Gigio Produções Artísticas, de Votuporanga. A peça será apresentada às 19h30 e percorre cronologicamente a obra do dramaturgo brasileiro, revisitando cenas marcantes de “Vestido de Noiva” a “A Serpente” e homenageando o legado de um dos maiores autores da dramaturgia nacional.

Teatro além dos palcos convencionais

Uma das características do Festival Terceiro Ato é ampliar o alcance das apresentações, levando parte da programação para bairros da cidade.

No sábado (4), às 14h, a Cia Luju de Teatro apresenta “Que Palhaçada é Essa?” no Projeto Semear, no bairro Pozzobon.

Já no domingo (5), às 9h45, a Abayomi Cia de Teatro de Votuporanga leva a peça “Baba Yaga e as Crianças sem Sono” à Associação Beneficente Caminho de Damasco, no bairro Estação.

Realizado com a participação de grupos parceiros e o apoio da Prefeitura de Votuporanga, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) – Câmpus Votuporanga, o Festival Terceiro Ato chega à quinta edição consolidando-se como um importante espaço de difusão das artes cênicas na região.

Ao reunir companhias de diferentes cidades, estimular a formação de público e promover o encontro entre artistas e espectadores, o festival revela a potência do teatro como uma linguagem capaz de provocar reflexão, ampliar repertórios e fortalecer os vínculos entre cultura e comunidade.